Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Gruta Nossa Senhora da Conceição: uma parte da rica história triunfense

A riqueza histórica e cultura da cidade de São João do Triunfo tem na Gruta passagem obrigatória, tanto por ser cartão postal do município quanto pelo chamamento e magia que envolve o complexo religioso-cultural. (Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

O nome da cidade nasce da ligação entre o morador local, João Nunes de Souza, e a vitória brasileira frente ao Paraguai (não na Arena Paulista semana retrasada e sim na Guerra Latino Americana). Disso, após a doação de um terreno pelo mecenas da localidade ao cemitério Rio da Várzea, a junção somada: Vila de São João do Triunfo, um pouco depois da metade do século XIX (1864).

A pesquisa ao livro Tombo do Curato, tendo na Igreja de madeira sob alicerce de pedra, construída entre 1882 e 1883 a sede paroquial, permite esse passeio pela história, somada aos apontamentos espetaculares e pontuais do escritor triunfense Celso Kasprzak.

Em especial na obra: ‘Minha Terra, Meu Triunfo!’ (2015). Sendo esse redator literário o colaborador central dessas informações sobre o município e seu cartão postal: Gruta Nossa Senhora da Conceição. Triunfante e cartão postal do município.

No princípio se fez…

Na abertura da última década do século (1890), a Vila, nesse período denominada de Freguesia, é emancipada de Palmeiras, tendo como partes componentes territoriais: São Mateus do Sul, Mallet e outras cidades da região, nessa época.

A divisa municipal iniciava na foz do Rio Lageado Liso (no Iguaçu) até a cabeceira, em linha reta até o traçado Rebouças. Dali até o Faxinal dos Mineiros em direção reta até o braço de afluente do Rio Bituva. A partir dali rumo a Serra da Esperança até o Rio Iguaçu, retornado ao traçado inicial.

Enfim, quase imensurável, mas teoricamente, acoplado desde a divisa com a União da Vitória e Guarapuava, de um lado, e Ponta Grossa e Palmeira mais a sudoeste e norte, com o Rio Iguaçu separando do Estado de Santa Catarina. Bem difícil tentar mentalizar esse suposto ‘mapa’ projetado de forma bem superficial e o amplo território do novo município paranaense criado.

Igreja, paróquia e Gruta

Para se ter ideia da grandeza histórica de Triunfo, em 1896 a 1ª crisma foi ministrada simplesmente por dom José de Camargo Barros, 1º bispo da recém criada Diocese de Curitiba (nomeado em 1894, dois anos após o desmembramento religioso de São Paulo).

Nos últimos meses do século, quase adentrando à virada, em 09 de junho de 1900, também, a Vila de São João do Triunfo tem constituído seu Curato, desmembrado de Palmeira. Isso consta na descrição do Livro Tombo, feito pelo 1º pároco – padre José Shimidt. Coordenador da então criada paróquia.

Os próximos anos servem para a conclusão da Igreja Matriz e seus espaços periféricos e internos, como as obras sacras, provenientes da Áustria, para compor o interior do templo. Já na 2ª década do século XX (08/12/1921) a comunidade inaugura sua Gruta, situada dentro da propriedade eclesiástica.

História, escritor e construção

Celso Kasprzak é natural de São João do Triunfo, onde reside na atualidade. É autor dos livros: ‘Pensamentos – Mensagens de Fé e Esperança’ (2003), ‘Pensamentos para o dia a dia’ (2011), ‘Erva-mate: resgate histórico e perspectiva atual’ (2014), ‘Minha Terra, Meu Triunfo!’ (2015) e ‘Pensamentos – Mensagens de paz e bem)’ (2015).

O curso natural, para escrever uma reportagem sobre a Gruta Nossa Senhora da Conceição, passa, obrigatoriamente, pelo ilustre escritor. Celso Kasprzak destaca que a fundação é atribuída ao padre Francisco José Weber, nomeado vigário da Paróquia de São João do Triunfo, em 1919.

“Segundo a história, após cumprir com suas obrigações diárias na paróquia, o padre costumava desaparecer, sem que ninguém soubesse do seu paradeiro. Fato, este, que ocorreu durante mais ou menos um ano, até que um dia um caçador encontrou o padre Francisco, em mangas de camisa, trabalhando no local, que, mesmo ficando nas proximidades do centro, era puro sertão”, relata o escritor.

“O caçador ficou admirado com o que estava vendo, pois o padre já havia feito o desmatamento necessário, bem como os aterros e, as grutas (esculpidas nos paredões de arenito) estavam praticamente prontas. Devo destacar que, na época, essa região era conhecida por ‘Cascata’”, completa Celso.

Acesso à obra. E milagres

O escritor explica que, ao saber da obra, em meio à mata ‘escondida’, o povo recorreu ao Poder Público, pedindo para a prefeitura abrir um acesso até o local. Atualmente nominada em homenagem ao religioso-construtor: Rua Padre Francisco Weber.

Solicitação atendida, e com bônus. “E, em seguida, com autorização da Câmara de Vereadores, o então prefeito José Antonio Distefano transferiu – em doação – o terreno onde se situa a Gruta, para a Paróquia São João Batista”. Quinta-feira, dia 8 de dezembro de 1921, no dia dedicado à Santa, a Gruta Nossa Senhora da Conceição foi inaugurada.

“Idealizada e construída pelo padre Francisco José Weber, que é um exemplo da verdadeira fé cristã. Todas as imagens lá colocadas foram importadas da França. Em pouco tempo, correu a notícia dos milagres acontecidos por obra de Nossa Senhora da Conceição da ‘Cascata’ e do Senhor Bom Jesus; fez com que pessoas das cidades vizinhas visitassem o local, em busca de cura para seus males”, ressalta Celso Kasprzak.

Mais providências. Divinas!

Na verdade, a chamada Gruta Nossa Senhora da Conceição engloba não apenas um espaço e sim um conjunto religioso-histórico cultural. Dentre eles, uma estória se remete à ideia de dimensão da representatividade existente. Contada pelo escritor, colaborador da ‘nossa história’ reportada.

“Com respeito à imagem do Senhor Bom Jesus (em tamanho natural), que fora colocada numa gruta grande (a maior delas), ocorreu o seguinte: depois de alguns anos da inauguração do parque, houve um grande desabamento de terra e pedras sobre a cobertura da referida gruta. Mas, por um milagre a imagem do Senhor Bom Jesus nada sofreu. Sequer saiu do lugar”, aponta Celso Kasprzak.

Para não vacilar, e proteger o objeto sacro, a comunidade popular e o clero decidiram por ofertar ao Senhor Bom Jesus um espaço mais confortável e, de destaque. “Depois deste fato, a imagem foi levada para a Igreja Matriz, onde se encontra até os dias atuais”, acrescenta o escritor triunfense.

Gestão do patrimônio

Na data de 26 de abril de 1990, através da Lei nº 549, houve o tombamento do parque; e, pelo Contrato de Comodato – assinado entre as partes (Prefeitura e Mitra), em novembro de 2007, sua manutenção e preservação passaram a ser de responsabilidade da Prefeitura Municipal.

Dia 08 de dezembro é dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em homenagem à Santa, é realizada, tradicionalmente, uma festa religiosa e comunitária no domingo mais próximo a essa data.

Celso Kasprzak relata que ao longo desses anos 95 anos e quatro meses, o complexo religioso foi espaço de romarias, festivais de música, apresentações teatrais, feira de sementes e feira agropecuária. “A Gruta é o cartão postal da cidade!”, enaltece.

Merece uma selfie

Por mais que não professe a mesma fé, nem tenha a devoção à Nossa Senhora da Imaculada Conceição vale um passeio pela história. A magia do espaço, em meio à mata preservada é um atrativo complementar.

Há de se concordar com o escritor triunfense: o espaço é uma passagem não apenas da história local e paranaense. Mais que isso, um retrato vivo que enumera fatos, descreve atos e preserva a cultura de São João do Triunfo. Vale uma visita e várias fotos! Restaram, ainda, excelentes recordações na memória.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran
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