(Imagem Ilustrativa)

No ano de 1995 precisava vender 25 cabeças de repolho pra comprar dois sacos de ureia. No ano de 2000 precisava vender 50 cabeças de repolho pra comprar dois sacos de ureia. Agora em 2020, preciso vender de 400 a 400 cabeças de repolho pra comprar dois sacos de ureia. Alguns não enxergam, mas a realidade do agricultor que trabalha com verduras está desaparecendo. Está ficando sem chances de garantir o seu sustento, infelizmente.

Falando nisso, vi esse texto como uma postagem no Facebook e me chamou a atenção, muito a atenção por sinal. Recordou-me uma prosa que tive certa vez com um professor do curso de Administração, na qual eu falava sobre a economia do Brasil que era e ainda é em boa parte baseada na agricultura. De antemão aviso que o mais próximo que cheguei de ser agricultor foi plantar feijões em copinhos na escolinha e agora que realizo a venda de livros na Feira do Produtor, pelos Amantes da Leitura. Apesar de sonhar em ter uma plantação de milho de pipoca, quem me conhece deve imaginar o motivo.

Mas, a prosa com o professor foi a seguinte, comentei que sobre ele ter falado na aula sobre a economia do Brasil que era a agricultura, e como isso enriquecia o país, como fazia a balança comercial brasileira evoluir e tudo o mais que ainda atualmente vemos quase que diariamente nos noticiários. Eu fiz o seguinte comentário, sobre como o Brasil é rico, pois a nossa agricultura trás tantos dividendos para o país, mesmo que um agricultor de soja por exemplo, ao comprar sementes, é de multinacional, o adubo é de multinacional (ou seus componentes), o seu trator é de multinacional, o caminhão é de multinacional, o defensivo é de multinacional (ou seus componentes), o carro que ele usa é de multinacional, o combustível se não for comprado da Petrobras ou Ipiranga é de multinacional, dependendo do produto é vendido pra multinacional e assim por diante. Só que acontece o seguinte: se a safra for super boa, o mercado internacional baixa os preços e se ruim, o prejuízo fica todo com o produtor, e todas as multinacionais que entraram na direta ou indiretamente na produção vão ganhar de um jeito ou de outro.

Se observarmos que a terra é nossa, ou dos agricultores, a produção é deles, mas todo o restante envolvido na cadeia produtiva é multinacional, os riscos são só dos agricultores e o ganho é sempre dessas empresas. Para o agricultor é ganha ou perde e para essas empresas é ganha ou ganha. Agora imagina se pelo menos boa parte dessas empresas multinacionais tivessem similares nacionais com tecnologia própria desenvolvida aqui e rendendo frutos e dividendos para o nosso país, o quanto de riqueza não deixaria de ir para fora o quão ricos seríamos.

Certa vez fiz esse comentário com alguns agricultores e expliquei essa lógica perversa, onde o Brasil deixava ir embora grande parte da riqueza gerada pela nossa agricultura. Honestamente não faço ideia de como calcular o quanto seria essa riqueza, mas basta ver o texto inicial para começar a formigar as ideias sobre isso. Sobre o quão necessário é fazer evoluir a nossa agricultura e indústria nacional para não depender dessas situações ou não permitir essas situações, onde o risco fica aqui e as riquezas vão para fora.

Lembro-me também de um vídeo que mostrava como a Alemanha é a segunda maior exportadora de café do mundo, sem produzir um único grão, assim como a Suíça é a maior produtora de chocolate sem ter cacau, e apenas meia dúzia de vacas. A Alemanha compra a maior parte do café brasileiro com incentivos e revende pela Europa toda, e dependendo do tipo de café que ela vende por lá, chega a ganhar cem vezes o valor investido.

Por essas e outras que sempre achei a agricultura um ótimo negócio.

Hugo Lopes Júnior
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