Nem tão simples assim...

Ficar feliz e pegar gripe, isso é o certo

Imagem Ilustrativa

Esses dias eu vi um vídeo de uma estrangeira que estava aprendendo a falar português e ela estava contado sobre a dificuldade que ela teve de compreender a palavra “ficar”. Embora eu não concorde muito com a opinião que ela expressou no vídeo (e eu já vou explicar o motivo), se você pensar bem, “ficar” é uma palavra que acabou realmente adquirindo um significado bem diferente do original, principalmente para os adolescentes.

Voltando à opinião daquela mulher, ela disse que quando entendeu de fato o que era a ação de você ficar com alguém, ela achou aquilo muito bonito, como se, de nenhuma outra forma, fosse possível expressar a mesma coisa, a mesma demonstração de carinho e amor. Mas esse negócio de ficar que, pelo jeito, não vai acabar tão logo, tornou-se algo muito comum, mesmo que apenas entre os adolescentes e, como sempre, tem bastante gente a favor e outras tantas contra.

Eu, por exemplo, não acho muito saudável manter contato com dez pessoas diferentes e trata-las como se todas tivessem a mesma importância e influência na sua vida quando, na verdade, você só quer ir para uma festa com alguma delas e dar “uns pegas” para no outro dia brigarem e ficarem difamando-se por aí. E ainda tem aqueles esquemas de que alguém não pode ficar com o “pega”, ou o “ficante” do amigo, porque se ficar é um falso que não dá a mínima para os amigos e só usou da amizade para pegar aquela determinada pessoa e blá blá blá. Alééém disso, aquela história de que quanto mais meninas (e mais novas) um menino pegar, mais fera ele é, o alfa do bando, o chefe da turma; já, com quanto mais meninos uma menina ficar, mais rodada e fácil ela é, um certo machismo, não?

Por que eu não acho saudável uma coisa tão comum dos dias de hoje? Simplesmente pelo fato de, a meu ver, essa pegação geral por aí acabar por fazer sentimentos reais e até maduros ficarem com um aspecto bem diferente do que realmente têm. Esses dias eu estava conversando com um amigo meu e ele perguntou porque eu, com 17 anos, tinha um pensamento quase antiquado, e eu disse que, para mim, fazer essas coisas parece uma desvalorização do que deveria ser algo legal, tipo você ter um namorado e gostar seriamente de alguém.

Além do que, eu acho que isso acaba fixando cada vez mais a aversão à compromissos sérios que os jovens realmente têm, porque é uma responsabilidade muito maior você ter um namorado do que ficar com algumas pessoas no final de semana. E também, como você tem que manter uma conversa quase constante com os seus “contatinhos”, o que geralmente acontece via celular, e não pessoalmente, você tem que gastar muito mais tempo nos aplicativos do que nos livros e nos estudos, o que, convenhamos, já tem um caminho desenhado para notas baixas e até reprovação.

Se eu quisesse exagerar e generalizar, poderia até dizer que “ficar” fará você ser qualquer um na vida, o que, em alguns casos, pode ser verdade, porque dar uns beijos deve ser bem mais interessante do que estudar, e não estudar lhe levará a um boletim desastroso e falta de atenção nas aulas, então quando você fizer um vestibular não lembrará porque o C4H10 não é a fórmula molecular de um hidrocarboneto alicíclico saturado chamado butano, e então você não entrará em uma faculdade boa, e acabará tendo um emprego qualquer e ninguém para dividir a vida com você, porque quando a pessoa certa apareceu na sua vida você não percebeu porque estava mais interessado em ficar com a quadragésima pessoa no próximo final de semana. Ninguém viveu feliz para sempre.

Mas eu não posso dizer que isso acontecerá, só tenho medo de isso tornar-se uma realidade diante desses relacionamentos instáveis por aí…

Beijos, Anna.
annajulia.reginato@yahoo.com.br

Anna Julia Reginato
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