(Imagem Ilustrativa)

Eu me sentia, de certa forma, devedor. Visitei a capital de alguns países e não conhecia a capital de meu próprio país. Passei algumas vezes pelo aeroporto de Brasília, mas não havia passado dos limites dos saguões do edifício.

Ambientei um de meus contos premiados na cidade, baseando-me na história da construção da Capital sem nunca ter visto nada presencialmente. Adiei por muitos anos minha visita, que aconteceu há poucos dias. Foi pouco tempo, mas tive algumas impressões confirmadas, outras novas e quero compartilha-las com vocês.

Um primeiro ponto que abordarei – e sei que é chover no molhado – é o da grandiosidade da construção da cidade. Ela é muito mais do que os monumentos que estão aparentes, com complexos subterrâneos projetados para deixar a mostra toda a genialidade de seus idealizadores. É inacreditável que tenha sido construída em pouco mais de três anos.

Fico pensando em qual a diferença entre as realidades das décadas de 1950 e de 2010. Um exemplo: o antigo estádio Mané Garrincha foi demolido e em seu lugar um novo estádio, o mais caro da Copa de 2014, foi construído, num prazo similar ao da construção da cidade toda! Sim, um estádio que custou quase R$ 2 bilhões usou o mesmo prazo de construção dos principais edifícios da cidade. Pior, como o projeto não foi executado como planejado hoje é deficitário e pouco usado. Nem mesmo sediará a Copa América de 2019.

Vejam que em 1957 a região do Distrito Federal e todo o Brasil Central era um vazio, nada além da vegetação do Cerrado. Tudo teve que ser mobilizado para que pessoas e materiais chegassem até lá. Não havia computadores portáteis para que engenheiros fizessem seus cálculos e projetos, mas todos tinham um objetivo bem definido. A construção de Brasília foi só um dos projetos de Juscelino Kubitschek que foram concretizados entre os constantes do Plano de Metas – Cinquenta anos de progresso em cinco de governo. Passados mais de 60 anos do início de seu mandato, o ex-presidente ainda é idolatrado. Sempre foi respeitado mesmo por seus adversários.

Não quero ser tão crítico, mas com a nossa realidade atual, nem em cinquenta anos construiríamos uma outra Brasília. O Brasil, que se vangloria de possuir leis perfeitas e instituições sólidas e democráticas, se amarra a tal ponto que o torna ineficiente, pouco prático e nada ágil. Quem conhece a nova Lei de Licitações que o diga! Mesmo assim, nada impede a corrupção e a falta de compromisso instalados.

Competência técnica temos, talvez o que nos falte é união, objetivos comuns. Se um quer construir, mas não veste as mesmas cores, o outro quer destruir.

Os poderes constituídos parecem não respeitar a Carta Magna que estabelece sejam independentes, porém harmônicos entre si. Assim, surgem o quarto, o quinto e outros tantos candidatos ao poder que desejam demonstrar mais força que os outros e buscam incessantemente holofotes. Se as organizações governamentais não se entendem, as não governamentais, mesmo as bem-intencionadas, dificultam ainda mais o andamento das coisas e o que temos são a morosidade, o desperdício do dinheiro público com obras projetadas, não iniciadas ou inacabadas. Empilham-se processos nos tribunais, porém muitos continuam impunes e destrói-se a esperança de um povo que sonha com um Brasil grandioso, de líderes verdadeiros e que sirvam de exemplo para os mais jovens.

Adnelson Borges de Campos
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