(Imagem Ilustrativa)

Nesta semana li um texto da revista Superinteressante que me pareceu explicar um pouco o que acontece com a humanidade. O título do artigo: “A era da burrice”, escrito em 2018, é um rótulo um pouco duro e exagerado, mas nos faz parar para pensar.

Alguns países e estudos trabalham dados estatísticos de teste de QI, uma forma não completa, mas a melhor encontrada e aperfeiçoada por cientistas e psicólogos para medir a inteligência.

Segundo a revista, o teste não diz se uma pessoa vai ter sucesso na vida, nem determina seu valor como indivíduo. Não diz se você é sensato, arguto ou criativo, entre outras dezenas de habilidades intelectuais que um ser humano pode ter. O que ele faz é medir a cognição básica, ou seja, a sua capacidade de executar operações mentais elementares, que formam a base de todas as outras. É um mínimo denominador comum. E, por isso mesmo, pode ajudar a enxergar a evolução (ou involução) da inteligência”.

Cientistas afirmam que a capacidade cognitiva é fortemente influenciada pela genética, isto é, passa de geração para geração. Durante milênios, evoluímos em nossa inteligência, pois éramos obrigados a pensar, a resolver situações complexas, com base em conhecimentos e esforços individuais para que pudéssemos sobreviver.

Como conseguimos respostas para as questões básicas e para as complexas temos vários especialistas que resolvem cada pequena parte do problema, não pensamos no todo e limitamos nossos esforços, descobertas e aprendizado.

Hoje, quase tudo já vem pronto, elaborado por um grupo de pessoas ou por alguma máquina.

Ficamos, de certa forma, preguiçosos, superficiais. Os ingleses, por exemplo, estão pensando em banir os smartphones e tablets das escolas para crianças até oito anos, pois o uso, além de “sugar” a energia e atenção das crianças, deixa o vocabulário pobre e prejudica o processo de comunicação. Nas séries seguintes, a capacidade de interpretação de textos caiu nos últimos 40 anos. Arrisco que, se perdemos a capacidade de interpretação de textos, pela falta de leitura numa fase importante de nossa formação, nos tornamos também menos críticos e capazes de tomar decisões complexas. Como citei em outra ocasião, se não usado, o cérebro atrofia.

Talvez seja por isso que escolhemos líderes imbecis e reforçamos a nossa “capacidade” de tentar validar nossas convicções. A revista cita, por exemplo, que as maiores descobertas científicas são de indivíduos que não tentam confirmar suas teses, mas que estão abertos para testá-las e buscar outros caminhos, já que o objetivo é a descoberta.

É da nossa natureza, é a tendência da mente humana, se apegar em informações que afirmem nossas crenças e de rejeitar as que as contradizem. Talvez isso explique um pouco da febre, do que acontece nas redes sociais. “Discussões inúteis, intermináveis, agressivas. Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso. Pessoas perseguindo e ameaçando as outras. Um tsunami infinito de informações falsas”. Diz a revista e é no que acredito também.

Não temos tempo para aprender, muito embora tenhamos à nossa disposição muita informação. Nunca lemos e escrevemos tanto, porém de forma curtíssima. Não temos paciência para um texto mais longo. Poucos, como você, chegaram até este ponto, nesta Coluna. Tendemos a simplificar tudo, a aceitar o superficial, como no caso das músicas e suas letras. Nossos antepassados e alguns remanescentes, bons músicos, verdadeiros poetas, devem revirar no caixão quando escutam o que faz sucesso nas mídias e redes sociais. Melodias pobres, repetitivas, letras ridículas, sem conteúdo e sem sentido, porém na nova realidade, aceitáveis.

Até a Google e a Apple estão preocupadas com esse emburrecimento e desenvolveram aplicativos para medir o tempo gastos com mídias e redes sociais. Gente menos inteligente em pouco tempo deve querer abandonar as informações que a tecnologia coloca à disposição.

Ainda dá tempo de fazer algo pelos nossos descendentes, se não, infelizmente a nossa burrice poderá ser perpetuada na espécie. Logo nós que nos achamos muito inteligentes, muito mais do que o vizinho. Certo estava o filósofo Sócrates que afirmava: “Só sei que nada sei” ou algo parecido. Reconhecer a própria ignorância é a base para o crescimento cognitivo, uma atitude inteligente. Só evoluiremos se continuarmos pensando, desafiando o nosso cérebro.

Adnelson Borges de Campos
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