Quem é ela? Alguém se arrisca? Esta fotografia mostra o retrato de uma mulher de cabelos grisalhos e sorriso que lembra uma avó. Senhorinha simpática, me olha todos os dias na Casa da Memória. Uma pista: tocava piano muito bem e viveu grande parte da sua vida em São Mateus do Sul, na primeira metade do século passado.

A História escrita (historiografia), geralmente era produzida por homens e sobre suas atividades como a guerra, a política, a economia entre outras. As mulheres, ocupavam papéis de esposas e mães e poucas tinham a oportunidade de se destacar no mundo “masculino”, quase sempre eram apenas mencionadas. A partir de meados do século XX, há mudanças na historiografia e o estudo sobre gênero permite um alargamento das abordagens e métodos utilizados para pesquisas envolvendo mulheres. Hoje vamos mostrar um pouco da história de uma são-mateuense que está na memória da nossa cidade. Você já ouviu falar sobre uma mulher chamada Lavínia?

Lavínia de Abreu Wolff, nasceu na cidade de Palmeira-PR, em 19 de junho de 1893. Aos seis anos de idade, devido um acidente, teve um corte profundo no braço na altura do pulso. Naquela época, o médico que a atendeu, aconselhou seu pai, que a menina estudasse piano para não perder os movimentos. Assim, o pai comprou-lhe um piano, que pertencera à uma baronesa de Palmeira. A pequena Lavínia então iniciou seus estudos. Casou-se aos dezessete anos com Hilmo da Cruz Wolff, descendente de Rodolfo Wolff (um dos primeiros moradores da cidade), vindo morar em São Mateus do Sul. Hilmo e Lavínia tiveram os seguintes filhos: Lávio, Heitor, Andreza, Irene, Resedá, Hilmo, Zilie, Lavínia, Clóvis e Miriam. Juntamente com suas responsabilidades de esposa e mãe começou a lecionar piano em sua casa, tendo vários alunos são-mateuenses.

Seu marido também gostava muito de música e quase todas as noites a família se reunia para cantar e ouvir Lavínia tocar no piano canções como Luar do Sertão, Tico-tico no fubá, Branca, Tardes de Lindóia e outras tantas daquela época. Muitas vezes ela tocava piano em bailes sem repetir uma música pois seu repertório era muito vasto. Nesses momentos, seus filhos pequenos a acompanhavam e dormiam em um espaço ao lado, pois naquele tempo era comum os pais levarem os filhos aos bailes. Após a morte de seu marido a pianista ficou 4 anos sem lecionar e sem tocar piano. Lavínia faleceu em 10 de julho de 1947, aos cinquenta e quatro anos de idade. Pertenceu a ela o piano que hoje está na Casa da Memória.

Hilda Jocele Digner

Professora e historiadora.

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