(Imagem Ilustrativa)

Eu gosto muito de música, de ouvir e interpretar as letras, principalmente aquelas carregadas de significados, de poesias, ou aquelas que nos fazem pensar, tem aquelas que trazem de volta sentimentos ou mesmo lembranças de pessoas ou acontecimentos. Não digo que sou seletivo em relação às músicas, sou exigente mesmo.

Falando nisso, há pouco tempo um amigo fez aniversário, ele é de Curitiba e estamos num mesmo grupo de WhatsApp da universidade, e foram muitos parabéns do pessoal do grupo, ainda mais que ele é muito brincalhão e super querido por todos. No mesmo dia, mais tarde, estava trabalhando e escutando música e tocou uma que eu gosto muito, daquelas que faz a gente parar e refletir bastante… “Faça uma lista de grandes amigos/ Quem você mais via há dez anos atrás/ Quantos você ainda vê todo dia/ Quantos você já não encontra mais…”. Para quem não conhece, essa música se chama A Lista, é de Oswaldo Montenegro. Por acaso esse autor e cantor, é o cara de quem mais vi shows na vida, apenas seis. Aviso, não escutem músicas dele perto de mim, que eu creio que canto, se não todas, 90% delas.

Como diz essa parte da música, comecei novamente a pensar sobre o assunto, e como dizem os mais antigos, fiquei ruminando sobre ela. Uma coincidência ocorreu, pois quando digo que pensei, eu pensei mesmo, e cheguei à conclusão que esse amigo, que se chama Henry, era o amigo mais antigo com o qual mantenho contato (parente não vale). Mandei uma mensagem pra ele, no particular comentando sobre isso, e ele riu, dizendo que não tinha pensado nisso, e depois de refletir me enviou outra mensagem dizendo que eu era um dos mais antigos amigos também, com quem mantem contato frequente. O grupo de WhatsApp é da turma da universidade, mas nos conhecemos bem antes, e fomos nos reencontrar na Federal em Curitiba. Dois cinquentões que se conhecem desde os 15 anos, e não se sabe quem é o mais palhaço dos dois.

Se fosse colocar numa lista, como diz a música, ela ficaria grande e iria desregular o coração “véio de guerra”, é muita gente. Mas resolvi como um desafio próprio em fazer uma lista desse naipe, mas já fui vendo que era realmente grande e ficaria gigantesca. Resolvi fazer assim mesmo, mas acabei ordenando ela, em etapas. Uma lista dos amigos até a 8ª série, depois do colegial, depois da universidade e assim foram algumas etapas, pois ficava mais fácil. É emoção atrás de emoção com tantas lembranças, sorrisos e lágrimas, tudo misturado com tudo que veio a tona. A letra de outra música me veio a mente quando fiz esse exercício emocional, “Meus bons amigos, onde estão?/ Notícias de todos quero saber/ Cada um fez sua vida/ De forma diferente/ Às vezes me pergunto/ Malditos ou inocentes?”, Meus Bons Amigos, do Barão Vermelho.

Vem na mente aquela velha frase, que tenho lido muito ultimamente, por conta de tantas perdas ocorridas de uns tempos para cá, “Ah, se soubéssemos que seria o último abraço, teria sido muito mais apertado…”. Com tantas lembranças que passaram pela cabeça e coração essa frase faz tanto sentido, que faz a gente pensar em outras coisas, não apenas nos amigos, mas também em coisas de que gostamos ou gostávamos. Quando foi a última volta de carrinho de rolamento, a última partida de botão, a última vez de brincar de se esconder (ou esconde-esconde), o último jogo de futsal, a última fralda que troquei nos meus filhos, a última vez que eles dormiram no meu colo, a última dança de rosto colado, o último jogo de bete, a última partida de bolinha de gude, a última ida ao cinema em turma, a última festinha na casa de algum amigo, a última aula que dei, são tantas últimas vezes e eu não imaginaria que seriam a última, e por mais simples que fossem essas coisas, não imaginaria que adquiririam tanta importância hoje… A gente se torna “órfão” de tantas coisas, mas é como diz o Rei, “São tantas emoções” e eu as vivi.

Hugo Lopes Júnior
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