Profissões

Equipe da Funerária Bom Jesus explica como funciona o trabalho de um Agente Funerário

Equipe da Funerária Bom Jesus explica como funciona o trabalho de um Agente Funerário. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando falamos em profissões convencionais, a primeira coisa que vem em nossa cabeça são carreiras padronizadas e consideradas ideais para a concretização de uma boa qualidade de vida.

Mas nesse mês em que foi comemorado o Dia do Trabalhador, a equipe da Gazeta Informativa resolveu romper essa barreira habitual de profissões. Conversamos com o são-mateuense Anderson Maciel Ferreira, Agende Funerário e Técnico em Tanatopraxia que atua há 18 anos na área e contou como funciona o seu cotidiano de trabalho e esclareceu alguns mitos e verdades sobre a profissão.

O primeiro contato

Tudo começou quando um amigo próximo comentou sobre a área de trabalho e Anderson se sentiu interessado em presenciar o cotidiano de um Agente Funerário. Surgindo uma vaga na funerária logo em seguida, ele foi chamado para trabalhar e conhecer de perto o preparo de um corpo para uma cerimônia de velório.

Seu primeiro dia e contato com o corpo em óbito foi observando e aprendendo com seus companheiros de trabalho. “Já no segundo dia eu estava ajudando diretamente no preparo”, conta.

O que um Agente Funerário faz?

O Agente Funerário é o profissional responsável por todo preparo e cuidado com o corpo para a cerimônia de velório. Tendo contato diretamente com a pessoa em óbito, esta carreira profissional também se responsabiliza por retirar todas as impurezas de um organismo morto, como por exemplo, a presença de remédios vindo de um corpo que faleceu no hospital.

Realizando a especialização técnica em Tanatopraxia, que engloba as técnicas de conservação de cadáveres, Anderson comenta que muitas vezes o corpo chega em uma situação difícil por conta da hospitalização, acidentes automobilísticos ou homicídios. “Nós nos responsabilizamos pelo preparo para o corpo durar o velório. Tiramos todo o líquido presente no cadáver através da veia arterial e em seguida, aplicamos produtos para a conservação.”

Aplicando fluídos cavitários, produtos químicos responsáveis pela preservação do corpo, Anderson explica que também pode ser realizado o procedimento de Embalsamento, no qual os órgãos e tudo que está presente no organismo são retirados e incinerados antes de retornar para o corpo. “Nesse procedimento, os produtos são aplicados pelo corpo todo, não apenas pela veia arterial”, explica.

Instigado sobre a evolução do preparo, Anderson explica que antes o trabalho era basicamente a higienização e a colocação de algodão pelo corpo, e hoje os procedimentos são bem diferentes. “As vezes as pessoas inchavam muito por conta do tratamento que elas estavam passando antes do óbito. Pela quantidade de medicamentos que são aplicados no corpo existia essa fermentação junto do sangue, que ocasionava vazamentos pelo nariz e pela boca. Hoje fazemos o trabalho de retirar todas estas impurezas”, desmistifica o Agente.

Segundo Anderson, há 10 anos atrás havia um preconceito muito grande sobre essa carreira profissional. “Tanto é que um Agente Funerário chegava em algum local e tinha vergonha de contar no que trabalhava. Antes a profissão não era tão valorizada como hoje.”

Com o passar dos anos, a procura e o reconhecimento foram aumentando gradativamente, e na atualidade muitos jovens possuem interesse em trabalhar na área. “O salário e a carga horária são muito bons. Hoje não existe mais comentários e brincadeiras sobre a carreira, coisa que existia muito antigamente”, diz Anderson.

Sendo uma profissão ligada à ética, o Agente Funerário tem como princípio o respeito na hora da preparação de um corpo. “Nunca tive medo na hora do preparo, mas existiram situações que mexeram muito comigo, como a morte de amigos próximos, e que eu fui o responsável pela preparação do corpo. É uma situação difícil.”

Instigado sobre ao preparo de corpos de crianças, Anderson se considera uma pessoa tranquila nestas ocasiões. “Se você pensar no sentido da vida, uma criança morre e vai diretamente para junto de Deus. O que dói é saber que existe uma família que está sofrendo por essa perda”, diz. O Agente garante que isso lhe motiva ainda mais a tratar com respeito, delicadeza e carinho o preparo de um corpo.

Existem muitos boatos em relação ao procedimento de preparo, como por exemplo, a quebra de ossos para o corpo se encaixar dentro do caixão. “Isso nunca existiu. Temos muitas técnicas de massagem para fazer com que os músculos se soltem e o corpo se torne maleável na hora do preparo”, comenta.

Hoje Anderson trabalha na Funerária Bom Jesus, que atua há 38 anos no município, e há 22 anos com o Plano UniVida. “Nosso principal objetivo nesse trabalho é sempre o respeito humano”, afirma.

Buscando sempre a comodidade da família imutada, os profissionais que atuam na Funerária Bom Jesus prestam um serviço de qualidade e comprometimento na hora de uma situação tão difícil.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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