Os Caminhos do Desenvolvimento

Estamos subutilizando nossa capacidade de produção

Um índice que avalia como está a força de trabalho no Brasil vem ganhando destaque nos noticiários. É a taxa de subutilização do trabalho que subiu para 21,2% no terceiro trimestre de 2016, o que corresponde a 22,9 milhões de pessoas. Subutilizar é um verbo que não deveria existir em qualquer setor de nossas vidas, pois demonstra que temos uma grande capacidade de realizar algo com maior eficiência, utilizando algo menos do que seria possível e dando margem para a ociosidade aparecer sem ser convidada. O que também significa dizer que não estamos dando o nosso melhor, nem estamos aproveitando bem o nosso tempo ou os recursos que dispomos.

Para o índice em questão, o IBGE utilizou os números de pessoas desempregadas no Brasil, de pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais, mais o número daquelas que poderiam estar trabalhando mas por algum motivo não procuram emprego ou desistiram da empreitada. Para o Prof. Ricardo Macedo do IBMEC – Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – “cada vez mais gente está querendo trabalhar e não consegue e isso acaba sendo um indicador de projeção de que a produtividade na economia vai diminuir”. Isso nos leva à fonte geradora de trabalho e podemos dizer que as empresas estão utilizando parcialmente os fatores de produção disponíveis ou a capacidade de produção existente, buscando apenas a sobrevivência em meio a crise. Esse detalhamento do IBGE faz uma radiografia da nossa economia e mostra uma das faces mais cruéis de quando ela se retrai: o desemprego crescente ou subutilizado, independente de qualquer vontade que se tenha de trabalhar ou de fornecer emprego. Nada mais esclarecedor aos nossos olhos e ouvidos que constatar na prática o quanto a relação empresa x colaborador é uma “simbiose” perfeita e benéfica para ambos os lados. Quando tudo vai bem, todos vão bem. Ou seja, quando as empresas vão bem, a economia vai bem, obrigada.

Em meio a esse turbilhão de acontecimentos na política dos governos e números negativos da economia, dela devemos retirar a mensagem nem tão mais “subliminar”, mas escancarada pela crise, de que boas políticas públicas são aquelas que menos interferem na vida das empresas. De que quanto menos se regulamentar o setor com tributos e encargos, mais arejado e livre estará para investir em seus negócios. De que quanto menor a burocratização, novas pessoas irão buscar o caminho da criação de seus próprios empregos através da abertura de suas empresas.

Os governos não são geradores de riqueza, são na verdade consumidores do que é produzido por todos nós para que nos retornem em serviços básicos e infraestrutura. São arrecadadores de nossa produção. E pelo que se veem nas verdadeiras falências anunciadas pelos estados brasileiros, a máquina pública está consumindo muito além do que podemos produzir nas atuais circunstâncias. Não há mais como sobreviver em meio a tanta gastança desenfreada e ver que o resultado do trabalho de uma nação “some pelo ralo”. Parece que finalmente, a “festa” da bonança acabou. E isso sim, é a boa notícia.

Ingrid Ulbrich
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