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Francisco Augusto Caminski: uma vida marcada pela dedicação à comunidade

Na noite de segunda-feira (2), aos 82 anos, Caminski faleceu em casa. Ele que era uma das figuras mais ativas e dinâmicas de sua história, vinha enfrentando vários problemas de saúde. (Foto: Reprodução/Facebook)

Há pessoas que acreditam na capacidade de mudança a partir do trabalho em sociedade. Para felicidade dos são-mateuenses, Francisco Augusto Caminski foi uma dessas pessoas. Por toda a sua vida, ele se dedicou com afinco a atividades em prol da nossa cidade. Da mesma forma, sempre que possível fazia questão de agradecer e homenagear aqueles com quem trabalhava.

Como professor, ele buscava incentivar seus aprendizes a trilharem um caminho de sucesso por meio da educação. “Lembro das conversas sempre muito entusiasmadas sobre a importância da educação na vida das pessoas. Ele sempre falava sobre isso nas aulas, de como devíamos continuar estudando para ter uma profissão e fazer do país um lugar melhor. Mesmo depois que terminei o segundo grau e voltava a passeio para São Mateus, sempre o encontrava na Iguavei e ele perguntava como estavam os estudos. Eu notava que ele ficava sempre muito feliz com cada vitória conquistada”, recorda-se Simone Teleginski Ferraz, aluna dele no final dos anos 80.

Professor, vereador, braspolino, empresário, rotariano, presidente do Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes, entre outras tantas iniciativas. Um vasto currículo sempre marcado pela doação a causas sociais e culturais.

Em 10 de outubro de 2015, Caminski concedeu uma entrevista ao jornalista Eduardo Covalesky Dias para colaborar com o trabalho resgate da história do Grupo Karolinka. Na ocasião, ele lembrou dos primeiros movimentos em prol da valorização da cultura polonesa em São Mateus do Sul, da qual ele sempre foi admirador e entusiasta.

A celebração do Centenário da Imigração Polonesa no Paraná, em 1º de maio de 1971, foi o pontapé inicial. “Eu fiquei pasmo, quando eu, da terceira geração de colonos, nunca tinha visto pessoas colonas com as mãos calejadas tocando violino, rabecão, clarinete e o bumbo deles. Daí pensei ‘meu Deus do céu, o que nós fizemos por essa gente?’ Nada”, refletia Caminski, lembrando das motivações iniciais para trabalhar pelo resgate da cultura dos antepassados.

O fato de ter nascido em 26 de agosto, data em que é celebrado o dia de Nossa Senhora de Czestochowa, era para ele motivo de muito orgulho: “A gente não sabia na Polônia que dia era comemorado o dia da Santa. Eu cheguei na Igreja Perpétuo Socorro e perguntei para o padre que dia era comemorado o dia da Padroeira. Ele pegou um livrinho, começou a folhear, parou, olhou e disse: ‘sabe, seu Caminski, é dia 26 de agosto’. Eu tive que me segurar em alguma coisa para sentar, porque eu nasci nesse dia”. Essa mesma devoção, capaz de emocioná-lo pela coincidência da data, também o moveu na busca constante da renovação da fé à santa padroeira da Polônia.

Em 1991, ele esteve entre os fundadores da Braspol em São Mateus do Sul. Participou ativamente das reuniões e festividades ano após ano deste então. Foi também um dos responsáveis por levar a música polonesa para a programação das rádios locais.

Tanta dedicação, deixou um legado importante para todos que com ele conviveram. “Eu tive o grande privilégio de trabalhar junto com este grande ser humano em muitas ocasiões”, destaca Evaldo Drabeski, companheiro em muitos projetos desenvolvidos. “Desde a época da fundação da Braspol, em 1991, comecei a participar junto com ele das atividades desenvolvidas em prol do resgate das tradições polonesas. Depois veio o programa polonês na rádio Cultura FM, onde trabalhamos por alguns anos. Lembro também de várias vezes que fomos na Gazeta do Povo e no antigo Canal 12 para divulgar os eventos realizados em nosso município. Quantas visitas fizemos juntos ao Consulado Polonês! O Sr. Caminski sempre gostava de convidar mais pessoas para irem juntos nestas ocasiões, sempre que precisava de apoio ele batia aqui em casa. Era um grande ser humano que gostava de compartilhar as coisas com os outros”, recorda-se Evaldo.

Caminski também foi um dos idealizadores da criação do Karolinka e acompanhou de perto toda a trajetória do grupo. “Dono de uma integridade moral única, sempre o tive como âncora para tomada de decisões, pois ele, com toda sua experiência e sabedoria, sempre tinha soluções para os problemas e metas para alcançarmos”, recorda-se Irio Janoski, coordenador do Karolinka. “Perdi as contas de quantas vezes ele ‘deu uma passadinha’ nos ensaios para ver nossas crianças e jovens dançando no grupo que ele ajudou a fundar e de que tanto se orgulhava. Sempre com muito respeito e educação, pedia licença ao coreógrafo para conversar com pessoal, e geralmente suas palavras eram cheias de motivação e elogio”, complementa.

Tanta dedicação deixou um legado importante na história de nosso município. Muitas das iniciativas culturais que vemos hoje tiveram sua participação. “O sr. Augusto Caminski foi um grande batalhador pelas atividades culturais do nosso município e com certeza vai fazer muita falta e também deixar muita saudade entre nós”, complementa Evaldo.

Uma das suas últimas contribuições foi na organização do II Encontro Regional de Tropeiros, realizado em São Mateus do Sul, entre os dias 7 e 14 de fevereiro.

O devoto orgulhoso de ter nascido no dia da padroeira e rainha da Polônia, faleceu no dia 2 de maio, data em que se celebra o Dia da Bandeira na Polônia.

Texto de Larissa Drabeski, com depoimentos e colaboração de Evaldo Drabeski e Eduardo Covalesky.
Redação

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