No último dia 20 de maio de 2022, tive a oportunidade de participar do 1º Seminário de História, Arte e Literatura do Planalto Norte Catarinense, realizado na Estação Ferroviária de Marcílio Dias, em Canoinhas.

Na ocasião, representei, ao lado da Confreira Adair Dittrich e do Confrade Andreas Costenaro a Academia de Letras do Brasil, Seção Canoinhas num dos painéis (um bate-papo literário). O evento apresentou várias mostras de imagens, músicas e literatura com temática ligada ao momento vivido durante a Guerra do Contestado, um dos mais marcantes da história de nossa região, acontecidos nas divisas entre Paraná de Santa Catarina.

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Fiquei surpreso ao chegar ao local. Foi como viajar no tempo. Até então eu não havia ouvido falar do local, não o havia visitado. Conhecia o lugar de nome. As primeiras vezes que ouvi falar de Marcílio Dias (do local, não do marinheiro herói da Guerra do Paraguai) foi quando em 1986, durante alguns meses, trabalhei na Exatoria de Canoinhas.

Marcílio Dias é um distrito de Canoinhas, mais antigo que a sede do município. Foi fundada por colonos alemães. A estação foi construída em 1913, toda em madeira e era um dos pontos importantes na movimentação de mercadorias da região, principalmente a madeira.

Foi lá, na antiga estação, que em 1934 a Dra. Adair Dittrich, hoje Presidente da ALB-Canoinhas nasceu e viveu durante bons anos, como retratou num de seus livros “Caminhos depois da ponte”.

A velha estação estava abandonada até 2019, foi incluída pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural Ferroviário e em setembro de 2021 teve sua obra de revitalização concluída.

O conjunto formado por três edificações: a estação de passageiros, o terminal de cargas e o restaurante, todos alinhados, foi transformado pela Prefeitura de Canoinhas no Complexo Turístico e Cultural Marcílio Dias, que contará com museu, oficinas, local para apresentações e restaurante. Conservando as características arquitetônicas originais da construção, os ambientes foram modernizados para uma maior interação com o público.

Mas o que me levou a escrever esta Coluna foi pensar que em nossa cidade temos muitas construções históricas, de características arquitetônicas singulares. Muitas delas estão abandonadas. Outras, que tínhamos, já foram demolidas.

Será que precisamos que o Iphan tome iniciativa para restaurá-las? Nós mesmo não poderíamos pensar em preservá-las?

Há como associar o histórico ao moderno e construir espaços culturais ou mesmo voltados ao comércio recuperando casas e prédios antigos.

Eu posso estar enganado e talvez existam várias pessoas e instituições com a intenção de preservação e recuperação de edificações que marcaram nossa história. Se queremos ser reconhecidos como Capital do Xisto, da Erva-mate ou Polonesa, entre outros possíveis, temos que pensar, seriamente, em proteger o nosso patrimônio cultural. Mas sempre esperamos que alguém faça por nós.

Não podemos perder nossas referências, deixar para trás uma parte da nossa identidade são-mateuense.

Adnelson Borges de Campos
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