Segurar uma fotografia antiga nas mãos é como segurar o passado, mesmo que por uma fração de segundo. Alguns objetos seguram o tempo. O que pode significar o passado para nós? As pessoas olham para trás por várias razões, mas uma é comum a todos: a necessidade de adquirir um sentido do eu. Nas fotografias que temos sobre o reservatório de água de São Mateus do Sul, em forma de cuia de chimarrão, a obra apresenta-se na maioria das vezes em uma imagem majestosa e imponente. Ela nos observa do alto da cidade, nos seus 23 metros de altura… pertinho do céu. E é assim mesmo que nós a vemos. A imagem não fala por si só; é necessário que as perguntas sejam feitas. Então, olhando para essas fotografias, que não são as fotos da “cuia” que estamos acostumados a ver, perguntamos: quem construiu a “cuia”?

As fotografias originais fazem parte de uma coleção que pertence à Sanepar e foram feitas por João Glosik. Elas mostram respectivamente os trabalhadores em uma foto externa com uma estrutura rústica em madeira, utilizada na construção civil e na outra, a base da estrutura ainda no início. Desde o engenheiro, até os trabalhadores que literalmente colocaram a mão na massa, as imagens são um registro, um documento da construção da obra. A construção teve início no ano de 1967 e foi inaugurada em 1968. Ela foi construída pelo poder público através da empresa CESBE S/A-Engenharia e Empreendimentos para a Sanepar, dentro do sistema de abastecimento de água da cidade de São Mateus do Sul. O conjunto da obra compõe-se de uma casa de bombas, um reservatório enterrado com capacidade para 1250 metros cúbicos de água e um reservatório elevado com capacidade de 160 metros cúbicos.

O conjunto da obra foi projetado pelo engenheiro Gerhard Leo LinzMeyer, que estudou na infância pintura e desenho, com o filho de Alfredo Andersen e também Arquitetura na Alemanha. Os trabalhadores que levantaram essa obra, foram profissionais de São Mateus do Sul. O Mestre de Obras, segundo nos informou senhor Irio Janoski, foi Pedro Janoski (pai do sr. Irio). O mesmo era são-mateuense e trabalhou em várias obras como na construção da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), entre outras. São 10 homens que aparecem na primeira foto, alguns foram identificados. Sendo eles: da esquerda para a direita, na base da fotografia, o segundo homem com chapéu é Afonso Grose. O quarto homem dessa sequência é Edmundo Starosta, sem chapéu. O quinto homem é Pedro Janoski, que está com a mão no bolso, usa chapéu. Depois temos Leonardo Gelinski e abaixo, sozinho, temos Vicente Budzinski. A maioria desses profissionais que trabalharam nessa construção eram descendentes de poloneses. Nas fotografias escolhidas é possível compreender que existe em toda obra um trabalho que é idealizado antes, durante, até o resultado final que chegou até nós. Juntamente com os demais descendentes de outras etnias, elegeram a “cuia” como símbolo da cultura são-mateuense (escolhida pela população em 2001). Através dessas mãos que ergueram a obra, percebe-se o sentido da perfeita fusão cultural e afetiva dos imigrantes, com a nativa erva-mate.

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