Carlos Falat e alguns dos personagens dublados por ele durante sua trajetória profissional. (Foto: Acervo Pessoal)

“Sua voz fez parte da minha infância”, é uma das frases mais ouvidas pelo dublador Carlos Falat durante toda sua trajetória profissional. Nascido na cidade de Araucária, foi no ano de 1975 que Falat e sua família mudaram-se para o município de Antonio Olinto, local que tem um grande carinho e divide sua rotina de folga até hoje.

Além da sua reconhecida carreira como dublador, Falat é ator, escritor, diretor de teatro e dublagem. Considerado como uma das vozes mais versáteis da radionovela e da dublagem brasileira, ele também estudou Artes Cênicas, Psicologia Clínica e Letras Clássicas.

Falat dá a voz para personagens que marcaram época, principalmente nos anos 90. Sua voz interpretou: Skeeter, do desenho “Doug Funnie”; Paul do seriado “Anos Incríveis”; Phil de “Os Anjinhos – Rugrats”; dublou a 2ª temporada do Bobby do “O Fantástico Mundo de Bobby”; Tim de “Jurassic Park” onde sua voz foi escolhida pelo próprio Spielberg para dublar o personagem; e demais filmes, desenhos e séries.

Estreou em 1967 nas radionovelas, onde atuou e escreveu mais de 350. Na área de telenovelas e teleteatros, Falat participou de: “A Última Carícia”; “O Retrato de Dorian Gray”; “Maria Bueno”; “Olho no Olho”; “Retratos de Mulheres”; “Razão de Viver”; “Sangue do Meu Sangue”; “Marcas da Paixão” e também do programa humorístico “Comando Maluco”. Com o vasto currículo e reconhecimento em workshops e encontros com fãs da profissão, na edição dessa semana Falat conta para a equipe da Gazeta Informativa um pouco de sua trajetória pessoal e profissional.

JORNAL: O que incentivou sua mudança para Antonio Olinto?
FALAT: Meu pai, José Falat, foi um dos pioneiros no cultivo da batata na região. No início dos anos 80 começaram a migrar agricultores de Contenda, Lapa e outras localidades para o município. Aliás, eu sou primeiro ator profissional de Araucária e de Antonio Olinto. Como eu estudava e trabalhava, ficava dividido entre Curitiba e aqui. Agora fico dividido entre São Paulo e Antonio Olinto. Há cada 40 dias eu venho passar uma semana com a minha mãe em Antonio Olinto.

JORNAL: Como você decidiu entrar na área da dublagem?
FALAT: Em 1991 fui me apresentar em São Paulo com o espetáculo “New York”, produção do Teatro Guaíra. Como eu ia ficar 15 dias me apresentando lá, procurei a empresa de dublagem Álamo. Fiz um estágio de três dias, em seguida um teste e passei. Como eu fiz muita radionovela, tenho facilidade de mudar a voz. Fazia desde as mocinhas das radionovelas, os velhos, crianças e adolescentes. Depois do teste tive que mudar de vez para lá.

JORNAL: Para a dublagem, você fez algum curso específico?
FALAT: Na época não existia curso, agora existem vários, inclusive dou aulas em um deles. Mas fiz Letras e aproveitamento em Jornalismo, Psicologia e Artes Cênicas. Sempre conciliei o trabalho de ator com outras áreas. Fui professor por quatro anos na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) de Teoria da Comunicação.

JORNAL: Qual foi o seu primeiro trabalho?
FALAT: Como ator foi em radionovela. Comecei com 7 anos idade e não parei mais. Em 1988 escrevi algumas radionovelas para a Rádio Difusora do Xisto. Na dublagem meu primeiro trabalho foi no desenho “As Aventuras do Pequeno Nemo”, fiz a voz do Esquilo. Em seguida dublei a voz do garotinho Tim, em “Minha Vida de Cachorro”. Com a representação das minhas dublagens, estúdios de São Paulo passaram a me contratar para diversos trabalhos.

JORNAL: As pessoas te reconhecem pela voz? O que você sente?
FALAT: Sim, várias vezes, principalmente no metrô. Quando ouvem a minha voz pedem para tirar fotos. No supermercado, restaurantes. Outro dia entrei numa perfumaria e percebi que um casal estava me seguindo, quando fui pagar eles se aproximaram e perguntaram se eu era dublador. Quando eu disse que sim a moça me agarrou chorando, dizendo que eu fiz parte da infância dela. Essa é a frase que eu mais ouço. E são sempre pessoas com mais de 20 anos porque todos os grandes personagens que eu dublei foram nos anos 90 até meados de 2000.
Sou pouco reconhecido aqui em nossa região por ser de família de agricultores, muitos não conhecem a minha trajetória e formação.

JORNAL: Como funciona sua rotina de trabalho? Você ainda continua atuando nas dublagens?
FALAT: Começa cedo. Entro no estúdio às 8h e dirijo dublagem até as 14h. Desde 2014 sou Diretor de Dublagem trabalhando em empresas conhecidas, como: Bks, Tempo Filmes e Lúminus.

Antes de dirigir eu assisto todas as produções para saber do que se trata e ver se tem erros, falas trocadas ou falas faltando. Quando entro no estúdio para dirigir faço um resumo para o ator do filme ou desenho que ele vai dublar. Fico atento a interpretação, tom da voz, sincronia de lábio para ver se está correto com os movimentos de boca do personagem. É preciso ver pausas, respirações, barulhos e intenção de texto. As vezes faltam palavras ou sobram, então eu tenho que adaptar na hora. Também continuo dublando sim, mas um pouco menos por causa da direção que toma muito tempo.

JORNAL: Se fosse para dar um conselho para quem deseja investir na área de dublagem, o que você falaria?
FALAT: Quem quer ser dublador é necessário fazer um bom curso de Teatro Profissionalizante. Tem que ser ator profissional com registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). É importante ter uma excelente leitura e boa dicção. Fazer dublagem é um trabalho que exige muita dedicação.

Quando o ator chega no estúdio ele nunca sabe o que vai dublar, portanto é preciso ter uma interpretação e percepção rápida. A gente assiste uma vez, marcando pausas, respirações e o tom de voz. Na segunda vez a gente ensaia colocando a voz e na terceira vez grava. O nosso trabalho é muito rápido porque somos autônomos e ganhamos por hora.

Falat encerra a entrevista agradecendo a Gazeta Informativa por resgatar um pouco de sua história e também ao amigo e radialista Joelson Luís Pacheco, responsável pela indicação se sua trajetória profissional.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
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