A delicadeza é seu ponto forte, silenciosa em seu olhar, sorriso singelo de ternura, foi musa inspiradora para o poeta. A bela morena de São Mateus do Sul foi eleita na cidade da Lapa, a Rainha do Mate do Brasil de 1959. A moça, de porte majestoso e cabelos escuros, encantou os jurados que a elegeram a mais linda entre as 13 candidatas que participaram desse concurso. Além da beleza original, a elegância da são-mateuense foi complementada pelo lindo traje que ela usou durante o baile de apresentação. Em seu magnífico vestido de gala, acompanhado de luvas e graciosa echarpe do mesmo tecido, ela desfilou com muito glamour pela passarela, sendo muita aplaudida. Observamos outras fotografias desse mesmo dia e selecionamos essa em específico.

O clássico espelho em moldura dourada reflete a imagem de uma jovem de pele clara, cabelos escuros e olhos castanhos. Como ornamentos ela usa brincos de pedra verde (uma referência à erva-mate?) e uma linda coroa que tradicionalmente foi colocada em sua cabeça revelando o encantamento da rainha, em seu momento mágico. Ao evidenciar na foto a parte superior do corpo da jovem semi descoberto (rosto, colo e ombros), a imagem transmite sensualidade, beleza e sensibilidade do ápice da coroação. As flores no canto inferior direito da fotografia, completam o quadro de feminilidade.

A fotografia colorida foi publicada na Revista Panorama* com reportagem completa, no mês de julho de 1959. Provavelmente o fotógrafo era um profissional do referido periódico, pois na revista consta apenas “Departamento Fotográfico” de responsabilidade de Sergio Melulevicius. Foi um grande acontecimento social e entre tantas matérias da revista daquela edição, a beleza da moça foi selecionada para a foto de capa, sendo a única colorida. A presença dessa fotografia em destaque na revista, evidencia uma preocupação com a expressão pessoal e com a estética, revelando-se a fotografia de imprensa a protagonista desse meio nos anos seguintes.

Sua faixa verde de rainha, compõe o acervo da Casa da Memória Padre Bauer. Um fato curioso que descobri durante a pesquisa para esse texto é que a casa onde morou Maria Carlota Guimarães Wolff a rainha da erva-mate de 1959, aqui em São Mateus do Sul, ainda existe. Fica do outro lado da rua onde eu moro, uns 50 metros da minha casa. Coincidência?

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