(Imagem Ilustrativa)

Depois de ler uma postagem de um amigo que afirmava que a “Geração de Ferro” estava morrendo, voltei no tempo, para o início dos anos 1980, período em que frequentei meu curso superior. Lembro que alguns chamavam a minha geração de “Geração Perdida”. O termo coincidia com o adotado pelo momento de crise pelo qual as economias do mundo, principalmente as da América Latina, passavam por grandes dificuldades, em parte causada pelo grande endividamento. Havíamos, no Brasil, passado pelo período dos governos militares, pelas crises do petróleo em 1973 e 1979. O processo inflacionário corroía o poder de compra dos brasileiros. O país tentava encontrar uma nova identidade, novas forças políticas, uma forma de voltar a prosperar. Como não encontrávamos, tínhamos então uma “Década perdida”, uma geração perdida.

Imagine que você é um pai e diga ao seu filho que ele não tem jeito, que está “perdido”. Onde ele encontraria base para uma retomada, para o seu desenvolvimento e autoconfiança? Foi disso que tentaram nos convencer. Não nossos pais, mas aqueles que detinham o poder. Então, velhos políticos continuavam dominando tudo, porque os mais jovens precisavam ser “bloqueados” na sua capacidade de liderar, de governar.

Então, pesquisei os termos “geração perdida” no Google e percebi que ao longo da história, em todo o mundo, taxaram gerações de “perdidas”, tanto em aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais, por exemplo.

Geralmente, as tais gerações perdidas surgiam depois de uma crise econômica, de grandes catástrofes ou eventos impactantes como guerras e revoluções.

Agora, dizem, corremos o risco de perder mais uma geração, por conta do advento da crise econômica de 2008 e demais fatos ocorridos no período, agravados agora pela Covid 19.

Um dos textos que li era intitulado “Quando os filhos vivem pior do que os pais”, publicado na página do Jornal El País em março de 2017. O artigo afirmava que ”o maior desafio das democracias maduras depois dos anos de crise econômica é restaurar o contrato social entre gerações”.

Já estávamos vivenciando, mundialmente, um momento em que os jovens têm dificuldade de se colocar no mercado de trabalho, mesmo tendo oportunidades de aprendizado que gerações passadas não tiveram. Muitos já chegando próximo da casa dos trinta anos voltam a recorrer à casa dos pais para apoio. Outros trocam de países, aceitando empregos que requerem menor qualificação e consequente menor remuneração para que possam sobreviver. Alguns, ainda, buscam formas alternativas de vida e trabalho que lhes permita viajar, obter novas experiências.

Uma canção que cita este conflito de gerações é a de Belchior. Lançada em 1976 na voz de Elis Regina, trazia uma crítica aos jovens, aparentemente acomodados, que agiam como as gerações passadas. Vejam que na canção, a crítica era em viver da mesma forma que os pais, sem reagir. O artigo do El País, que citei acima expõe a ideia de que hoje os filhos vivem pior do que seus pais, sob aspectos de riqueza e oportunidades. Então, concordo com o autor do artigo de que precisamos de um novo contrato social entre as gerações, para que possamos construir um mundo melhor para todos as gerações que ocupam o planeta neste momento.

O momento é agora, nesta transição da crise causada pelo Coronavírus. Problemas econômicos, defasagem no aprendizado, número menor de oportunidades, doenças psicológicas acentuadas. Se nada fizermos, aumenta o risco de agitações sociais.

Para nós, que não somos mais jovens, continua o trabalho, a missão de ajudar a preparar um mundo melhor para os nossos filhos e netos. Quem sabe com isso consigamos também um mundo melhor para viver a nossa velhice, caso tenhamos este privilégio.

Para finalizar, embora pudéssemos ter feito melhor, minha geração não se perdeu. Erramos em várias escolhas, principalmente nas opções que fizemos quando escolhemos quem nos governar.

Adnelson Borges de Campos
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