Prismas

Envelhecendo

(Imagem Ilustrativa)

Todos gostamos de nos sentir independentes, ter o nosso trabalho, a nossa renda, as nossas coisas. Enquanto ativos, a maioria de nós procura algum conforto para nós e para nossos dependentes.

Para aqueles que tiverem o privilégio de envelhecer, depois de uma vida toda de trabalho, chegará um momento em que a saúde já não ajudará mais e além de nos tornarmos menos produtivos, podemos nos tornar dependentes de outras pessoas. É comum, um idoso se aborrecer por “incomodar” terceiros com seus problemas. Entretanto, o mais difícil é pensar que talvez não consigamos esta ajuda. Não por falta de vontade daqueles que nos são mais próximos, mas pela falta de estrutura.

Discutimos hoje a questão da reforma da previdência, temos programas de saúde precários, nossa economia vai mal das pernas e a incerteza em relação ao futuro só aumenta. Mesmo os mais novos não conseguem trabalho, como complementar a renda neste cenário, na velhice?

O número de idosos no Brasil cresce acima da média mundial. Já representa mais de 14% da população e, até a metade deste Século XXI, quase um terço dos brasileiros terão mais de 60 anos, segundo especialistas com uma expectativa de vida maior.

Enquanto a Europa se preparou para o envelhecimento da sua população (porém errou em sua política de controle da natalidade, pois reduziu sua população economicamente ativa), nós aqui estamos engatinhando, no tratamento da questão. Não temos estruturas adequadas para garantir dignidade e autonomia aos idosos. Isto é um problema até para quem possui algum recurso financeiro.

Temos boas leis para tudo, inclusive para proteção dos mais velhos, porém um texto não colocado em prática não tem valor. De nada adianta aprovar uma lei para a qual não se define formas para implementá-la, não se identifica uma fonte de recursos e nem se fiscaliza decentemente a aplicação dos escassos recursos existentes.

Países europeus, como a França, Dinamarca e Noruega, desenvolveram políticas para evitar o abandono e garantir o mínimo de autonomia para os mais velhos. Em Paris, por exemplo, a prefeitura paga cuidadores para visitá-los todos os dias em suas próprias casas e ajudar em tarefas básicas, como banho, remédios e comida. Enfermeiros também visitam os idosos e dão atendimento em saúde, evitando o deslocamento para hospitais e a ida para instituições de longa permanência. Aqui no Brasil, algumas prefeituras começaram a desenvolver programas neste sentido, porém estas boas iniciativas e exemplos ainda são poucos.

Hoje, muitas vezes obrigamos um familiar, economicamente ativo, a abandonar seu emprego para tomar conta de um idoso e os colocamos, o idoso e seu cuidador, em uma situação econômica ainda mais desfavorável. Talvez pudéssemos criar unidades especializadas onde as famílias possam deixar os idosos de dia e busca-los à noite.

Há poucos profissionais qualificados, reduzida capacitação na rede básica do Sistema Único de Saúde (SUS) e falta conexão entre hospitais, postos de saúde e centros de atendimento especializado.

Nossos asilos deveriam ser instituições de saúde, porém o que temos são depósitos de “velhos” e, ainda assim, são poucos.

Adnelson Borges de Campos
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