A fotografia é um recorte de tempo e espaço. A jovem que aparece na fotografia é Haydée Carneiro. Em se tratando de análise fotográfica, ela é o referente, ou seja, o objeto fotografado. “A imagem registrada mostrará eternamente aquele referente focalizado, que poderá ser apreciado por milhões de pessoas em diferentes épocas, com distintas interpretações” (CRISAFULIS RODRIGUES, 2007). Isso quer dizer que daqui 100 anos, essa foto vai continuar mostrando a mesma imagem de Haydée Carneiro. Poderíamos dizer, então, que o tempo da fotografia é o passado, porque é nessa direção que vai o olhar que busca reencontrar, o tema fotografado. Pensando assim, é impressionante o poder da fotografia!

Nesse imenso mar de fotografias antigas, que nos desperta quase um sentimento lúgubre, surge, de repente, tal foto; ela nos anima. Portanto, é assim que devemos nomear a atração que a faz existir: uma animação (ENTLER,2007). Sobre essa fotografia em preto e branco, ela nos chamou a atenção pela delicadeza e beleza da foto logo na primeira impressão. Em uma época que os sorrisos nas fotografias eram quase proibidos (falaremos sobre isso em futuros textos), a suavidade da expressão do rosto da menina-moça nos encantou. Ela sorri suavemente. A fotografia mostra Haydée sentada, apoiando o rosto com as mãos. No apoio, que pode ser uma mesa, aparece um livro e um buque de flores. Ela usa um vestido delicado e uma fita nos cabelos.

Haydée* Niclewicz Carneiro morou um tempo em São Mateus do Sul e foi professora. Foi homenageada em 1954 quando colocaram seu nome na primeira escola normal do município. A Escola Normal Colegial Haydée Carneiro foi criada pela lei 1938 em 14 de junho de 1954. Haydée casou-se com o médico Milton Carneiro. Residindo em Curitiba, atuou profissionalmente na área educacional. A foto é do início do século XX. É uma foto interna de um estúdio de fotografia de Curitiba. Existe uma inscrição manuscrita na fotografia original com o nome dela.

Ser fotografado, é portanto, ser apreendido de alguma forma. Não obstante, podemos lembrar que há ali uma história singular; em uma das análises possíveis da imagem predomina a questão do tempo que permanece imóvel. Uma pergunta surge constantemente: Quantas vezes já olhamos para fotografias antigas e desejamos voltar no tempo?

Referências

CRISAFULLI RODRIGUES, Ricardo. Análise e tematização da imagem fotográfica.2007
ENTLER, Ronaldo. A fotografia e as representações do tempo. Revista Galáxia, São Paulo.2007
Encontramos divergência na ortografia do primeiro nome.

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