(Imagem Ilustrativa)

A população rural ainda diminui, porém num ritmo mais lento. Alguns jovens têm voltado às origens e apoiado suas famílias na agricultura. Também há quem faça o caminho inverso, os chamados neo-rurais.

Segundo o último censo feito pelo IBGE, em 2010, o Paraná perdeu 16% de sua população rural em dez anos e o Brasil 6% no mesmo período. Com as inovações tecnológicas, a distância não é, necessariamente, mais um elemento impeditivo para o indivíduo se conectar com o mundo. Também a violência e o caos urbano estão fazendo a população repensar o seu modo de vida. Da mesma forma, as experiências deste período de pandemia devem fazer muita gente reavaliar suas opções e buscar melhoria da qualidade de vida. Estes mesmos fatores podem influenciar a manutenção ou o retorno dos jovens ao campo.

Governos, empresas e profissionais precisam estar atentos a este movimento e aproveitar as oportunidades que devem surgir.

Os jovens e adultos rurais tem acesso às mesmas informações e oportunidade de adquirir conhecimento à distância que aqueles que moram em centros urbanos e podem aproveitar melhor o seu tempo, livres dos congestionamentos e filas das cidades.

Por exemplo, prefeituras de pequenas cidades disponibilizam boa parte de seus recursos para o transporte escolar até centros urbanizados ou manutenção de diversas escolas físicas em áreas rurais. Com o uso de tecnologia, os alunos poderiam assistir as aulas à distância, com comparecimentos as aulas presenciais em forma de rodízio – o que garantiria a maior socialização – otimizando o número de prédios e de veículos de transporte. Também haveria otimização do número de professores e com a redução da folha de pagamento poderia se investir mais na melhor remuneração e qualificação dos professores necessários.

O mesmo vale para a saúde, onde a telemedicina poderia otimizar o custo com profissionais de saúde, destinando recursos para a prevenção e evitar deslocamentos até centros especializados.

É claro que não se pode cobrir de asfalto todas as estradas rurais, mas seria preciso investir mais na construção ou manutenção de vias arteriais para facilitar o movimento das pessoas e da produção e atuar estrategicamente para beneficiar o maior número de pessoas.

As empresas de fornecimento de serviços, como as de telecomunicações, por exemplo, têm um grande mercado à sua disposição, podendo levar telefonia móvel e redes de comunicação ao interior, multiplicando seus lucros. Os pioneiros levando cabos e repetidoras levarão vantagem.

O mesmo vale para o comércio, com vendas pela Internet ou fisicamente (supermercados e lojas móveis), que podem se aproximar desse público. Para isto precisam pensar em sistemas de logística para entregas mais rápidas em áreas rurais. Os Correios fazem com que esses moradores venham até as agências e não levam o serviço até a porta dos clientes. Quando uma nova empresa de entrega de encomendas aproveitar este espaço, terá vantagem competitiva.

Com o rural valorizado, teremos melhores remunerações para os que se empregam no agronegócio. Nos períodos de entressafra, os trabalhadores da agricultura também poderiam trabalhar com outras formas de prestação de serviços como a construção civil, por exemplo, pois a tendência é de melhorias na casas e estabelecimentos onde se instala o agronegócio.

A agricultura familiar poderá ser fortalecida e a redução de latifúndios ou de terras mal aproveitadas pode ocorrer. Os ganhos ambientais viriam, pois, estes neo-rurais e os que voltam da cidade para o campo já tem um pensamento de proteção ambiental mais desenvolvido.

O associativismo também tende a se fortalecer, não só para facilitar o comércio e logística do que é produzido, mas para gerar crédito acessível e com maior retorno para os associados.

Quem sabe daqui a alguns anos tenhamos mais textos e estudos abordando o êxodo urbano, pois será preciso cuidar para que não haja desequilíbrio na economia das grandes cidades, que precisam ser repensadas para que não se esvaziem.

Adnelson Borges de Campos
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