Quando olhei esta fotografia pela primeira vez, fiquei pensando: quem colocaria uma foto como esta em um quadro na parede, se não tivesse um significado, uma importância? Conhecendo um pouquinho sobre a história da erva-mate em São Mateus do Sul, logo conclui que devia ter um motivo. E tinha mesmo.

Grande foi a minha surpresa! No meio da pesquisa, descobri que esse era o único malhador hidráulico do Paraná, em meados dos anos de 1920.A importância da erva-mate é tão significativa em nosso município, que alguém, no passado, quis dar ênfase e perpetuar esta imagem da fotografia. Atrás do quadro, em uma etiqueta, consta que o quadro foi doado pela família “S. Lima e Silva”. Provavelmente a letra “S”, deve referir-se à família Santos Lima. A fotografia não tem autor nem data conhecidos.

Mas, esta foto me fez pensar no barbaquá. O malhador é parte dessa estrutura rústica em madeira, chamada de barbaquá. Segundo um documento histórico, Francisco Nadolny inventou essa peça, no século passado. Consta ainda que Francisco, que veio para São Mateus do Sul no fim do século XIX, foi produtor de erva-mate. Ao observar os filhos brincando com um “porongo” em movimento cilíndrico, com alguns palitos cravejados, pensou em fazer um modelo assim para malhar a erva-mate. Um malhador em madeira, de forma cônica, com cunhas girando em círculo, dentro da cancha de erva-mate, movido por tração animal. Essa invenção foi decisiva para melhorar o preparo da erva-mate.

Então, o malhador que era movido por tração animal, muito comum em nossa região, acabou motivando outras formas de uso, como este da fotografia, que era movido com a força da água. Este malhador hidráulico, pertencia à Francisco das Chagas Pereira, produtor de erva-mate. Em 1896, Francisco veio para a Água Amarela que na época pertencia ao município da Lapa. Essa fazenda possuía 221 alqueires de terras com água em abundância, arroios e rios. A erva-mate nessa época era preparada em barbaquá, em um método conhecido por “sistema brasileiro”. Os ervais da fazenda eram muito procurados por sua qualidade e aroma, ervais frondosos. A água então, foi importante para essa inovação.

Bem, sem dúvida alguma, o malhador movido a água ou a tração animal, foi fundamental no sistema de preparar a erva-mate. Curioso é que esses dois modelos, foram criados por homens que coincidentemente tinham o mesmo nome: Francisco. Dom Pedro II ao visitar o Paraná, conversou com Francisco Nadolny e o elogiou por sua invenção. A fotografia do malhador, sim, é digna de ter sido emoldurada em um quadro e colocada na parede. Essa foi mais uma das memórias, da rica história da erva-mate em São Mateus do Sul.

Por Hilda Jocele Digner Dalcomuni

Hilda Jocele Digner

Professora e historiadora.

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