A saudade é um sentimento que faz parte da vida de muitas pessoas e pode ser suavizado através de alguns meios de comunicação. Através de e-mails, redes sociais, mensagens de celular, entre outros, mas principalmente dos meios que se utilizam de imagens, as distâncias deixam de ser reais e aproximam os envolvidos, tornando-se por um momento inexistentes. Mensagens, acompanhadas ou não de textos escritos (imagens também são consideradas textos), continuam sendo trocadas pelas pessoas que com o passar do tempo foram se utilizando desses meios para sentirem-se próxima umas das outras. O cartão-postal do início do século XX e final do XIX, foi uma dessas formas.

Essa fotografia apresenta uma característica específica. Ela é classificada como cartão-postal, muito utilizado em épocas passadas. Esse Cartão postal foi enviado por um remetente de Curitiba. O destinatário era Estanilau Peplaski em São Mateus, Colônia Cachoeira, vicinal. A data no verso, é de 1907 e o conteúdo do texto não está legível. A fotografia é de um jovem rapaz, supostamente dentro de uma oficina. Seria uma marcenaria? A fotografia seria a do remetente? Muitos questionamentos ainda sem respostas. Sendo o tema da fotografia um local de trabalho, poderíamos interpretar como também sendo um meio de divulgar uma prestação de serviço.

Muito comum entre parentes e amigos, semelhante em alguns aspectos ao nosso cartão de visitas, o envio de cartões postais tornou-se objeto de colecionadores que chegavam a montar álbuns para exibir suas novas aquisições em forma de cartões. Segundo SOTILO (2014), a saudade, como mencionamos acima, ainda é um dos temas mais abordados nesse tipo de comunicação. Aqueles que o utilizam ou utilizaram no passado, demonstram esse sentimento através de palavras como: “gostaria que estivesse aqui”, “saudades”, “lembrei-me de você”, com destaques para as fotografias que são enviadas juntamente. Assim, esse tipo de contato, continua a fazer parte dos relacionamentos pessoais, como alternativa de comunicação. Seja pelos cartões-postais, por e-mail, mensagens de celular ou outra forma que as pessoas venham a escolher, apenas o tempo de o recado chegar ao destinatário é que era mais demorado. No caso dos cartões-postais, bem mais demorado!

Referências
SOTILO, Paschoal Caroline. O cartão-postal e a fotografia: reprodução e consumo. São Paulo, 2014.

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