Histórias de Terra e Céu

Estes são-mateuenses e suas máquinas voadoras

Foto: Acervo da Casa da Memória

Foto: Acervo da Casa da Memória

Há algumas semanas contei sobre a viagem épica do primeiro carro que chegou em nossa cidade. Mas poucos anos depois da chegada dele foi avistado o primeiro “automóvel voador” no céu de São Mateus. Embarque comigo nesta história!

A primeira pessoa a pensar em aviões em São Mateus fez isso antes mesmo que o avião fosse inventado. O padre polonês Antoni Rymar, que foi capelão de Prudentópoils e de Ponta Grossa, vinha constantemente à nossa colônia para discutir ciências com seu amigo e colega Jakób Wróbel, o padre da Água Branca. Rymar projetava aeromodelos e se correspondia com “um tal” de Santos Dumont, na França. O mesmo Santos Dumont que, alguns anos depois, se tornaria um dos precursores da aviação. Os trabalhos sobre aviação de Antoni Rymar foram reconhecidos pela Academia de Ciências da França, que lhe concedeu uma medalha, atualmente conservada em uma diocese do Rio Grande do Sul, onde o padre concluiu seus dias de sacerdócio.

O tempo passou e o sonho de máquinas voadoras se concretizou. Em 1910, quatro anos após o voo de Santos Dumont, o primeiro avião voaria no Brasil. Mas foi em 10 de maio de 1917 que os moradores de São Mateus viram pela primeira vez um aeroplano cruzando o céu da cidade. A maioria das pessoas não tinha nem ideia do que era aquele objeto voador que vinha da direção de Porto União, com uma luz verde piscando. Prova deste estranhamento foi a maneira como os são-mateuenses relataram o fato para um jornal de Curitiba, dizendo terem avistado “andando pelo ar um automóvel em grande altura”, o que provocou chacotas na capital do estado.

Mas o “automóvel voador” apenas passaria sobre a cidade. Só em 1942 seria realizada a primeira aterrissagem em São Mateus, reunindo grande parte da população, incluindo autoridades, para prestigiar o ocorrido, próximo ao campo do Clube Atlético São-mateuense. Na sequência seria criado um campo de pouso na região da Fazenda Maria Isabel, onde funcionaria o aeroclube de São Mateus.

E, apenas um ano após a primeira aterrissagem, a aviação em São Mateus seria marcada por um grave acidente. João Bettega era apaixonado por futebol e por aviação. Coordenava o time do “Iguassú”, do Espigãozinho, que rivalizava o time de São Mateus, onde vários descendentes de poloneses jogavam. E numa bela tarde de 1943, pilotando seu avião sobre a cidade na companhia de Altino Pereira de Lima, Bettega viu dezenas de carroças polonesas em volta da igreja matriz e resolveu dar um rasante para “assustar os cavalos dos polacos”. Mas a manobra foi infeliz e acabou enroscando o aeroplano nos fios de luz, provocando a queda do mesmo e a morte dos dois amigos.

Num período em que São Mateus começava a expandir seu perímetro urbano (que na época ia apenas até a atual rua Ulisses Faria), o acidente de Bettega e de Altino foi um fato impactante, e os dois acabaram dando nome às ruas paralelas à Ulisses Faria, para onde a cidade crescia. A foto que ilustra esta coluna pode ser encontrada na Casa da Memória e mostra o avião após a queda.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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