Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Fé: uma relação de amor

(Foto: Divulgação)

A fé é uma resposta, uma adesão a um projeto. Ela nasce de um ato livre, uma atitude espontânea que brota de uma aceitação da razão, pois tem seus fundamentos e que por isso, não é uma ilusão. Mas acima de tudo, ela brota do coração, é um encantamento, uma fascinação, um apaixonar-se.

A vivência da fé vai além da religião. A religião é a institucionalização da fé, é digamos a estrutura construída de normas, preceitos, práticas devocionais, espaços de cultos, para se organizar a vivência dessa fé. Mas a fé brotando do coração é fruto de uma experiência vivida pela pessoa; comtemplada no exemplo de outras pessoas; inspirada por alguém ou por algo que dá um sentido maior para a vida de quem a vive, de quem crê.

A saber, o cristianismo com todas as suas estruturas, práticas religiosas e preceitos, tem sua raiz em uma pessoa, Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, é Deus encarnado, que assume a natureza humana. Assim, Deus não é Aquele que é distante ou indiferente ao ser humano, mas é Aquele que no seu Filho assumindo a condição humana, vive as alegrias e os dramas da humanidade. A fé no cristianismo é a fé na vida vivida e ensinada por Jesus, Naquele que traz em si a Vida de Deus, e que deseja que a humanidade viva essa vida, que completa e realiza o ser humano.

A fé cristã é então essa relação de amor, de cumplicidade, de imitação da pessoa de Jesus Cristo. O que se vive no cristianismo é a celebração de uma relação de amor entre aquele que crê e Jesus. A pessoa que vive a fé em Jesus vive o amor de Deus, experimenta o Seu amor que se revelou nas atitudes, na vida de seu Filho.

Assim como uma mãe faz de tudo pelo filho, e o faz não por uma obrigação mas, porque é de sua maternidade dar a vida pelo filho, aquele que crê em Cristo faz da sua vida também uma doação, uma entrega pelo outro, um despojamento de si, porque vive em si a vida de Jesus que é a revelação do Amor de Deus Pai.

O ser humano não vive sem amor. Amar é cuidar, é se relacionar, é se doar, é sair de si e estar para o outro. Deus é o princípio do amor porque se doou, se relaciona com a humanidade. O extraordinário de Deus não é que Ele seja forte, mas porque se fez pequeno, simples, humilde, servo de todos. É do princípio do amor que é Deus, que aprendemos o que é amar; o amor que realiza o ser humano.

Por isso, a vida cristã não é vivida por regras, normas, mas por amor a uma pessoa, Jesus Cristo. Nos preceitos, nas estruturas deve-se buscar o relacionamento amoroso com esse Jesus o qual revela o Pai. O Pai ama seus filhos mesmo quando eles não estão no seu amor, quando eles não lembram mais de serem seus filhos.

Desejoso de se comunicar, se relacionar, partilhar seu amor com sua criatura, o Criador assim como perguntou a Adão no Jardim: “Onde estás?”, de modo carinhoso, amoroso e preocupado pergunta hoje também a cada um de seus filhos, querendo dizer: Por onde andas? Por que não estás se relacionando comigo? Por que está longe ou se afastando do meu amor?

O sentido de se viver uma fé está no amor, pois a fé é a busca constante desse relacionamento amoroso com o próprio Deus, de sentir e viver o Seu amor.

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