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Há mais de 50 anos na expectativa da pavimentação da PR-364

O Governador Beto Richa estará em São Mateus do Sul nesta sexta-feira (23), no Clube Ideal Sãomateuense, a partir das 14h30, para a Cerimônia de Assinatura do Edital de Licitação da pavimentação da PR-364. O prefeito municipal, Luiz Adyr Gonçalves Pereira convida toda a população para participar do evento e presenciar mais um importante momento na trajetória histórica que permeia essa obra. (Foto: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

No decorrer dos mais de 50 anos de promessas já vividos, as cidades de São Mateus do Sul que tem 109 anos, e Irati que soma 110, se deparam com a expectativa da pavimentação da Rodovia PR-364, que hoje soma cerca de 50 km. O trecho desta estrada que é denominada como Rodovia Estadual Vereador Miguel Ribeiro Picheth, desde 10 de julho de 2006, de acordo com a Lei nº 15.202/06, é de responsabilidade do governo do estado.

Esses anos de promessas perpetuam até hoje no cotidiano dos mais de 100 mil habitantes de ambas as cidades. O trecho da PR-364 agrega perigo nas más condições de tráfego e deixam o caminho quase que intransitável, tornando as cidades vizinhas quase que desconhecidas entre si.

Vários capítulos movimentaram a história de promessas da pavimentação da PR-364. Os registros mantidos intactos no acervo pessoal do empresário são-mateuense Vitor Romério Nadolny, conservam todos os exemplares de vários jornais da região que documentaram alguma notícia sobre a pavimentação.

Segundo Romério, são cerca de 100 exemplares diferentes que retratam sobre o assunto. O seu primeiro arquivo registrado é de agosto de 1985, do periódico semanário daquela época, de São Mateus do Sul, o jornal Cidade. Esse exemplar traz uma matéria sobre a visita do Secretário de Planejamento do governador José Richa, Otto Bracarense Costa, que veio até o município para conhecer a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) da Petrobras.

Na oportunidade, afirmou desconhecer qualquer repasse financeiro para suprir a demanda da obra prometida em período eleitoral pelo então gestor estadual, mas enfatizou que a Secretaria dos Transportes estava empenhada na questão de asfaltar trechos de estradas paranaenses para melhorar o tráfego dentro do estado.

Apesar de possuir dezenas de jornais que ao longo dos anos retrataram ocasiões sobre a PR-364, Romério comenta que desde 1969 algumas reportagens já vinham dando destaque ao assunto. Ele relembra que seu irmão possuía uma banca de jornais na cidade de Irati, e já mencionava à família que residia em São Mateus do Sul que a obra iria acontecer.

E lá se foram anos, e a angústia insistente em recordar-se de promessas de campanha e de governo toma o velho cidadão são-mateuense, que assim como milhares de outros coirmãos da cidade e do município vizinho, ainda respira os ares da esperança em ver essa obra concluída, para poder aproveitar do direito de percorrer os 50 km em tempo condizente ao trecho que pode ser asfaltado.

Em meio a tantas repercussões de informações que permearam a pavimentação, trazemos à tona histórias de são-mateuenses que possuem particularidades com a rodovia que esteve presente em suas vidas. Um deles é o contador Mario Machado, que completa em 2018, 10 anos de sua formação profissional que está intimamente ligada à PR-364, pois nela, durante 4 anos, enfrentou os perigos de ida e volta diariamente em busca de conhecimento.

“Foram 4 anos difíceis por encarar essa estrada todos os dias. Um caminho que a noite ninguém para. Você pode estar de ponta cabeça e ninguém presta socorro por medo de assaltos”, diz. Machado ressalta que além de nos ligar com uma cidade muito boa como Irati, sem dúvida mais jovens terão a oportunidade de estudar numa universidade espetacular que é a Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro). Ele conta que percorria o trecho em cerca de 1 hora e 30 minutos quando o tempo estava bom, e não ocorriam intercorrências.

Além de unir as cidades e em consequência os munícipes vizinhos, não podemos deixar de pensar nas famílias que residem às margens da rodovia, e mais do que qualquer outra pessoa, possuem o sonho vivo do asfaltamento do trecho que os dará acesso com maior facilidade à zona urbana.

A jovem Carla Daniele Augustiniak, de 26 anos, nos conta que desde seus 14 anos teve de deixar a casa dos pais na comunidade de Papuã para poder dar continuidade aos estudos e por consequência, trabalhar para poder se sustentar. Isso devido às péssimas condições da estrada, pois seus pais moram há alguns quilômetros da zona urbana.

Como vários outros que também seguiram o mesmo exemplo, Carla sofreu e vem sofrendo na pele essa experiência, e relata que não é pessimista ao afirmar que não acredita mais em promessas políticas. Ao longo de sua trajetória de vida, cresceu ouvindo que poderia ficar próxima aos seus familiares com o asfalto tão esperado e sonhado por todos os moradores que ali residem.

“Minha expectativa é que a pavimentação possa acontecer, pois há anos pago aluguel na cidade e isso demanda custos altos. Fico agoniada sabendo que possuo meu terreno e materiais para construção de uma casa, na minha comunidade natal, e não posso realizar estes objetivos pela falta de condições para trafegar todos os dias com carro ou moto. A situação está horrível, e mesmo visitando meus pais apenas nos finais de semana, acumulo pneus furados e veículos quebrados”.

Nesse momento, a jovem aguarda ansiosa a chegada do pequeno Murilo, que em poucos meses poderá, quem sabe, acompanhar o início das obras, já no colo de sua família. Será mais um são-mateuense que nasce e cresce, na expectativa de que o asfalto poderá melhorar a sua qualidade de vida.

Há cerca de um ano, o assunto novamente ganha novos fatos e hoje apresenta a garantia de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor aproximado de R$ 140 milhões.

Nesta sexta-feira, dia 23 de março, o governador Beto Richa estará presente em ambas as cidades para lançar o edital da licitação das obras, e mais uma vez garantir às comunidades de que o sonho persiste.

Alguns aguardam ansiosos e acreditam. Outros duvidam e implicam vários motivos eleitoreiros e de cunho político para a obra mais uma vez não acontecer. De fato, algo é pertinente para ser levado em consideração, pois em mais de 50 anos, segundo relatos e arquivos de informações, jamais essa história teria chegado em tal condições e garantias de efetivação. Resta aguardar.

As relíquias do Romério

Vitor Romério Nadolny, de 60 anos é são-mateuense e dono de um acervo com mais de 100 exemplares de vários jornais de diversas regiões, que retratam a trajetória histórica que cerca a pavimentação da PR-364. Ele ostenta orgulhoso suas “relíquias”, como refere-se a cada um dos jornais. Segundo ele, o jornal mantém a história viva, materializada nas entrelinhas de cada matéria jornalística que traz aos leitores a veracidade dos fatos, sem falar nas imagens que ilustram cada uma delas.

Na semana que marca mais um passo importante para o asfaltamento do trecho entre São Mateus do Sul e Irati, o jornaleiro e historiador por hobby, manifestou sua angústia e perspectiva, numa manifestação artística, cultural e social, na garagem de sua residência no centro da Terra do Mate.

Reunindo boa parte das dezenas de jornais com matérias sobre o assunto, Romério cercou simbolicamente o trecho que liga as cidades no formato de um ponto de interrogação e nas extremidades, simbolizando São Mateus do Sul, a popular cuia e a imagem de Nossa Senhora das Graças, padroeira que representa a cidade vizinha de Irati.

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