Educação e Cultura

Fé e devoção à Rainha da Polônia: peregrinação do ícone de Nossa Senhora de Częstochowa movimenta a comunidade são-mateuense

Em 1991, recepção do quadro na Igreja Centenária da Água Branca. (Foto: Acervo Pessoal)

Nossa Senhora de Częstochowa, em polaco: Matka Boska Częstochowska é um título católico de Maria Santíssima, consagrada como a padroeira da Polônia e da comunidade polonesa no Brasil e em São Mateus do Sul.

Em 1991, a comunidade polono-brasileira do nosso município, motivados pelo saudoso Francisco Augusto Caminski, estabeleceu a imagem de Nossa Senhora de Częstochowa à Igreja Centenária da Água Branca, imagem esta que foi trazida na bagagem dos avós do também saudoso Francisco Toporowicz, imigrantes poloneses que cruzaram o oceano em meados de 1890, carregando consigo a fé e a coragem, atrás da promessa de liberdade e um pedaço de pão. Na bagagem uma das 20 imagens de Częstochowa, únicas no mundo. A imagem ficou durante anos com a família do senhor Francisco Toporowicz, até ser compartilhada com toda a comunidade.

A partir de 1997, iniciou-se a peregrinação da imagem santa de Nossa Senhora de Częstochowa por todo o município e cidades vizinhas, movimentando a fé de milhares de fiéis, descendentes de imigrantes poloneses e católicos em geral.

A peregrinação do ícone de Nossa Senhora de Częstochowa, iniciou no dia 20 de julho e se findará no próximo domingo (27), na tradicional festa de Częstochowa Paranska, na comunidade de Água Branca, onde encontra-se a imagem original.

De acordo com José Carlos Janowski, presidente da Fundação Cultural de São Mateus do Sul e descendente da 3ª geração de imigrantes poloneses, “hoje fazemos todo esse movimento para a valorização dos imigrantes de mãos calejadas que construíram e colonizaram as colônias, dando origem ao nosso município. Foram os primeiros professores, os primeiros padres”.

José enfatiza a tão marcante história daqueles que vieram de tão longe, atrás da terra prometida, “quando a Lei Áurea acabou com a escravidão, o governo foi atrás de alternativas de mão de obra e encontraram na Polônia, um povo lutador e guerreiro, que se dispôs a acreditar nas inúmeras promessas que ficaram só no papel”, e tudo isso movidos, “graças ao poder e intercessão de Nossa Senhora de Częstochowa. Eles persistiram e fizeram com que São Mateus do Sul seja o que é hoje, um dom divino, um lugar sagrado e abençoado”, enfoca José Carlos que completará 69 anos de idade no dia da Częstochowa.

Desde o dia 20 de julho, o ícone percorreu mais de cinquenta comunidades são-mateuenses e reuniu mais de 25 mil pessoas até seu desfecho no próximo domingo (27), uma prova de devoção e fé provinda pelo povo que traz consigo as marcas deixadas por seus ancestrais ao longo dos anos.

Chegada em Rio Claro – Mallet. (Foto: Acervo Pessoal)

Nossa Senhora de Częstochowa: 300 anos

De acordo com uma antiga tradição, o quadro de Nossa Senhora de Częstochowa é uma cópia fiel da pintura feita por São Lucas evangelista, que por ocasião das seguidas visitas que fez à Mãe de Deus para colher dela os pormenores da infância de Jesus, pintou a imagem da Virgem Maria na tábua da mesa de cedro que ela utilizava para trabalhar e rezar. Quando iniciou a pintura do rosto da imagem, o evangelista, preocupado em exprimir da melhor forma possível toda beleza de Nossa Senhora, recolheu-se e acabou adormecendo, quando acordou, a obra estava totalmente pronta.

Muitos anos depois, por volta do ano 323, durante a ocupação de Jerusalém pelo exército romano, Santa Helena foi até a Terra Santa procurar o Santo Lenho. Chegando lá, recebeu o quadro de presente e após ter encontrado a Santa Cruz, enviou ambos para seu filho, o Imperador Constantino.

Recém-convertido ao cristianismo, Constantino instalou o quadro em uma capela particular do seu palácio. Após 400 anos, o quadro foi transferido para a capela do castelo Belz, na Rússia, onde permaneceu por muito tempo.

Doação da imagem em 1991. Na fotografia, o Sr. Francisco Toporowicz, onde ocorreu a carreata que partiu da Colônia Cachoeira até Água Branca, no interior de São Mateus do Sul. (Foto: Acervo Pessoal)

Após a Rússia perder uma guerra travada contra a Hungria e a Polônia, o castelo Belz foi entregue ao príncipe Ladislau, que encontrou o quadro de Nossa Senhora e o instalou na capela do seu palácio. Pouco tempo depois, a cidade foi invadida por Tártaros, que atacaram o castelo. Percebendo que, apesar do heroísmo de seus soldados, os invasores venciam, por serem muito mais numerosos, Ladislau prostrou-se diante da Mãe de Deus e implorou a sua proteção, que veio sem demora. Agradecido pela proteção e desejando proteger o quadro do ataque dos bárbaros, resolveu levar o mesmo para Opole (Polônia) capital do seu principado.

O quadro foi então levado, por desígnio de Deus, para uma colina perto de Częstochowa, que, por ser descalvado de calcário, recebeu o nome de Jasna Gora. No ano de 1382, o quadro foi confiado aos cuidados dos Frades Paulinos, que receberam do Príncipe Ladislau ajuda para construir um convento e uma igreja com o intuito de conservar o milagroso objeto. Em 27 de novembro de 1429, através de uma Bula, o Papa Martinho V concedeu a bênção papal e diversas indulgências ao Santuário.

Na segunda-feira (21/08/2017), o presidente da Fundação Cultural de São Mateus do Sul José Carlos Janowski esteve na redação do jornal Gazeta Informativa para entrevista. (Foto: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

Com rica ornamentação, o quadro milagroso se tornou alvo de cobiça de assaltantes e infiéis, de tal forma, que, por volta do ano de 1430, bandidos invadiram o Santuário, arrancando do altar, joias, cálices e o quadro milagroso. Na fuga, o quadro acabou caindo, um dos assaltantes, percebendo que levar o quadro colocaria em risco a sua liberdade, pois soldados armados já estavam atrás deles, encolerizou-se e antes de fugir, golpeou o quadro com sua espada por diversas vezes. Deixando o quadro partido em três e o rosto de Nossa Senhora ferido.

Vendo o estrago cometido, os frades pediram ao rei da Polônia Ladislau Jagiello que ajudasse na restauração do quadro. Após várias tentativas sem sucesso, por parte de pintores famosos, um jovem se dirigiu ao rei e declarou que Nossa Senhora não queria que as cicatrizes fossem apagadas. E depois de concluir a restauração do quadro, o jovem desapareceu.

No ano de 1655, os suecos invadiram a Polônia, atacando o Convento e o Santuário de Częstochowa, onde estavam apenas frades e 50 famílias e alguns soldados. Os suecos cercaram o local e durante 40 dias atacavam com mais de 15 mil homens, munidos de canhões e diversas bombas incendiárias.

Confiantes na proteção da Mãe de Deus, os frades e demais sitiados, organizaram uma procissão em volta do Santuário, cantando e rezando em meio dos ataques do inimigo que, reconhecendo as forças sobrenaturais dos sitiados, resolveram se afastar e pouco depois acabaram sendo expulsos do país. No ano seguinte, 1656, Nossa Senhora de Częstochowa foi declarada, oficialmente, pelo Papa, como Rainha da Polônia.

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