Naquele ano de 1912, em São Mateus do Sul, aconteceu uma grande comemoração. Foi inaugurada a sede própria do “Club” Amante da Prosperidade. Localizava-se à rua Barão do Serro Azul, atual Paulino Vaz da Silva. O clube foi fundado em 23 de fevereiro de 1908, por cidadãos são-mateuenses. Enquanto não possuía espaço próprio, as reuniões eram realizadas nas residências de alguns sócios. O nome do clube foi sugestão de Joaquim Portugal. É possível que esta fotografia seja da inauguração do prédio, que ocorreu no dia 27 de janeiro de 1912. Na época, o presidente do clube era Manoel Eugenio da Cunha. Este clube deu origem ao Clube Sãomateuense (1920), que mais tarde uniu-se ao Clube Ideal (1926), formando o Clube Ideal Sãomateuense. A construção em madeira da fotografia, ficava ao lado do clube atual.

Sobre a fotografia, ela é externa, em preto e branco. Acervo pessoal em suporte digital, sem referência da origem da fonte. O fotógrafo pode ter sido Favaro Antônio, pois existe outra fotografia já conhecida e publicada do mesmo dia, do mesmo edifício, onde seu nome foi mencionado. (FARAH, 2012, p.79) É quase impossível olhar para esta fotografia e não debruçar-se diante da beleza, deste magnífico exemplar da arquitetura em madeira! Não consegui definir se esta visão lembra-me um bolo bem confeitado ou um belo vestido rendado.

Na fachada principal, o destaque ficou por conta dos lambrequins que apresentam um lindo trabalhado em madeira, com ornamentos e arremates deslumbrantes. Olhem as cantoneiras, que capricho! As pessoas que estavam presentes não foram identificadas até o momento. As janelas com vidraças, grandes e numerosas, serviam para iluminar e ventilar o ambiente. Três bandeiras despontam na sacada superior com guarda-corpo elaborado. Alguns meninos se posicionaram para a fotografia em lugar pouco seguro. O homem de chapéu claro e terno escuro, está ladeado por duas mulheres com seus vestidos de festa e chapéus floridos. Um outro “cavalheiro “ajeita uma das bandeiras. Abaixo, a cobertura projetada para fora do corpo da construção, dá acesso à porta principal, com duas escadas laterais, igualmente elaboradas em madeira. A pintura era do tipo “caiação”.

Uma cerca de madeira delimita o espaço que pertence ao clube. Ao fundo, a vegetação com árvores enormes. No flagrante da câmera, nem todos perceberam que iriam aparecer na fotografia. Ótimo para nós, os observadores da imagem, que presenciamos momentos de descontração (raro) na foto, como a mulher que aparece pela janela, no interior do clube, que levanta levemente os braços para arrumar os cabelos (lado esquerdo de quem olha a fotografia), os homens que conversam do lado de fora, sabe se lá sobre o quê e ainda outro homem de terno claro, debruçado à janela da frente, talvez, pensativo (lado direito de quem olha a fotografia). Num descuido do fotógrafo, oh! Que graça! Foi capturada pela câmera essa imagem inusitada e nostálgica da “casinha” (risos).

Observar atentamente esta fotografia antiga é como visitar, de certa forma, o passado são-mateuense em 1912. E se insisto em falar em lambrequins é porque existem marcas, que penetram profundamente em nosso ser, nos proporcionando um sentimento de pertencimento a determinado lugar. Eles (os lambrequins) ainda existem, mesmo que na maioria das vezes, apenas em imagens do passado, para serem admirados. Sem pressa.

FARAH, Audrey Lilian. São Mateus do Sul.100 anos.2012. Arte Editora, Curitiba.

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