Era meio dia de um longínquo 21 de setembro, quase primavera, em 1908…

Um ano antes (1907), no dizer de um historiador da região, São Mateus do Sul já era uma alegre povoação, importante centro comercial de erva-mate. Desde o início, a produção de erva-mate, foi a ocupação principal dos habitantes deste lugar. Tal foi o progresso, que no ano seguinte, pela Lei Nº 763 de 02 de abril, São Mateus (nessa época era somente São Mateus), foi elevado à categoria de município com a instalação em 21 de setembro de 1908. Neste local, existia um grupo social composto por imigrantes e nacionais e com certeza, a data foi significativa para a história são-mateuense, dando início a uma nova fase de desenvolvimento.

O livro de Atas da Câmara de São Mateus do Sul foi aberto por João Cândido de Lara, presidente da Câmara Municipal de São João do Triunfo, em 21 de setembro de 1908. Consta já nas primeiras linhas a justificativa de tão importante data, pois a partir daquele dia, nosso município emancipou-se de São João do Triunfo. Com a presença de autoridades, lideranças locais, o ato solene, contou com a presença do primeiro vice-presidente do Estado do Paraná, Generoso Marques dos Santos. Após a instalação do município, assumiram os camaristas (vereadores) e o prefeito, para o quatriênio 1908-1912. Os primeiros vereadores foram Manoel Eugenio da Cunha, Paulino Vaz da Silva, Luciano Stencel, Flórido Gonçalves do Nascimento, Estanislau Zawadski e Gustavo Ehlke (não estava presente no dia). O primeiro prefeito foi Ewaldo Gaensly.

Fato curioso e que foi devidamente registrado naquela data, menciona que o cidadão são-mateuense, Joaquim Luiz Gomes dos Santos (mais tarde denominado como o rei do mate), ofereceu sua residência na cidade para o funcionamento da recém-criada Câmara Municipal, até que fosse providenciado prédio mais apropriado. Sobre esta fotografia, consta na legenda, que foi o primeiro paço municipal. A data e a autoria são desconhecidas. O local é São Mateus do Sul em um ato solene, tão importante que mereceu um registro fotográfico coletivo. Fica a imagem como suposição, sendo necessária a confirmação com outras fontes históricas.

Fotografia (reprodução) em preto e branco, tamanho 25cm por 40cm com moldura em madeira. Um grupo de pessoas adequadamente trajados, sendo homens de um lado e mulheres de outro. Através do vestuário é possível presumir que a fotografia seja do início do século XX. No alto da edificação foi colocada uma faixa com o nome do nosso país, como era denominado naquela época e a figura do brasão de armas nacionais. Acima da faixa, a bandeira nacional. No centro da fotografia destaca-se a figura de um homem de estatura mais baixa, com bigode escuro, segurando um livro grande embaixo do braço, supostamente um livro Ata. Ao seu lado um outro homem mais alto com cabelos brancos, bigode e óculos. Generoso Marques dos Santos, que estava presente, tinha 64 anos nesta data, e também usava bigode e óculos. O homem de barba longa e branca poderia ser Ewaldo Gaensly, que foi o primeiro prefeito. A imaginação torna-se muito fértil ao observar várias vezes esta fotografia. Ainda assim, são suposições.

Daquele longínquo 21 de setembro, ficaram as memórias, contidas nas fontes históricas. Como disse o historiador Eric Hobsbaw: “A função do historiador é lembrar os que os outros esquecem”. Parabéns São Mateus do Sul! 112 anos de emancipação política.

Hilda Jocele Digner

Professora e historiadora.

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