Produção de bicho-da-seda realizada na comunidade do Paiol Grande, em São Mateus do Sul.
(Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Você já sentiu a textura da seda? Quando unida no contato com a pele, traz a sensação de maciez e conforto. Mas você sabia que aqui em São Mateus do Sul existem criadores do bicho-da-seda? Segundo a Bratac, responsável pelo controle das criações no município, hoje existem seis propriedades em São Mateus do Sul responsáveis pela sericicultura, nome dado para esse tipo criação. Há também propriedades no município de Antonio Olinto, com cinco criadores.

O bicho-da-seda é uma lagarta da cor branca. Ele produz um fio de seda que sai por um tubo em sua cabeça. A lagarta vai enrolando esse fio em torno do próprio corpo até ficar totalmente coberta. Nesse ponto, está pronto o casulo, que vai proteger o bicho-da-seda até ele se transformar em mariposa. O casulo inteiro é formado por um único fio contínuo.

Segundo Valdenir Aparecido Servelo – técnico agrícola e gerente de uma das filiais da Bratac –, o objetivo é incentivar a criação do bicho-da-seda no município, para que no futuro a Bratac construa um ponto de recebimento de casulos em São Mateus do Sul. Hoje o custo do frete dos casulos de seda para a empresa é de responsabilidade de cada proprietário.

É fácil criar um bicho-da-seda?

Valdenir explica que a criação das lagartas é uma das mais simples que existem. Os bichos-da-seda são tranquilos, passam por um período de dormência e se alimentam apenas de folhas de amora. “Essa é uma das nossas exigências quando a pessoas se mostra interessada em criar os bichos-da-seda. É necessário ter uma propriedade de no mínimo 1.8 hectares que será utilizado para plantar as amoras”, explica. As lagartas também não se locomovem para outras plantações ou vão até as residências dos proprietários, elas ficam apenas nos recipientes de criação.

Para a efetivação da sericicultura, o proprietário deve seguir requisitos previstos em projetos para a criação, como a construção de um barracão de no mínimo 25 metros de cumprimento com a posição do sol favorável para a criação, permitindo que as lagartas sobrevivam. A Bratac possui uma parceria com alguns bancos, que realizam o financiamento para a construção desses barracões.

Casulo formado pela lagarta.

A renda da criação é familiar, com pagamentos mensais que podem chegar a até seis salários mínimos de acordo com o tamanho dos barracões de criação. “O potencial da região, de acordo com o clima, é de 7 meses de produção, em que a safra vai de outubro a abril”, explica o técnico.

Os proprietários contam com assistência técnica da Bratac, e para começar a produção a empresa disponibiliza as larvas das lagartas para a produção, em que cada caixa conta com em média 35 mil lagartas. O valor das larvas é descontado depois da primeira colhida do casulo. “O Governo do Estado do Paraná subsidia parte desse valor, fazendo com que não fique caro para o produtor”, diz. Depois de todo o preparo, a seda é importada para países como China, Japão e Índia.

Para os interessados em criar os bichos-da-seda, basta entrar em contato pelo telefone (43) 99689-3516, falar com Valdenir, que está semanalmente na região.

História

A indústria da seda começou na China há mais de 4.500 anos. Os chineses comercializavam a seda, mas não contavam para outros povos como ela era feita. A seda era um produto tão importante que a rota comercial entre a China e a Europa ficou conhecida como Rota da Seda. No século VI, bichos-da-seda foram roubados da China. A partir de então, os europeus começaram a produzir sua própria seda.

Hoje, fibras artificiais são bastante usadas no lugar da seda, mas as pessoas ainda valorizam itens feitos de seda pura, por sua qualidade. A China continua a ser o maior produtor de seda do mundo; a Índia e o Japão estão entre os maiores consumidores.

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