Índia kaingang que antigamente era chamada de Coroado. Facebook Museu Paranaense

Era o ano de 1925. Um rigoroso inverno assolava a região de São Mateus do Sul. Na colônia Taquaral, uma família de índios (aproximadamente vinte e cinco) caminhavam pela estrada. O grupo então se aproximou de um mato de taquaras e construíram rapidamente seus ranchos rústicos. O vento gelado que vinha do sul cortava forte. Eram índios Coroados do Rio D’Areia. Quando os imigrantes chegaram em São Mateus do Sul, lá pelo final do século XIX, existiam alguns moradores nesta região e grupos de povos indígenas que também residiam pelos arredores ou estavam de passagem. Povos com culturas diferentes que vez ou outra acabavam se encontrando.

Durante a noite, uma das índias andava inquieta em volta do rancho recém construído. Pela manhã o mato estava coberto de geada. Pastos e roças, tudo branquinho! Na casa que os índios construíram, havia uma novidade. Os índios haviam cavado uma longa valeta. Nas extremidades, havia fogo queimando. No centro da vala um pequeno ser, que mais parecia um embrulho, estava se mexendo.

Que surpresa! O pequeno embrulho era um recém-nascido que havia sido colocado por sua família no centro da valeta. O fogo aceso em cada uma das pontas era para aquecer a criança. Naquela noite fria, tinha nascido um índio. O bebê choramingava um pouco. Neste momento o coração da mãe índia o acalentava e ela estendia sua proteção da melhor maneira que podia. O rancho não tinha portas nem janela e foi feito às pressas. Também não tinham roupas quentes. As índias, no entanto, sabiam como cuidar dos seus filhos. Entre os cuidados com estes, ainda sabiam tecer cestos de taquara e raízes que depois pintavam utilizando-se de rezinas da mata nativa.

Para sua alimentação, amassavam o milho em pasta, cortavam bambu de tal forma que no centro ficasse o nó. Enchiam com a farinha azeda ambas as pontas, fechando o bambu recheado com folhas verdes, enterravam em cinza quente e cobriam com brasas. Era o milho assado! Os índios também eram hábeis caçadores de animais do mato.

O índio sempre foi da natureza e eles a conheciam bem. A sobrevivência do seu povo dependia dos conhecimentos da terra e da floresta. O novo membro da família teria tudo que fosse necessário. Lá fora, as crianças divertiam-se inocentemente com alguns cães. Algumas brincavam com seus cavalinhos de taquara pelos campos de trigo. Apesar do frio, a vida continuava.

Referência:

Texto produzido com base nos relatos do livro “Suor em São Mateus” de Romão Wachowicz. Curitiba, 1984.

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