Profissões

Farmacêutico: o profissional da área dos medicamentos e suas ramificações

Patrícia confessa que é apaixonada por sua profissão, acima de tudo, por estar tão próxima às pessoas. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Em mais uma reportagem da série profissões, a Gazeta Informativa traz aos leitores mais uma especialidade da área de saúde, profissionais que estão próximos das pessoas e que colaboram diariamente com a manutenção da saúde do povo. Nessa edição vamos conhecer a profissão Farmacêutica, a qual estuda a composição de medicamentos, cosméticos e alimentos industrializados, e orienta seus processos de fabricação.

Para nos contar um pouquinho dessa área, seremos guiados pela são-mateuense Patrícia de Oliveira Nadolny, que atua como Farmacêutica há 19 anos em uma das principais farmácias de toda a região, a última remanescente dentre as primeiras da cidade.

Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Patrícia frequentou cinco anos de formação acadêmica na cidade de Curitiba, mas confessa que sua escolha foi baseada na ausência de um sonho, “sempre amei a parte das ciências biológicas e meu sonho era fazer medicina e optei por fazer um curso mais próximo dentro das minhas possibilidades. Pensei em farmácia e enfermagem, mas como adorava química, decidi que seria esse ramo e me apaixonei pelo curso”.

Um bom profissional da área de Farmácia deve ser humanista. As atividades desenvolvidas por ele geram impacto direto na saúde das pessoas, portanto, o farmacêutico deve ser ético e ter senso de responsabilidade. Outra característica desejável para este profissional é estar sempre atualizado sobre novos produtos e tecnologias aplicadas à Farmácia.

Formada em outubro de 1999, a farmacêutica relata que logo no mês seguinte retornou a São Mateus do Sul e foi convidada para trabalhar na Farmácia Avenida pelo eterno amigo José Stica. “Quando você se forma temos a noção da teoria, então meu primeiro ano foi difícil. Quando comecei a trabalhar, a comunidade tinha um pensamento de que farmacêutico teria de ser homem e já com idade”, comenta.

De fato, há quase duas décadas o ramo de atuação tinha predominância masculina, mas Patrícia fez parte de uma das primeiras turmas no Paraná que revolucionou essa questão, “minha turma foi o início da revolução da própria academia de formação profissional, onde dos 70 alunos, 50 eram mulheres de todo o estado”.

Durante muitos anos, com a ausência de médicos em várias regiões do estado, as farmácias eram o local de socorro da comunidade para atender as enfermidades e todas elas possuíam os farmacêuticos.

“O saudoso Stica me ajudou muito nesse início, quando na sua simpatia me apresentava aos clientes como sua nova farmacêutica e que eles poderiam confiar. Com o decorrer dos anos fui criando vínculo com as pessoas que por sua vez confiaram no meu trabalho”.

O mercado farmacêutico brasileiro é o oitavo maior do mundo e poderá chegar à quinta posição até 2021, de acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Ele é impulsionado pelo tamanho da população, o aumento da renda e a ampliação de programas governamentais de assistência farmacêutica. Fábricas de medicamentos, cosméticos e laboratórios de análises clínicas são grandes empregadores e procuram profissionais bem qualificados, como os bacharéis. No primeiro semestre de 2016, foi registrado um crescimento de 30% na demanda por gestores na indústria farmacêutica.

O setor público, representado pelas farmácias populares e pelos serviços de vigilância sanitária, é outro tradicional empregador que vem crescendo a cada ano. Os graduados podem, ainda, atuar na área científica de pesquisa, biologia molecular e toxicologia forense.

Uma das atividades mais admiráveis do profissional farmacêutico que atua em farmácias, é a característica singular de decifrar as receitas médicas. “Com o tempo você vai conhecendo a letra de cada médico, mas quando não entendemos conversamos com o cliente buscando informações sobre os sintomas que o fizeram procurar o médico e consequentemente o que o médico lhe disse, pois deduzimos qual pode ser o remédio, mas temos de ter o máximo de atenção para não falhar, pois, medicamentos com finalidades distintas as vezes tem nomes parecidos”, afirma Patrícia, e ainda relata que muitos médicos não gostam que seja comentado de que não entenderam suas letras, mas o mais importante é a garantia da medicação correta ao paciente.

A abrangência de atuação do profissional é bastante grande conforme menciona a farmacêutica, “no meu tempo era farmácia, bioquímica e indústria. O legal do curso é que ele abre um leque de alternativas de atuação. Hoje você pode fazer o curso e trabalhar numa farmácia comercial, de manipulação, em um laboratório de análises clinicas, análises toxicológicas, farmácia hospitalar e inclusive na estética”.

Ao longo dessas duas décadas, a cada ano a medicina se supera e os laboratórios vem inovando nos medicamentos. Dando o exemplo desta inovação de acordo com a evolução das patologias, Patrícia diz: “quando iniciei minha profissão o mesmo antibiótico que existe hoje, antes uma única dose era suficiente para suprir a sua necessidade para com a doença, hoje é necessário tomar em 5 a 7 dias para o mesmo medicamento funcionar”.

É uma profissão que se faz por amor e não por ganho capital. Ideal para quem gosta de contato e conversa com o povo. Muitas vezes é preciso extrapolar à função de farmacêutico e atuar um pouquinho com a psicologia, dando conselhos, aprimorando ainda mais o vínculo de confiança e amizade. “Ao longo dos anos, vi muitos clientes crescerem, muitas crianças que eu pegava no colo e hoje continuam frequentando a farmácia em busca de meus serviços. O meu segredo para os jovens que pretendem entrar nessa carreira profissional é trabalhar com amor, com carinho e ter tranquilidade, pois cada pessoa é um paciente diferente. Além de estudar bastante e sempre buscar se atualizar com as mudanças das medicações e mercado de trabalho que estão cada dia mais se aprimorando”.

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Os taxistas e a terra do xisto/erva-mate
Ex-morador de Antonio Olinto se consagra na carreira de dublador
O constante aprendizado de quem contribui e faz a história