Prismas

Estamos tornando obsoletas as “atividades humanas”

Imagem Ilustrativa

Quem experimenta uma forma mais fácil de realizar uma tarefa, muito provavelmente não voltará a usar maior esforço para realizá-la. Todos queremos tornar a nossa vida mais cômoda, porém esta comodidade tem preço.

Talvez você já tenha assistido à animação Wall-E da Disney-Pixar, senão, na história os habitantes da Terra deixam o planeta já quase sem vida, afetado pela poluição. A espaçonave que os leva só retornaria quando o planeta reagisse e voltasse a reunir novamente condições de vida.

A vida na espaçonave não exige o mínimo esforço dos passageiros. Tudo é feito a partir de suas confortáveis poltronas. Robôs executam a maioria das tarefas. Resultado: uma população de obesos, que desaprenderam até a caminhar. Uma visão do futuro? Não, isto é quase que uma realidade. Basta visitar alguns parques temáticos americanos e observar a quantidade de pessoas que usam cadeiras de rodas motorizadas, não por deficiência, mas pelo excesso de peso. Cada cadeirante possui suporte, sempre ocupado, para uma enorme caneca de refrigerante.

É claro que pensar em lavar roupas a mão e estender no varal para secar, por exemplo parece pouco aceitável quando se tem uma máquina que lava e seca.

Não fazer uso dos smartphones, da Internet ou das redes sociais pode parecer um absurdo e quem não o faz, geralmente é tratado como um estranho. É difícil abrir mão de todas essas facilidades, dessas tecnologias, mas será que precisamos fazer uso delas o tempo todo?

Você já parou para observar as pessoas num restaurante? Boa parte delas não se desconecta nem na hora das refeições. Pessoas almoçam juntas sem conversar. Seguram o garfo numa mão e o smartphone na outra. Terminada a refeição, se debruçam sobre seus aparelhos até que consigam um minuto de folga para pedir a conta. Depois saem dizendo: “foi bom almoçar com você, precisamos repetir mais vezes”. Exagerei um pouco na descrição? Talvez, mas muitas vezes não percebemos as pessoas à nossa volta, iludidos por uma conexão global.

Hoje, pais cansados compram, cada vez mais cedo, tablets ou smartphones e os dão aos seus filhos. Pouco tempo depois, investem em óculos para minimizar a miopia ou outros distúrbios na visão dos pequenos.

Não precisamos abandonar a tecnologia, mas é preciso tornar o nosso dia um pouco mais humano. Reserve algum tempo para caminhar, tocar um instrumento musical, fazer uso de uma ferramenta, sentir a terra ou a grama abaixo de seus pés, tomar um pouco de sol, brincar. Você pode por exemplo, ir ao cinema e resistir à tentação de dar uma espiadinha no seu mensageiro no celular. Numa viagem, por exemplo, combine o não uso do telefone para que todos conversem ou apreciem a paisagem.

As máquinas serão ainda mais aperfeiçoadas, é um caminho sem volta, porém precisamos lembrar que somos homens, e não extensão de máquinas. Executar atividades humanas é um exercício de engenhosidade.

Adnelson Borges de Campos
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