Educação e Cultura

Greve é suspensa e alunos voltam às aulas em São Mateus do Sul

(Foto: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

Professores e funcionários da educação pública do Paraná, depois de muito tempo parados, decidiram, em assembleia, no Estádio da Vila Capanema, em Curitiba (PR), na manhã da última terça-feira, 09, terminar a greve. Aproximadamente 10 mil servidores lotaram o estádio para a votação.

Em São Mateus do Sul, as escolas e colégios que definiram pelo retorno nesta quarta-feira, 10, de acordo com a professora e Diretora de Assuntos Municipais da Diretoria Regional da APP-Sindicato de União da Vitória, Patrícia Jonson, foram: Colégio Estadual do Campo do Lajeado, Colégio Estadual Profª Orlanda Distéfani Santos, Escola Estadual do Campo Anselmo Follador, Colégio Estadual Duque de Caxias, Casa Familiar Rural, CEEBJA, APAE, Colégio Estadual São Mateus, Colégio Estadual Profª Zuleide Samways Portes, Colégios Estadual Prof. Paulo Stencel. As diretoras do Colégio Estadual do Campo Prof. Eugênio de Almeida e do Colégio Estadual do Campo Turvo definiram o retorno para quinta-feira, 11, a fim de se reunirem com os profissionais da educação para (re)organizarem o trabalho pedagógico e administrativo.

De acordo com a diretora do Colégio Estadual São Mateus, Telma Staniszewski, ainda estão analisando como será feito a reposição das aulas. “Estamos analisando com a equipe pedagógica, mas tudo indica que as reposições do período matutino e vespertino, faremos em contraturno (rodízio) e o período noturno aos sábados. Visto que 80% são trabalhadores e não podem em contraturno. Usaremos também a semana de férias de julho com horário especial (somente com os professores que estavam em greve)”, relata.

Telma ressalta que cada unidade ficará responsável por elaborar seu próprio calendário de reposição. “Pois, cada unidade conduziu de forma diferenciada de acordo com o número de professores em greve. Aqui em nossa cidade tivemos escolas funcionando parcialmente enquanto que outras fechadas na totalidade.

De acordo com Telma, os alunos não serão prejudicados, pois haverá a reposição pedagógica na sua totalidade. “Com certeza todos farão o máximo possível para que nossos alunos tenham suas aulas de forma qualitativa.

Telma diz que o maior desafio será elaborar um calendário de reposição respeitando a disponibilidade de cada professor, pois muitos trabalham em diferentes escolas e atender a disponibilidade do aluno também.

“Os pais e alunos devem ficar tranquilos! Iremos com certeza terminar o ano letivo ainda esse ano e com qualidade. Pedimos obviamente o apoio de compreensão dos pais no sentido de estarem cobrando que seus filhos também revise as matérias em casa, e que faltem o menos possível durante as aulas. Pedimos também auxílio em relação as reposições que bem provável em nosso caso ocorreram em contraturno (1 ou 2 vezes na semana) com horários especiais, com os professores que estavam em greve. Ressalto que além de diretora também sou mãe de aluno e que mantive meu filho estudando aqui, porque acredito que teremos uma reposição qualitativa e que concluiremos esse ano letivo com êxito. Tão logo o calendário nosso de reposição vai estar pronto, então disponibilizaremos aos pais e alunos para que possam se organizar”, finaliza Telma.

Como ocorreu a suspensão da greve?

Patrícia Jonson conta que no dia 09 de junho, aconteceu a Assembleia da categoria dos profissionais da educação básica estadual, na Vila Capanema, às 8h. “Durante as semanas que antecederam a Assembleia, a categoria sofreu várias ameaças, por parte do governador Beto Richa, através da Secretaria de Estado da Educação, como, lançamento de faltas, descontos nos salários, punição para diretores e diretoras que tivessem aderido ou incentivado a greve, demissão dos PSS que aderiram ao movimento. É lógico que isso enfraqueceu o movimento e diminuiu a adesão, pois, os grevistas acabaram cedendo ao assédio moral feito e retornaram para as escolas e colégios, mesmo com a garantia de que tais punições não poderiam ocorrer, tendo em vista que nosso recurso na justiça ainda não havia sido julgado, portanto, a greve não era abusiva ou ilegal. Para complicar um pouco mais a situação do movimento, na última semana o governador entrou com um pedido judicial de bloqueio do dinheiro do sindicato, um valor aproximado de R$1,4 milhão, para garantir o pagamento, referente à multa do sindicato por desrespeito a decisão judicial de retorno imediato das aulas, que havia sido proferida pelo desembargador Luiz Mateus de Lima. Essa iniciativa por parte do governador foi uma artimanha para desarticular o movimento, tendo em vista que, ao se apropriar dessa quantia o Estado praticamente inviabilizaria qualquer mobilização por parte da categoria, pois, o sindicato perderia sua capacidade financeira para produção de material, visita nas escolas e colégios, fretamento de ônibus para as Assembleias e outras atividades que porventura fossem articuladas pelo sindicato. Houve, também, um empenho por parte dos deputados e das deputadas da base governista e dos deputados da oposição para a construção de uma proposta de reajuste que, fosse possível ser negociada com o governador e com o Secretário da Fazenda. Chegou-se a uma proposta que nem de longe atende nossas expectativas, mas é a que, causa menor perda de massa salarial, com uma reorganização do reajuste até 2017. Foram colocadas mais algumas reivindicações, como a retirada do artigo 6 da proposta encaminhada pelo governador que fazia referência ao Piso Nacional do Magistério e provocava o achatamento dos nossos salários, retirada a frase que vinculava o reajuste a possibilidade financeira do Estado. Convém destacar que o empenho dos deputados e deputados em mediar uma negociação entre a APPSindicato e o governo foi na realidade uma estratégia para que ocorra um recuo da nossa parte com relação ao assédio que eles e elas vem sofrendo em suas regiões e principalmente nas suas cidades. Essas ações, inclusive, atingem os familiares que se sentem constrangidos com nossa presença e com nossas palavras de ordem”, conta.

Diante desses fatos, Patrícia Jonson diz que o Comando de Greve indicou o dia 09/06 para a realização da Assembleia a fim de avaliar a proposta de reajuste e realizar uma análise da conjuntura atual para definirem a continuidade ou não da greve.

Segundo Patrícia Jonson, na segunda-feira, dia 08/06, o Professor Hermes, Presidente da APPSindicato e a Professora Ana Seres, Secretária de Educação, se reuniram para construir um documento orientando os 29 Núcleos Regionais de Educação (NRE’s) quanto ao não lançamento das faltas, a retirada dos processos contra diretores e diretoras de escolas e colégios, orientação sobre o não encerramento de contratos dos PSS, e a Casa Civil também se pronunciou quanto a retirada em até 120 dias da ação declaratória de abusividade de greve e reafirmou a abertura de mesa de negociação específica para discutir todos os temas relativos à educação básica.

Diante disso, Patrícia Jonson relata que na reunião do Comando de Greve, após os debates, saiu a seguinte proposta de indicativo: suspensão da greve, a qual teve o apoio da ampla maioria dos Núcleos Sindicais da APPSindicato. “Apenas 3 Núcleos Sindicais se posicionaram favoráveis a continuidade da greve. Um grupo de aproximadamente 35 educadores e educadoras de São Mateus do Sul e Antonio Olinto estiveram presente na Assembleia, e votaram a favor da suspensão da greve por entender que uma demora maior em retornar poderia sim, prejudicar os/as estudantes e nosso senso de responsabilidade não nos permitiria causar nenhum prejuízo aos nossos educandos e as suas famílias. Aguentamos até onde foi possível. Nosso voto pela suspensão se deu em virtude, também, de entendermos que com este governo neoliberal, que é a ideologia que norteia o PSDB, a qual defende a precarização do serviço público, a implantação das parcerias pública privada, ou seja, o Estado constrói grandes e importantes obras e depois entrega, através da privatização, para o serviço privado que vai cobrar por aquilo que foi construído com dinheiro dos impostos e empréstimos, os quais são pagos pelo povo, nós não conseguiríamos alcançar uma proposta integral daquilo que a Lei da Data Base nos garante, que é a reposição da inflação (8,17%) referente às perdas salariais acumuladas nos últimos 12 meses”, diz Patrícia Jonson.

Na última quarta-feira, dia 10 de junho, a APPSindicato se reuniu com a Secretária de Educação para a elaboração do calendário de reposição. “Até que se chegue num acordo satisfatório para todos os envolvido não temos como adiantar a forma como se dará a reposição. Toda a informação que não vem da APPSindicato ou da SEED é pura especulação. O que podemos garantir é que, os educadores grevistas, tem o compromisso moral e ético de dar toda a assistência aos/as educandos/as, de modo que todo conteúdo seja ensinado e avaliado com qualidade e tranquilidade. O que precisamos lembrar é que nossos/as estudantes do Ensino Médio, por exemplo, já vem de um período de 8 anos de caminhada escolar, sendo assim, uma boa parte dos conteúdos trabalhados se constituem numa revisão mais aprofundada do que já foi ensinado, por isso é impossível pensar em perdas quanto ao conteúdo, além disso teremos a reposição dos dias em que as aulas foram suspensas devido a greve, portanto teremos tempo para abordar todos os conteúdos. No caso do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) haverá tempo suficiente, devido à reposição, para que todos os conteúdos sejam ensinados com qualidade. Queremos tranquilizar as famílias que estão apreensivas quanto ao retorno, pois vamos nos empenhar, para que seus filhos e filhas não tenham prejuízos pedagógicos. Dentro de alguns dias já teremos a definição oficial do calendário de reposição e quaisquer dúvidas nos procurem nas escolas e colégios para os esclarecimentos que se fizerem necessários”, conclui Patrícia Jonson.

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