Cidade

Festas de carnaval embaladas por marchinhas marcaram gerações de são-mateuenses

Fotos: Acervo Pessoal

Fotos: Acervo Pessoal

Quando o carnaval se aproxima, traz consigo um sentimento nostálgico. Os bailes na antiga sede do Clube Unbenau, as noitadas no Clube Ideal São-mateuense (CIS), os carnavais de rua e, claro, os blocos que animavam a festa ao som das marchinhas marcaram muitas gerações em São Mateus do Sul.

“O carnaval traz lembranças de um período muito feliz. Nos reuníamos e preparávamos as fantasias, a organização do bloco, e quem morava fora vinha passar o carnaval em São Mateus”, recorda-se Vânia Maria Maciel Cabral. Com seu marido Duílio Cabral, ela reunia, desde 1979, os amigos para se divertirem juntos.

A reunião acontecia na casa de um dos integrantes do grupo, que formava uma banda com instrumentos emprestados pelo colégio. O bloco saía tocando até chegar ao CIS. “Lá, todos curtiam o baile com o conjunto que o clube contratava e nos intervalos o pessoal tocava e todo mundo sambava”, conta Vânia. A festa corria noite adentro. “Tinha dias que a gente ainda tomava café da manhã bem cedinho na casa de alguém e depois íamos dormir. Isso depois de ter visto o sol nascer na Cuia”.

Criativos, a cada ano os amigos escolhiam um tema diferente, que aparecia no nome e nas fantasias – sempre algo barato para não pesar no bolso.

Clube do carnaval são-mateuense

O carnaval no CIS foi marcante para os são-mateuenses. Os bailes e as matinês garantiam a diversão para pessoas de todas as idades. Suely e Jorge França participaram da organização destas festas por alguns anos. “Nós gostamos muito de dançar e fazíamos amizades muito fácil. Todos os bailes nos aprontávamos, sempre tirando casais para dançar e encher a pista”, comenta Suely, ao relembrar sua relação com o carnaval.

No início dos anos 90, quando Alcides Hanish estava à frente do CIS, Jorge foi convidado a fazer parte da diretoria. “Os membros da diretoria do CIS se reuniam com suas famílias para fazer decorações e tentar levantar finanças para o prestígio do clube. A vivência antes e durante o carnaval era bem familiar e divertida, a família, as crianças e amigos dos nossos filhos iam ajudar nas decorações”.

As festas aconteciam sempre ao som das marchinhas. A noite dos enxutos era uma das mais populares, com homens vestidos de mulher e vice-versa. Ao final da festa, eram premiados o Rei e a Rainha do carnaval, além do bloco mais animado.

“O pessoal respeitava as regras nos bailes”, relembra Suely. “Todos dançavam rodando o salão da direita para a esquerda. Os blocos tinham suas mascotes e sua música de entrada”. Foi neste cenário que surgiram blocos inesquecíveis como A Turma do Funyl, Os Manchas, Ficha 23, As Melindrosas, entre outros.

Matinês

As matinês tinham direito à mesma animação dos bailes noturnos. A fim de garantir a alegria dos seus filhos e de outras crianças, Maristela Sultowski esteve à frente do bloco “Os Manchinhas” que ano após ano garantia a premiação de bloco mais animado do CIS. “Os pais deixavam as crianças na porta do clube e iam buscar ao fim da matinê”, relembra Maristela. “Era uma amizade bonita, os pais confiavam em mim, e as crianças só queriam ficar com a ‘tia’ Maristela”.

Chegou a Turma do Funyl

Surgido em 1983, a Turma do Funyl é um dos símbolos mais duradouros do carnaval local. O barril e o jacaré, símbolos do bloco, bem como as camisetas verde-limão, lotaram muitas festas.

Depois de um pequeno período de pausa, entre 2000 e 2005, o bloco foi retomado, conduzido por outro grupo de amigos, que havia curtido muitos carnavais com a Turma do Funyl. “O carnaval em São Mateus foi regredindo, mas o Funyl se manteve intacto”, avalia Diogo Mayer, que está na organização do bloco desde 2006, reunindo sempre mais de 100 pessoas.

Com a ausência dos bailes por aqui, o bloco se uniu ao tradicional “Os Bartira”, de União da Vitória, e passou a curtir os bailes também em União da Vitória. “Saíamos daqui com dois ônibus lotados”.

A animação era tanta que atraía pessoas de fora, convidadas pelos próprios integrantes do bloco. A integração entre os participantes sempre foi um ponto forte. “Nos cinco dias de carnaval, as pessoas se conheciam, conversavam com alegria”, destaca Diogo. Muitas amizades ali surgiram. Romances também.

Michelli Furtado e Cassiano Cechinatto já se conheciam, mas o pedido de namoro veio mesmo no carnaval. “Foi divertido e inesperado, afinal, no carnaval, a maioria das pessoas saem com a intenção de se divertir sem compromisso. No fim, começamos um relacionamento que já perdura há 8 anos”, comenta Michelli.

Para eles, o carnaval sempre foi sinônimo de alegria, diversão, amigos reunidos cantando e dançando as marchinhas. Elementos que deixam boas lembranças!

Carnaval 2017

Este ano, os bailes de carnaval acontecem no Rota 151, com 3 noites de festa ao som da banda By Brazil e DJ Janps. Ingressos a R$ 20. No domingo, acontece a matinê para as crianças, a partir das 14h. Os ingressos custam R$10.

Na terça-feira de carnaval, acontece uma mateada no Chimarródromo, promovida pela Ervateira Baronesa.

Larissa Drabeski

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Grande arrecadação de lixo eletrônico
Antônio Carlos Franco falece aos 79 anos
Sexta edição do Dia do Anjo ajudará três jovens são-mateuenses