Conhecido por São Mateus do Sul pelo resgate histórico do município, o escritor e autor das colunas Histórias de Terra e Céu e Histórias em Prosa e Verso assume importante cargo em uma refinaria no Rio Grande do Sul.

Nova missão

Gerson mudou-se para o Rio Grande do Sul em junho de 2019. (Acervo Pessoal)

A Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) apresentou, na manhã desta quarta-feira (17), em coletiva de imprensa, o seu novo superintendente. Gerson Cesar Souza foi apresentado em um café da manhã na própria empresa, em Rio Grande. O administrador substitui Hamilton Romanato Ribeiro, engenheiro que esteve oito anos no cargo. Gerson afirmou que a ideia é dar continuidade ao trabalho de gestão e tornar a refinaria cada vez mais competitiva na venda de combustível no Rio Grande do Sul.

Na sua fala inicial, Souza destacou o projeto Operar Seguro, que trata de uma série de normas de conduta e de segurança para todas as pessoas que trabalham ou visitam a empresa. Antes de acessar as dependências da refinaria, todos os visitantes são levados a uma sala onde é apresentado um vídeo com as normas. “Não tem produção sem segurança. Operar seguro e com rentabilidade é o nosso foco”, afirmou. Hoje o litro da gasolina sai da refinaria a um preço de R$ 1,70. Se, na semana passada, o levantamento de preços pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) apontava em Pelotas uma média de R$ 4,70, Gerson defende que o alto preço é consequência de outros impostos, que recaem sobre quem vende combustível. “O preço praticado na refinaria é equiparado aos preços internacionais”, argumentou.

A produção mensal de cem mil metros cúbicos de produtos como óleo diesel, gasolina e solventes leves, visa mercados além de Pelotas e Rio Grande. “Hoje nossa capacidade supera e estamos expandido para mais regiões”, disse, numa comparação com os preços praticados na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas. A intenção, neste momento, não é expandir a produção, e sim qualificar os produtos vendidos pela refinaria. Hoje a empresa conta com cerca de 300 funcionários.

Perfil

Gerson tem 46 anos, é natural de Porto Alegre e é formado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui pós-graduação em Responsabilidade Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e imersão em Negociação e Tomada de Decisão pela Harvard Business School.

Souza trabalhou 17 anos na Petrobras como gestor em várias áreas. Atuou na gerência do processo de reno, petroquímica e gás-química na sede da empresa, além de ter gerenciado refinarias. No último período, Gerson Souza era diretor-presidente da Araucária Nitrogenados, também ligada à Petrobras e com sede no Paraná.

A Refinaria Riograndense

Fundada em 1933 em Uruguaiana com investidores brasileiros e argentinos, começou a operar no dia 7 de setembro de 1937 na cidade de Rio Grande, como Ipiranga S/A Companhia Brasileira de Petróleo, juntamente com investidores uruguaios. Em março de 2007, o controle acionário das empresas de petróleo Ipiranga foi vendido e a refinaria adquirida pelas empresas Petrobras, Ultrapar e Braskem, passando a se chamar Refinaria Riograndense. Hoje processa diariamente em torno de 15,4 mil barris de petróleo.

Fonte: Roberto Giovanaz/Diário Popular

Uma singela homenagem…

Por mais que tentássemos retribuir, demostrando nossa gratidão, ainda assim não seria o suficiente. Portanto restam as palavras, e através delas a linguagem da alma melhor traduz o que desejamos falar.

E para os que ficam, neste até breve buscamos conforto. Ao fundo, está audível o apito do vapor, as águas serenas embalam os novos sonhos, e tu que aos poucos vai passando, entende que é chegado a hora, quando então soa um dizer: “esta terra não é pra nós”. Sopra o vento, palavras assumem formas, e o sentimento revela-se ao papel.

Muitas das vezes não nos damos conta do quão importante é compreender o momento, seja em uma conversa, em uma palestra, uma reunião, um chimarrão. Passaremos toda uma vida e isso é um sopro, é um piscar de olhos, e quando menos esperarmos, e do nada somos obrigados a dizer adeus, até logo.

Ao findar um chimarrão, nos vemos obrigados a interromper a proza. Como bom são-mateuense raiz, dizemos um “tchamanhã”. Era dessa forma a despedida, que ouvia quando criança entre os meus, e as pessoas na minha comunidade. Precisamente no Tijuco Preto, me desculpe a Vargem Grande, mas o Tijuquinho é a comunidade. Cabe até um estudo sobre as expressões, revelam a essência do nosso povo, povo labutador.

Mas hoje em específico estamos aqui para nos despedimos. Para muitos de nós, quem sabe a última prosa, por isso chegamos até aqui. O bom dessa despedida, igualzinho ao tchamanhã, revela que amanhã ou depois nos veremos. Assim como escutaremos o Gerson, e falando apenas seu nome, não precisamos elencar todos seus títulos, feitos e anedotas, sejam formais ou que a vida lhe proporcionou.

São Mateus te abraça, não pela despedida, mas sim porque temos gratidão por ter recebido de ti tantas revelações, tantos fatos esquecidos, seja em prosa, seja em verso, seja pelo bem comum.

Poucos sabem, e isto é mais um motivo porque muitos lhe admiram. Sua preocupação com a cidade, com a política, com a Petrobras, assim podemos chamar de sua segunda mãe. Empresa que além de tornar um profícuo profissional, ocupando cargos como gestor a nível nacional, fez com que sempre lutasse ainda mais por nossa SIX, e sua concreta e definitiva razão de ser em nosso município, hoje lenta e calma silenciada.

Quem diria, o menino conheceu o mundo através de uma biblioteca ainda em sua infância, pelas mãos do eterno Milton na grande Porto Alegre. Sim, a sabedoria e a grandeza brota na humildade que um dia experimentada, reluz e revela homens grandes, que encontram plenitude e razão de ser, com o outro, pelo outro, maneira e comportamento a muito presente em suas ações.

Poderia relatar muitos causos, muitas passadas, neste pouco tempo que desbravamos os mistérios, da história de nossa Rainha Bela. Não foram apenas dois minutos, e o que poderia vir? Quanto sonho, quanto trabalho, quanta possibilidade de resgatar tesouros enterrados, quantos moinhos de vento, que mais parecem encrenca de polaco.

Se hoje é pra enaltecer em ti uma virtude, este é o exemplo que compartilho. Muito relutei, teimoso que sou, e com sua paciência, aprendizado grandioso conquistei, quando um belo dia, depois de tanto ouvir meus lamentos, deu-me um prumo. Desolado diante de um erro, a covardia de terceiros por um instante me tirou o chão. Quando pensava em desistir, ora amargurado, ora motivado a reaver o estrago, tu orienta. Os anos passaram, a perseverança deu o tom, o orgulho foi engolido e aquilo que pareceu devastador, aos poucos reparado, voltando ao seu lugar. Ensinaste a superar um vento contrário. Guardarei comigo a fórmula, e assim como dividiu, passarei adiante, pois onde há soma, há resultado.

Por fim, não podemos esquecer aqueles que por muitas vezes te esperam em casa. Com papeis diferentes do Gerson, também elencam as mil e uma proezas. Te olham neste momento: Marcia, Pedro, Bele, vô Pedro, pequeno grande Milton, que nos olha do alto, e quanta sabedoria. Todos estes são seu porto seguro, dizem muito de ti, não preciso dizer que são seus admiradores de primeira fila.

Sigam a jornada, ficamos nós do lado de cá. O mate verde por lá também há de ter. Não esqueçam, o mate mais verde é daqui, o mesmo que te trouxe até aqui.

E quando sentir que saudade do chima do lado de cá, aprochega. As portas estarão sempre abertas, e os corações jamais lhes esquecerão.

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher” (Cora Coralina).

Sigam na paz, semeadores colhem alegrias, é sua missão.

Texto preparado para a despedida, reconhecimento e gratidão, ao amigo e braspolino Gerson Cesar Souza, durante a sessão da Câmara Municipal de Vereadores, do último dia 17/06.

Redação do jornal Gazeta Informativa

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