Em alguns dias, vamos completar cinquenta anos da chegada do homem à Lua. Um pouco depois, eu comemoro os meus cinquenta e seis anos.

Lembro bem daquele sábado de julho de 1969, que muito marcou a minha vida. Estávamos, eu e minha família, num casamento de uma vizinha de bairro em São Paulo. A noiva era Pierina, uma descendente de italianos. Na festa muita música e gente que falava alto, com sotaque e também falava com as mãos.

Numa festa dessas não há muita ocupação para os pequenos. Eu fui salvo por um aparelho de TV, pendurado numa parede de um galpão da casa da família. Mais tarde eu soube que mais de 600 milhões de pessoas assistiram aquela transmissão ao vivo, uma das primeiras, no mundo inteiro. Me sinto feliz por ter sido uma delas e ainda estar vivo e lembrar do acontecimento.

Sei que hoje parece uma coisa muito simples, pois cada um faz a sua própria transmissão ao vivo no seu smartphone. Mas naquela época, a transmissão ao vivo era um grande feito. Transmitir diretamente do espaço, da superfície da Lua, mais ainda. Quarenta anos depois eu visitei um dos módulos lunares e a cabine de uma das espaçonaves das Missões Apolo e é inacreditável como foi possível uma viagem segura com o que hoje nos parecem limitações tecnológicas.

Em 1969, a TV fazia chamadas durante a programação e eu me mantive acordado para ver a chegada do homem à Lua. Eu me esforçava para ouvir a narração de Hilton Gomes em meio aos gritos dos jogos de cartas, embalados por muito vinho.

Desde então, a Lua me fascina. Durante bons anos de minha infância pilotei espaçonaves feitas a partir de cadeiras de cozinha e viajei no espaço sideral formado por cobertores. Acredito que tais lembranças inspiraram alguns de meus contos de ficção científica, desafiaram a minha imaginação e de tantos outros.

Vivíamos a Corrida Espacial que, mesmo por caminhos tortos definidos pela Guerra Fria, trouxe inovações tecnológicas significativas e que impactam positivamente nossas vidas até hoje: o GPS, a fotografia digital, o micro-ondas, lentes de óculos resistentes a aranhões, aperfeiçoamento da papinha para bebê, aspirador de pó portátil, o material resistente para capacetes de motocicleta, espumas e tecidos especiais e resistentes ao fogo, entre tantos outros.

A conquista da Apollo 11 nos deu maiores esperanças de nos lançarmos com mais ousadia ao espaço, pois a curiosidade humana faz com que a Terra seja um lugar pequeno para a nossa inquieta mente, que faz com que a nossa imaginação não tenha limites.

Nesta semana assisti novamente a Blade Runner – o caçador de androides, filme de 1982. Tudo se passa exatamente em 2019 e, numa visão futurista, quem o produziu imaginava que hoje já tivéssemos construído androides inteligentes, sensíveis e muitas vezes mais resistentes que um ser humano, capazes de superar as adversidades de outros mundos extraterrestres e fariam por nós os trabalhos mais difíceis. Sim, imaginavam que no ano corrente, teríamos superado as fronteiras do sistema solar. Carros voadores já povoariam as cidades. Na primeira vez que assisti ao filme, fiquei impressionado com a tecnologia futurista apresentada. Infelizmente, investimos pouco nas viagens espaciais, ainda não temos produção de carros voadores em larga escala, mas evoluímos muito na tecnologia de nossos equipamentos do dia-a-dia. Em Blade Runner, os aparelhos de vídeo ainda eram tubulares e não havia sinal de telefones celulares, a iluminação era precária, por exemplo.

Isto quer dizer que, se investirmos novamente em programas espaciais, o salto tecnológico será ainda maior. Nesta linha, são as empresas como a SpaceX e Blue Origin e não os governos que estão investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias capazes de levar vida a outros planetas.

Há quem diga que se desperdiça dinheiro em tais programas enquanto temos fome e miséria entre a população mundial. Sim, é inaceitável que ainda existam, mas acredito que quando o homem olha para o céu, para fora de nosso planeta e constrói suas máquinas, desenvolve seus projetos, ele acaba criando melhores condições para a vida aqui na Terra.

Como Blade Runner, a canção de Guilherme Arantes, Lindo Balão Azul também foi lançada em 1982 e retrata bem cada um daqueles que sonham com a conquista do espaço, que vivem sempre no mundo da lua, porque são cientistas, com um papo futurista e lunático.

Adnelson Borges de Campos
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