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Gerson Cesar Souza: o gaúcho mais são-mateuense que existe

“Nós precisamos viver a nossa vida pronta para ela acabar”, diz Gerson Cesar Souza. (Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

Natural de Porto Alegre – Rio Grande do Sul, Gerson Cesar Souza chegou em São Mateus do Sul no dia 2 de junho de 2003, completamente por acaso. Formado em administração e técnico em química, realizou um concurso da Petrobras pensando que seria apenas para a região gaúcha, quando percebeu que era a nível nacional, então foi embora para o Rio de Janeiro com a esposa. Como o intuito era morar em uma cidade pequena no sul do país, Gerson e Márcia procuraram por vagas em cidades com esses quesitos, “como a única vaga na Petrobras que se encaixava nessas condições era São Mateus do Sul, acabamos parando aqui”, comenta.

A persistência é um dos moldes de sua vida, “nasci em uma vila muito pobre em Porto Alegre, éramos em cinco filhos. O meu pai largou os estudos para cuidar da gente e não tinha nem o segundo grau. Depois que criou os filhos ele disse ‘vou estudar, vou ser jornalista!’. Eu estava entrando na faculdade, ele fez o vestibular e passou pra jornalismo também, mas antes tentou, tentou e tentou, então conseguiu passar em uma faculdade pública. Também lembro que a gente ia pra faculdade juntos de kombi, porque ele trabalhava entregando pão e doce, e entre uma aula e outra a gente enchia a kombi de pão e doce pra vender, e voltava nas aulas. O meu pai foi a figura da persistência e da determinação, e isso passou pra gente”. Com esse exemplo fortemente presente em sua família, Gerson se inspira cada vez mais em sua vida.

Gerson abre as portas da sua casa para a Gazeta Informativa. Nas fotos, ele mostra seus telescópios, dois meteoritos, um do Deserto do Saara e outro da Argentina que estão no seu acervo astronômico e sua sala de troféus e medalhas.

Pai, historiador, poeta, astrônomo amador, escritor, catequista, ator, colunista da Gazeta Informativa e gremista com orgulho, Gerson considera-se um homem um tanto quanto hiperativo, “eu não consigo ficar parado!”, assume. Mesmo realizando todas essas atividades com grande êxito, um dos maiores orgulhos da sua vida é a paixão pela produção literária. Com 13 anos ganhou seu primeiro prêmio em um concurso de poesia, que com toda certeza aguçou ainda mais seu fascínio pela escrita, que rendeu a publicação de quatro livros: Mochila de Versos (2001); Dons DiVersos (2012); A Estrela de Jacó (2014) e O Imortal Coronel Bodziak (2016).

“A leitura ela é fundamental e é preciso que os pais façam os filhos frequentarem um ambiente assim, com livros, gibis, seja como for. Ela nos permite conhecer um vocabulário diferenciado. Cria na criança uma capacidade de enxergar um mundo de maneira diferente, de ver outras vidas.” Além desse apoio, Gerson incentiva a produção na escrita. “O escrever é tu usar o que aprendeu na leitura, e é isso que vai desenvolver a capacidade de se comunicar e de entender o que o outro está dizendo”, fala o escritor.

Já o amor pela astronomia surgiu desde pequeno, depois que os pais dormiam, Gerson fugia para o pátio de sua casa em Porto Alegre para olhar as estrelas, com isso se interessou ainda mais pela dimensão cósmica, e com 12 anos realizou seu primeiro estudo na área, posteriormente formou-se em cursos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e cursos complementares no Observatório Nacional. Instigado com a construção de um telescópio, o astrônomo amador transformou em sonho e desafio próprio a construção de um, e com 37 anos construiu seu primeiro telescópio, “uma coisa é tu comprar algo pronto, outra é tu entender como funciona no detalhe para conseguir construir”, diz.

Mas o que muitas pessoas se perguntam é: como que um homem natural do Rio Grande do Sul conhece tanto de São Mateus do Sul? E a resposta tem forte ligação com a astronomia. Em 2008, Gerson foi convidado para escrever uma peça de teatro para os 100 anos do município, e entre uma pesquisa, um achado e outro, acabou descobrindo a história de um padre astrônomo na Água Branca. “Isso me fisgou! Descobrir que em 1896, um padre parava a missa para dar aula de astronomia para os colonos me deixou fascinado!”. Com essa descoberta, o historiador começou uma busca na comunidade sobre mais informações, conversando com pessoas e explorando em jornais antigos. Ele acabou percebendo que havia um material grande sobre o assunto, e em 2014 publicou a Estrela de Jacó, que conta a história deste padre.

Depois disso, muitas pessoas começaram a perguntar sobre mais histórias de assuntos diferentes do município, conduzindo o historiador à procura de mais descobertas, que fazem com que Gerson Cesar Souza seja um nome reverenciado no resgate da cultura são-mateuense. “A história da cidade é apaixonante, aqui em São Mateus do Sul ela tem muitas variáveis, tem erva-mate, tem a colonização polonesa, tem a navegação a vapor, tem o xisto, e a gente em muito tempo não preservou essas histórias”, manifesta.

Gerson é autor da coluna “Histórias de Terra e Céu” do Jornal Gazeta Informativa, que tem como principal objetivo resgatar e contar histórias relevantes e que estão esquecidas no tempo “essa coluna me permite fazer o que amo, que é escrever, mas ao mesmo tempo ela me desafia, porque escrever algo novo toda semana é um desafio”, comenta.

Por ser o único jornal impresso da cidade, ele também ressalta a importância do jornal físico para a história de São Mateus do Sul. “A Gazeta está escrevendo a história da cidade de hoje, e consegue juntar a beleza gráfica com conteúdo de alta qualidade.”

Casado com Márcia, sua paixão da adolescência há 15 anos, pai do Pedro de nove anos e de Isabelle de sete, tem a família como base para alcançar todos os seus objetivos. Atualmente Gerson trabalha na área de processos de refino na Petrobras do Rio de Janeiro, e vem para São Mateus do Sul todo final de semana.

E uma das frases de inspiração para toda essa vontade de ir atrás de todos os princípios positivos da vida, Gerson cita: “Quem não vive pra servir, não serve pra viver!”

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