Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Ética nas Comunicações

No mundo que caminha com a evolução tecnológica e que é transformado por ela, a comunicação na era digital é alvo de estudos e reflexões, porque modifica a sociedade, o ser humano e suas relações.

Tendo participado do 9º Mutirão de Comunicação, organizado pela Igreja Católica do Brasil, em Vitória, (ES), partilho com você neste espaço algumas reflexões lá levantadas.

O Tema deste Muticom foi, Ética nas Comunicações. Além das oficinas com temas diversos, as conferências foram dadas por personalidades religiosas, como Dom Leomar Brustolin, teólogo, escritor e bispo auxiliar de Porto Alegre (RS); Padre Gildásio Mendes, um dos Assessores da Comissão de Comunicação da CNBB para o Diretório Nacional de Comunicação, além de leigos da área da educação e da comunicação como: Elizabeth Barros, doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995); Elson Faxina, jornalista – doutor em comunicação pela Unisinos/RS, e Caco Barcelos, jornalista e apresentado do programa Profissão Repórter da Rede Globo.

Já na abertura do Evento, padre Gildásio comentou que não há como fugir ou retroceder à evolução tecnológica. Apesar de ainda existir pessoas que não estão completamente conectadas com esse mundo digital, os novos humanos já nascem conectados, mergulhados neste “mundo”, que evolui a cada segundo. Os novos humanos que nascem não se enquadram mais nas gerações X, Y e Z, mas estudiosos já os classificam pelo início do alfabeto. As crianças que agora nascem são a Geração Alfa (primeira letra do alfabeto grego).

Quem não fica preocupado ou se sentindo incomodado hoje se não estiver com o celular por perto? Nós humanos estamos mudando, dizia padre Gildásio.

Contudo, Dom Leomar Brustolin alertava para não olharmos isto como algo negativo. “Não devemos usar aqui do dualismo Bem/Mal, pois a internet, o avanço tecnológico é algo bom, mas devemos saber usar este instrumento a favor de nós e da evangelização”, afirmou.

Segundo o bispo, existe um público nas redes sociais a ser evangelizado. São pessoas que não estão muitas vezes ligadas fielmente a uma instituição religiosa, a uma vida de fé comunitária, mas que buscam até nas redes sociais um encontro com Deus, que estão desejosos de algo que os alimente espiritualmente e dê sentido para suas vidas.

A Igreja tem o desafio e a missão de aprender a ir ao encontro destas pessoas que pertencem hoje à esta nova geração. Contudo, um dos desafios segundo Dom Leomar, é trabalhar bons conteúdos, formar esta geração com valores sólidos, informações

verdadeiras. O terreno das novas mídias possui muitas armadilhas, com falsas informações e com conteúdo raso, sem profundidade. Isto faz com que as pessoas sejam formadas e informadas superficialmente.

Caco Barcelos, ao abordar A Espetacularização da Notícia, criticou a falta de critério ético ao se dar algumas notícias. Para ele, muitas notícias, muitos conteúdos são pouco apurados; nas redes sociais o que está valendo é a divulgação, a publicação, o compartilhamento sem se averiguar se é verdade ou não. Pior ainda, é quando se usa de um fato triste para ser espetáculo para as pessoas. “Me preocupa, quando veículos de comunicação se tornam cenário de divulgação de linchamento físico e moral das pessoas”, comentou.

A Igreja, com sua missão no mundo de anunciar o Evangelho, de levar a mensagem de vida plena oferecida por Jesus às pessoas, acompanha também o progresso da comunicação. Contudo, reflete, pondera e se preocupa para que os meios de informação possam ajudar o ser humano a cultivar os valores éticos, principalmente, como diz o papa Francisco, favoreçam a Cultura do Encontro, consigo mesmo, com o próximo e com Deus.

Elson Faxina alertava para que os veículos de comunicação da própria Igreja divulguem as ações da igreja, que mostrem e construam a vida da comunidade, que mostrem uma igreja em ação, em saída, testemunhando a Alegria do Evangelho.

Pensando agora em nós, como espectadores e atores do novo cenário do mundo que se constrói pelos novos meios de comunicação, trazemos a reflexão deixada por Dom Leomar: O que queremos no fundo comunicar em nossas notícias? Que tipo de conteúdo, de informação, de mensagem estamos transmitindo naquilo que publicamos? Ou, como espectadores, o que queremos ler, que tipo de conteúdo buscamos encontrar? Do que estamos necessitados para melhor viver no novo cenário que se configura? “Os novos meios não são algo de todo ruim, a questão está em pensarmos como nós estamos dialogando, nos relacionando com esse ‘novo mercado da fé’, de conteúdos que lemos e divulgamos?” questionou o bispo.

Amigos (as), façamos dos novos meios de comunicação, instrumentos eficazes de divulgação de valores sólidos; que favoreçam a Cultura de Encontro em combate ao individualismo, e que sejam ferramentas de inclusão e emancipação social, principalmente em favor dos mais fracos e menos favorecidos.

Que Jesus, o Verdadeiro Comunicador do Pai, nos torne autênticos mensageiros da Boa Notícia.

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