A fotografia é uma memória visual. Infelizmente não podemos sentir o perfume das flores nem ouvir a música nas imagens. Muitos músicos do município em várias épocas, encantaram festas, reuniões de famílias, encontros de todos os tipos com seu talento musical. José Shen foi um deles.

José Shen veio de Palmeira no final da década de 1920 para dirigir a Banda Municipal de São Mateus do Sul a pedido do prefeito da época. José Shenn também era alfaiate e segundo relato de Jorge Kantor* era também compositor e maestro. Em uma época que o cinema não era falado ele tocava trombone na orquestra do Cine Theatro Brasil, e morou alguns anos em nossa cidade. Nesse período alugou o cinema do município e começou a compor várias músicas: “Saudade e amor” (valsa), “Sinto ser pobre” (valsa), “A força do destino” e “Palmeira”. Também compôs músicas com nomes de pessoas da sociedade local como a música “Nelson” (dobrado em homenagem à Nelson Nascimento), “João Martins” e ” Emílio Prohmann”, são algumas. Ele também é conhecido por ter composto a música do Hino São-mateuense. A letra é de Arnoldo Prohmann.

Da esquerda para a direita temos: Homero Santos (flauta), Wenceslau Czap (violino), segundo relatos, Wenceslau era um grande músico, tocava vários instrumentos musicais e era compositor. Na sequência ainda, João de Brito, vulgo João Pontaria (clarinete), José Shen (trombone), Juca Ford (cavaquinho), João Bientinez (violão), Arnoldo Fisher da Silva (violão) e Pedro da Bateria (bateria). Todos os oito músicos vestem terno e nenhum deles usa chapéu. Na bateria o nome da banda: “Record Jazz-Band”. As outras duas pessoas que aparecem na fotografia original não foram identificadas. Provavelmente a fotografia é da década de 1930 e não sabemos da autoria da mesma.

Em 1940 José Shen foi com a família para Campo Mourão. Seu trabalho em prol da cultura local ficará guardado na memória coletiva como de alguém que encantou muitos ouvidos. No entanto, a fotografia lança um desafio ao historiador*: Como chegar ao que não foi revelado pelo olhar fotográfico? Como ultrapassar a superfície da mensagem fotográfica que não pode ser interpretada através dos outros sentidos como o da audição e do olfato?

*Arquivo Histórico Casa da Memória Padre Bauer.

*MAUAD, Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e História Interfaces. Rio de Janeiro, 1996.

Últimos posts por Hilda Jocele Digner (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Max Wolf Filho: a última fotografia do herói
Guilherme Kantor e o transporte coletivo em São Mateus do Sul
Rio Iguaçu: a fotografia poética