Um grupo de homens fardados, posicionados para uma fotografia. A pose informal, sugere uma pausa para o registro da imagem. Quantas lembranças esse tipo de foto deve trazer, não é mesmo? Para os jovens que passaram pela experiência do serviço militar, essas fotos, muito comuns nesse meio, despertam a memória de um momento específico na vida dos envolvidos e a essência do grupo. Antigos colegas, nomes de “guerra”, lugares que estiveram juntos e o cotidiano da instrução militar propriamente dita. Posso até imaginar algumas risadas e brincadeiras entre eles, em momentos de descontração, pois a maioria era composta por jovens em torno dos 18 anos.

Esta foto foi tirada na atual rua Barão do Rio Branco, ao lado do prédio da prefeitura, onde é possível visualizar uma parte da fachada. Essa rua ainda não possuía pavimentação. Sem data ou autoria conhecidas, esta fotografia retrata aproximadamente 75 soldados em frente ao Tiro de Guerra.

O Tiro de Guerra 548 General Monteiro de Barros, estava ativo em São Mateus do Sul no ano de 1932, tendo como seu presidente o coronel Augusto Cezar Espínola Júnior, que residia na cidade. Era uma instituição que tinha por finalidade difundir entre os rapazes de São Mateus do Sul a instrução militar. Através da pesquisa histórica, sabemos que essa instituição também participava de eventos sociais na comunidade são-mateuense. A fotografia em preto e branco sempre esconde um pouco do real, mas, pesquisando um pouco mais, descobri que a cor da farda dos soldados era cáqui, muito semelhante a que é utilizada atualmente pelos policiais militares e bombeiros.

Em 1937, foi promovido um evento em nossa cidade, pelo Centro Cultural São-mateuense, que teve a duração de uma semana. Foi na primeira semana de setembro daquele ano e na programação tinha missa, leilão, baile, desfile cívico das escolas e demais instituições (entre elas o Tiro de Guerra) e outras provas. Os soldados do Tiro de Guerra participavam em algumas como a corrida rústica de 1500 metros, corrida de três pés, corrida de velocidade de 100 metros, entre outras modalidades. Estava previsto também um concurso de Tiro ao Alvo, que seria realizado na caserna, com rifles Flaubert (surdas). Ser um bom atirador, também era um dos objetivos do Tiro de Guerra. O tenente João Reis era o responsável por fazer as inscrições. A linha de tiro era no quartel do Tiro de Guerra.

Essa semana, de eventos comemorativos do dia da pátria, teve várias atividades que devem ter movimentado a pequena cidade de São Mateus do Sul, naquele tempo. A churrascada (estava na programação) desse evento, deve ter acontecido no domingo daquela semana e teria como local o quartel do Tiro de Guerra. Coincidência maior foi ver a data de publicação desse programa cultural em 28 de agosto de 1937. A data da edição do jornal de hoje!

Hilda Jocele Digner

Professora e historiadora.

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