Meio Ambiente

Filhotes de peixes são soltos no rio Iguaçu em São Mateus do Sul

Imagens: Reprodução Youtube

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Na terça-feira (03), foi realizada a soltura de aproximadamente 2.500 alevinos de peixes nativos – bagre amarelo e jundiá amarelo, no rio Iguaçu, em São Mateus do Sul. Numa campanha para a compra dos alevinos, realizada pelo Panek Artigos de Pesca, que contou com a doação em dinheiro de seus clientes e amigos.

Segundo o proprietário do estabelecimento, Christian José Panek, o objetivo dessa ação foi ajudar na preservação do rio, “já que nem sempre o peixe consegue se reproduzir e que apesar do conhecimento de todos sobre a importância da preservação, ainda há fatores como a poluição e a pesca predatória que fazem com que corramos o risco de ter um rio morto, sem vida, sem peixe”, destaca Panek.

O Panek Artigos de Pesca agradece a todos pela colaboração, “temos que ter consciência que não é só retirar do rio, temos que repovoar e agora neste período devemos respeitar a piracema”, conclui Panek.

O comerciante Fábio Arduim conta que a ideia da ação foi sua, mas afirma que sem o apoio do Panek Artigos de Pesca, não obteria êxito. “Tive a ideia de fazer uma vaquinha nas redes sociais com um grupo de pescadores de São Mateus para a compra de alevinos, aí pedi ajuda ao meu amigo Christian, da Panek Artigos Pescas, para me ajudar. Se não fosse por ele a arrecadação não teria sucesso, ele deixou a lista em sua loja e os amigos do grupo foram ajudando cada um com um valor”, conta Fábio.

Foram mais de 50 amigos que ajudaram, “tivemos ajuda até de outras cidades. O valor arrecadado foi de R$ 627,00 e deu para comprar 1.750 bagre e 350 jundiá, mais os brindes do vendedor da Pavanelo, totalizou mais ou menos 2.500 alevinos, a intenção disso é conscientizar a população para cuidar do nosso rio, preservar a natureza e praticar a pesca consciente”, finaliza Fábio.

Piracema
(Fonte: Instituto Estadual de Florestas)

Todo mês de novembro começa a piracema, palavra de origem indígena (pira=peixe e cema=subida). Os índios, com sua sabedoria primitiva, já observavam o movimento dos peixes em cardumes rio acima, para se acasalarem e se reproduzirem. Antes do fenômeno a natureza já emite sinais que são percebidos pelos peixes de que a estação favorável está para chegar. Dias mais quentes, chuvas frequentes e água mais oxigenada fazem com que milhões de peixes machos e fêmeas dispersos pelos rios se agrupem em grandes cardumes, preparando-se para a subida.

Os peixes de piracema, conhecidos também como migradores, necessitam fazer um esforço físico intenso para a subida ao rio. Eles sabem que é hora de ir para os locais de desova. Alguns chegam a nadar centenas de quilômetros em poucos dias. As chuvas aumentam o nível dos rios, que transbordam e abastecem as lagoas marginais e alagadiços, permitindo aos peixes chegarem até esses locais ou subir às cabeceiras, locais onde encontram condições ambientais adequadas para desovar: águas mais quentes, oxigenadas e turvas, o que ajuda na proteção contra predadores.

Nesses locais, os animais chegam maduros e prontos para o acasalamento. A fecundação dos peixes é externa e a grande concentração de machos e fêmeas aumentam as chances de fertilização no ambiente aquático. A partir daí, milhões de ovos descerão o rio ou ficarão se desenvolvendo nas lagoas marginais que são conhecidas como “berçários” dos peixes.

Estes ovos agora serão vítimas de predadores e, com a escassez de alimento e outras condições adversas, poucas larvas chegarão à fase adulta. A dispersão para as lagoas marginais e remansos permitirão encontrar alimento e proteção.

Nas lagoas marginais ocorre outro fenômeno importante. Com acesso a elas, adultos entram para desovar, ovos e larvas que descem à deriva também podem se depositar ali, encontrando abrigo seguro. Os peixes juvenis que se encontravam aprisionados desde o ano anterior se veem livres para repovoar o rio. Por isso é fundamental preservar esses ambientes.

Cansados da jornada, os adultos se tornam presa fácil de predadores. Muitos pescadores se aproveitam desta fragilidade para pescá-los com grande facilidade, contribuindo para a redução drástica dos estoques pesqueiros futuros.

Mesmo antes da piracema, muitas fêmeas que sobem o rio já estão ovadas. É responsabilidade de cada pescador soltá-las ou não, como também praticar a pesca consciente.

Os governos federal e estadual instituem durante a piracema o período de defeso para rios e águas continentais. O período é de primeiro de novembro a 28 de fevereiro do ano subsequente. No Estado de Minas Gerais é permitida apenas a pesca com limite de quantidade para espécies exóticas (de outros países), alóctones (de outras bacias brasileiras), híbridos (produzidos em laboratório), além de poucas espécies autóctones (nativas da bacia).
Os equipamentos permitidos durante o período de defeso são: linha de mão com anzol, vara, caniço simples ou carretilha ou molinete de pesca, com iscas naturais ou artificiais. Para portar o equipamento de pesca e o pescado é importante que o pescador mantenha sua licença atualizada.

Fundadora e proprietária da Gazeta Informativa, graduada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo e pós-graduada em Produção e Avaliação de Conteúdos para as Mídias Digitais.

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