São Mateus do Sul tem história e tradição ligadas à erva-mate. Faziam parte da paisagem urbana, muitas carroças carregadas com esse produto, no período da safra. Na fotografia externa, um grupo de carroças aguarda, em frente ao antigo estabelecimento comercial AGENOR e CIA, para descarregar sua mercadoria, que tinha como principal destino, os engenhos de mate de Curitiba. O percurso da erva-mate continuava ainda pelo Rio Iguaçu, através dos vapores. O proprietário do estabelecimento, era Agenor da Cunha Nascimento, cidadão são-mateuense muito envolvido com a economia e a sociedade local. Essa rua é atualmente a rua João Gabriel Martins, que foi anteriormente denominava-se Rua “Iguassú”.

Os ervais que existiam por toda parte, geravam riquezas impulsionando o desenvolvimento do município. Essas carroças foram importantes meios de transporte de diversos produtos, principalmente erva-mate. Segundo Alvir Riesemberg, a carroça foi uma das contribuições do colono polonês para a nossa região, principalmente para o transporte industrial. Também chamada de “carroça polonesa”, era puxada por dois, três ou quatro cavalos, destinada ao transporte de mercadorias. Nessa fotografia externa, aparecem carroças com dois cavalos. Essa carroça, conforme Riesemberg (1973), diferia da carroça russa apenas no tamanho, entretanto, funcionalmente também. Fazia itinerários curtos entre a zona rural e a cidade ou vilas próximas. Em 1942, existiam mais de 1500 carroças registradas em nosso município. A maior parte era composta de 2 animais e de 4 rodas.

Esses veículos também possuíam placas de identificação, número de registro e pagavam impostos ao município. A capacidade de uma carroça variava de acordo com uma numeração que ia do número 16 ao 65, conforme espessura dos eixos. A carroça de número 16 tinha capacidade para 330 quilos e a de 65 para 3000 quilos. As maiores, de número 34, chamadas carretões, eram utilizadas nas serrarias, para condução de toras e de tábuas. As carroças russas, chamadas de carroções, tinham geralmente, os números 60 e 65 (RIESEMBERG,1973, p.125). No livro Carroções: outras histórias, de Arnoldo Bach*, esse autor menciona que os carroções eram puxados por 8 cavalos e descreve a interessantíssima variedade da pelagem dos animais.

Não identificamos os carroceiros nem o fotógrafo, nem mesmo a data. Mas foi através do olhar do fotógrafo, que percebemos tantos detalhes de uma imagem que se reproduzirá infinitamente, mas que só ocorreu uma vez. Repete-se mecanicamente, mas jamais se repetirá existencialmente. (BARTHES, 1980). Deve ser por isso, que muitas vezes sentimos um certo saudosismo (mesmo não tendo vivido naquele tempo), quando alongamos nosso olhar para dentro daquela imagem. Imaginamos então um lugar no passado, onde é possível ouvir um barulho característico de rodas de carroça em movimento, um estalar de chicote ou algum som emitido pelos animais. Esse tema já fez parte do cotidiano de São Mateus do Sul.

Referências
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. 1980.
BACH, Arnoldo Monteiro. Carroções: outras histórias. Ponta Grossa: ed. UEPG, 2005.
RIESEMBERG, Alvir. A instalação humana no Vale do Iguaçu. 1973.
REGISTRO DE CARROÇAS -PREFEITURA DE SÃO MATEUS (1942). Acervo Casa da Memória Padre Bauer.

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