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Extra! Extra! Essa é a minha história!

Vitor Romério Nadolny, o amante da comunicação e da história. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

A Gazeta Informativa está sempre em busca de histórias que possam servir como exemplo e motivação aos leitores e vai atrás de cidadãos que possam compartilhá-las conosco. Mas as vezes as histórias por trás de muitas pessoas são tão inesperadas quanto possamos imaginar, e a partir de agora na segunda edição da série estilo perfil, conheceremos a história de um são-mateuense que vive a plenitude de sua história e a guarda como relíquias que muitos museus não possuem.

Sua história começa no dia 12 de abril de 1959, aqui em São Mateus do Sul. O sétimo e mais novo filho do casal Roberto Alexandre Nadolny e Rosa dos Santos Nadolny, agricultores residentes da comunidade do Arroio da Cruz, que sempre zelaram pela educação dos filhos e foram precursores da sociedade são-mateuense contemporânea.

Romeu, Romilda, Roseli, Ronaldo, Rosemari, Ronei e Vitor Romério Nadolny, “a família dos 9 R’s e todos ainda vivos”, destaca Romério, que ainda convive com os irmãos e compartilham experiências vividas com os pais já em memória.

O mais famoso bordão associado aos jovens entregadores e vendedores de jornais da década de 1960 “Extra! Extra!” que está intimamente ligado a vida de nosso bravo historiador são-mateuense, que não vive somente a história passada, mas almeja e luta pela história futura de sua família.

Seu irmão mais velho, Romeu Nadolny, proprietário da Banca Nadolny localizada na rua Paulino Vaz da Silva, há décadas foi seu principal incentivador, pois desde os 10 anos, emancipado pelos pais entrou em sociedade com o irmão a fim de trabalhar no ramo como entregador de revistas e jornais. “Peguei o gosto pela coisa desde 1968, vendendo revistas na rua e entregando jornais. Isso quando São Mateus do Sul tinha apenas um calçamento na cidade, localizado em frente a prefeitura municipal”, relembra Romério.

“Vi jornais e jornalistas nascerem e padecerem. Hoje torço pela Gazeta Informativa, pois além de conhecer o trabalho extremamente profissional, ouço diariamente muitos elogios do jornal. Por isso não podemos deixar morrer o único jornal que ainda vive. Tem gente que quer pegar o papel na mão, sentir o cheiro da tinta e não ficar dependente do celular, dos computadores. A Gazeta Informativa é o coração da comunicação de uma sociedade”, comenta Vitor Romério Nadolny.

Conta também que entregava os jornais a bordo de uma bicicleta Monark Motoneta, carregando uma caixa personalizada nas cores verde e branca, em homenagem a seu time do coração, o Coritiba Foot Ball Club. Paixão que conheceu ainda criança através de seu vizinho, amigo e incentivador Paulo Roberto Polak. “Nós entregávamos os jornais diariamente a noite, pois chegavam pela empresa de ônibus Lapeana por volta das 18 horas e assim por muito tempo, até a Gazeta do Povo passar a trazer seus jornais. Deixávamos o povo informado, me honro disso! Distribuía o Diário do Paraná, o Estado do Paraná, o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo, além da Gazeta do Povo”, relembra. Muitos destes já em memória e em meio às suas relíquias.

Casado há 37 anos com Ivone Nadolny, paula-freitense que adotou São Mateus do Sul como lar, movida pelo amor, Romério conta, “nos conhecemos num baile no Pontilhão. Ela já andava me perseguindo na cidade há algum tempo.” Um dia aquela jovem, açoitada pela timidez resolve tomar uma atitude, a qual surpreendeu o futuro pai de seus filhos. “Um dia ela chegou na banca e jogou um chaveiro em cima do balcão e disse: ‘isso é pra você’, deu as costas e saiu correndo”, conta Romério às gargalhadas.

Neste referido baile, Romério convidou aquela bonita moça para dançar, mal sabia ele que ela já tinha namorado e o cidadão ficou extremamente bravo. “Ele queria me surrar, mas meus amigos que estavam comigo não deixaram e me cuidaram durante todo o baile. Só fiquei sabendo disso no dia seguinte quando me contaram a história. Eu iria apanhar de graça”, conta.

E depois do baile, o então namorado ficou na história e tempos após aquele jovem casal uniu-se em laços matrimoniais numa cerimônia no dia 03 de maio do ano de 1980, às 16 horas, na Paróquia São Mateus, celebrada pelo padre Alexandre. Um ano depois, o amor daquele casal colheu seu primeiro fruto, Franciele, que nasceu em 1981. Um ano depois Graciele, alguns anos após Gabriele, e coube o destino ainda reservar o privilégio da chegada de Vitor Eduardo em 1998.

Nesta época, Romério ainda trabalhava com seu irmão na Banca dos Nadolny, mas o negócio ficou pequeno para tanta gente e motivado pelas filhas e esposa, criaram a banca da família, a Vitor’s & Cia, em novembro de 2004. “Vitor’s, a ideia era eu e ele”, cita, destacando o mais novo filho do casal, “Cia, era as meninas e a mulher.” Hoje prestes a completar 13 anos de existência em São Mateus do Sul a empresa é destaque no ramo e enfoca o sucesso do trabalho em família. “Torço para que dê tudo certo, as vezes existem brigas, mas sempre contornamos, pois existe acima de tudo, amor! Torço para que abracem a ideia e levem pra frente. A minha parte eu já fiz!”

Em meio às atividades da banca, Vitor Romério ainda encontra tempo para se empenhar em sua marcenaria, instalada aos fundos da empresa. “Me arrependo de não ter entrado de cabeça na ideia da marcenaria, pois envolvido com a banca não tinha tempo. Como meu amigo Gerson Cesar de Souza cita em seus livros, quando Dom Pedro mandou vir os imigrantes para o Brasil, falou que queria famílias para mexer com madeira e os Nadolny foram escolhidos para isso. Isso está no sangue”, e entremeio a estas atividades, ele ainda coleciona rádios e vários outros objetos que comprou e ganhou ao longo de anos. Dentre os objetos, muitos jornais e revistas, que sequer as empresas criadoras devam possuir. Romério nos confidencia um sonho, “um dia quero montar um memorial com tudo isso e citar o nome de todos que me doaram ou venderam, pois tenho tudo guardado”, e também anotado em sua memória, que por sinal encontrasse inabalada com o passar dos anos.

Um são-mateuense apaixonado pela sua terra e cheio de esperanças para que num futuro próximo a “terra da erva-mate” possa prosperar ainda mais, haja visto os momentos de turbulência vividos em decorrência das crises econômica e política, nosso amante do jornalismo enfoca seus anseios, “torço pelo futuro de São Mateus do Sul, para meus filhos, para meus netos e não para apenas uma meia dúzia de cidadãos. Nossa São Mateus tem de ser boa para todos os são-mateuenses. Os políticos têm de saber que a maior riqueza de nossa terra é o nosso povo e que todos merecem ser tratados como gente. O Brasil está sendo passado a limpo, temos de trabalhar e esperar o melhor”, reforça.

Uma história linda, de um pai de família que traçou seu caminho com base na educação, valores e respeito. A história de um cidadão que acompanhou e viveu a história atrás de um balcão de sua banca e dali, de seu palco, viu a nossa São Mateus do Sul chegar onde chegou. “Vi e conversei com muitas pessoas que por aqui passaram. Vi jornais e jornalistas nascerem e padecerem. Hoje torço pela Gazeta Informativa, pois além de conhecer o trabalho extremamente profissional, ouço diariamente muitos elogios do jornal. Por isso não podemos deixar morrer o único jornal que ainda vive. Tem gente que quer pegar o papel na mão, sentir o cheiro da tinta e não ficar dependente do celular, dos computadores. A Gazeta Informativa é o coração da comunicação de uma sociedade”, conclui.

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