Reconstituir a memória (mesmo que incompleta) de uma cidade, através de fotografias antigas, desperta o interesse de certas pessoas. Algumas fotografias, não possuem histórico e nem qualquer outro tipo de informação. Com o passar do tempo, o passado fica mais distante, perdem-se as referências, as pessoas que guardam lembranças desse tempo, já não estão mais aqui para falar e registros escritos, nem sempre existem.

A fotografia dessa semana, mostra uma cidade que não parece muito com São Mateus do Sul que conhecemos hoje. A imagem faz parte de uma publicação de 1932. A geração mais jovem, não tem na memória este lugar como se apresenta na fotografia. Tenho comparado fotografias do mesmo local, em datas diferentes, pois ajuda muito no caso das residências, a entender como era o passado daquele lugar. Quem morava ali? Como era o nome daquela rua? A cidade vai tomando uma aparência diferente, alguns lugares do centro, por exemplo, já não possuem mais nenhuma das construções de madeira. Até onde eu tenho conhecimento, o traçado principal das ruas centrais da nossa cidade não mudou muito. Já não podemos dizer o mesmo do nome das ruas, pois algumas já trocaram de nome umas três vezes, pelo menos. As residências, então, essas nem se fala! Praticamente todas substituídas. Entendemos essas mudanças como parte do processo de desenvolvimento urbano. Afinal, em cada época, novas perspectivas e novos projetos arquitetônicos, principalmente.

Na fotografia em preto e branco, no canto esquerdo inferior, a edificação que era o primeiro hospital da nossa cidade, está meio escondida atrás das árvores, que aparecem em primeiro plano. Infelizmente só podemos ver o telhado e uma parede lateral. Localizava-se entre as ruas Dr. Cândido Ferreira de Abreu e Barão do Serro Azul, uma esquina (denominação anterior das ruas). A outra casa, que está mais visível na imagem era a moradia das Irmãs Vicentinas que chegaram em São Mateus do Sul em 1908 e que foram as responsáveis por iniciar esse trabalho em nosso município. É possível visualizar uma horta que elas cultivavam e parte de uma cerca. Na vizinhança, todas as construções eram em madeira.

Vemos uma parte do centro da cidade e ao fundo o Rio Iguaçu. Este local é hoje o estacionamento da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo, que divide espaço com o Chimarródromo. Também é a Praça Nossa Senhora da Conceição. Está localizado na esquina da Avenida Ozy Mendonça de Lima com a Paulino Vaz da Silva. É possível que a fotografia tenha sido tirada da torre da igreja de madeira, que existia ao lado da atual Paróquia São Mateus. Essa fotografia foi tirada antes da construção em alvenaria, que seria no futuro, a residência e o colégio das religiosas (prédio inaugurado em 1944). O terreno foi adquirido pelas Irmãs (Religiosas) Estefânia Goniakowska e Maria Kloster em 1921, já com as duas casas de madeira que aparecem na fotografia. O terreno e as construções pertenciam ao senhor Miguel Osternack e sua esposa Francisca Osternack, residentes em Curitiba, como consta em documento de cartório de 1921. Mais tarde, as Irmãs transferiram a propriedade para a Congregação Polonesa Brasileira de São Vicente de Paula, representada pela Irma Superiora, Josepha Szandrach, residente em São Mateus do Sul, em 1931. Nesta última data, consta uma informação sobre as construções de madeira: “onde já ha tempo, funciona o Hospital S. Matheus”, e a outra nos fundos desta que serve de moradia ás Irmãs de Caridade,”. (Arquivo histórico Casa da Memória Padre Bauer).

Quando escrevemos sobre o passado, deixamos vestígios, pistas, que no futuro podem servir de informação para a sociedade ou mesmo para outros estudos afins. A pesquisa nunca termina e para dar continuidade a esse assunto, a próxima fotografia selecionada para a minha coluna, será sobre o Instituto Imaculada Conceição, ou melhor dizendo, como muitos são-mateuenses conhecem, o antigo Colégio das Irmãs.

Referências

MANSUR, Aziz(org.).1882-1932 Cincoentenario da Navegação do Iguassú e seus Affluentes – S.Matheus-Rio Negro-U.Da.Victoria.Ed(s.ed) cidade:(s.l) ano 1932.
Arquivo histórico. Casa da Memória Padre Bauer.

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