(Imagem Ilustrativa)

Dia desses uma amiga estava me visitando no escritório e achou um misto de estranho e engraçado, como ela disse ao me ver escrevendo um texto a mão no caderno.

Falando nisso, tenho lido em muitos lugares sobre a importância de se escrever textos e até das crianças fazerem inclusive a caligrafia nos cadernos apropriados. Muitos educadores acabam tendo problemas com seus alunos em relação a escrita manual de maneira correta e também quanto a terem uma letra legível, nem é mais se ter uma letra bonita, mas legível. Como vão corrigir um trabalho ou tarefa se não é possível entender o que está escrito, e até algum tempo a dificuldade era entender o sentido do texto, agora é entender o que está escrito. Fico imaginando alguns professores indo até as farmácias para conseguirem uma tradução, numa alusão as letras de médicos, que hoje são obrigados a escreverem de maneira legível ou então imprimirem suas receitas.

Alguns educadores reclamam que os bate papos pelas redes sociais, com a invenção da nova abreviação, quase uma nova linguagem, está influenciando erroneamente o pouco de escrita que os jovens ainda fazem, mas isso é assunto para outro texto.

Expliquei para a minha amiga, que apesar de trabalhar direto com textos no computador, gosto de escrever a mão quando necessito dar maior atenção a determinados textos, pois me concentro mais, e presto mais atenção escrevendo mais devagar do que quando digito.

Essa situação de escrever à mão, me recorda uma cena recorrente de muito tempo atrás, de quando eu fazia trabalhos escolares na Biblioteca Pública de Curitiba, pois tinha um senhor que sempre estava sentado no mesmo lugar e sempre estava escrevendo textos num caderno, copiando os textos de livros, que não sei como eram escolhidos. Além de sempre estar escrevendo, o que chamava a atenção era que ele copiava os textos e ao mesmo tempo mantinha uma conversa em voz baixa, mas que dava para ouvir e entender de perto, o que ele falava, apesar de não nexo, e nem haver com o texto copiado. Mas o que me impressionava mais era a letra dele, uma caligrafia impecável, lindíssima, daquelas de escrever em diplomas, o que me lembrava muito a letra do meu pai. No caso do meu pai era questão de ofício, pois ele era contador e do tempo de se escrever tudo em livros. Certa vez perguntei para o pessoal da biblioteca sobre aquele senhor de caligrafia linda, creio que era curiosidade de muitos que frequentavam ali. Me disseram que a família dele, havia dito que ele tinha algum problema e que ele mantinha sempre aquela rotina, na parte da tarde, fizesse sol ou chuva. Na época não foi falado, mas hoje tenho comigo que era algum tipo ou variação de autismo. Ele não incomodava ninguém e ninguém incomodava ele. As pessoas passavam devagar perto dele, olhando discretamente o que ele estava escrevendo e ficavam espantado com a bela caligrafia, e curiosos com ele falando sozinho, mas como se tivesse alguém ouvindo, a quem ele não dava espaço para responder. Sempre um caderno universitário e com caneta Bic azul, e a letra maravilhosa, não simplesmente as belas letras de professoras que a gente comenta as vezes, mas aquelas letras trabalhadas mesmo, uma letra maravilhosa escrita cursiva, em velocidade normal de escrita. Já vi fazerem cartões ou convites com essas letras belíssimas, mas devagar, pensadas, mas com ele era natural.

Eu já comentei com pessoas próximas do meu costume de escrever à mão no caderno, seja para pensar sobre o que estou escrevendo, e também como outro recurso, quando estou em palestras ou quando assistia aulas na faculdade. Eu consigo gravar muito mais assim, além de ser um recurso para não me distrair, sei que todos têm suas manias ou problemas, a minha é essa, o poder de concentração. Se assistir 5 aulas, escrevendo guardo muita coisa, agora apenas ficar assistindo, perco muito. Mas também gosto de escrever à mão, para dar personalidade a cartas e cartões, e qualquer texto para alguém que me seja importante, por isso também guardo cartões ou livros com dedicatórias.

Hugo Lopes Júnior
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