Não é só na obra de Carlos Drummond de Andrade que havia uma pedra no meio do caminho. O poema foi interpretado, comentado, criticado, adorado por tanta gente. Fala-se do ritmo, da sonoridade do poema, mantidos mesmo quando declamado em qualquer língua. Vale lembrar que na arte, onde se inclui a poesia, nada precisa ser exato ou explicável. Assim, só o autor poderia nos dizer com certeza o que representa o tão comentado poema. Talvez ele realmente tenha encontrado tal pedra no meio do caminho, a visto com suas “retinas tão fatigadas” e de alguma forma ela tenha impactado sua vida.

Arriscarei falar da pedra no caminho, não somente sobre a que supostamente tenha existido no caminho do poeta, mas daquela que pode ser o obstáculo no caminho de qualquer um de nós.

Cedo, quando eu ainda era um garoto na escola primária, ouvi uma história contada pela professora. Nela havia um rei, com um castelo, um povo e tudo mais que possa existir nas histórias de reis, inclusive um bobo da corte.

Com certa frequência, o rei fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis, pensava o seu povo. Já ele acreditava que nada poderia acontecer de bom para uma nação que só reclamava e esperava que os outros resolvessem seus problemas.

Um dia, o rei com ajuda de seu bobo pôs uma enorme pedra no meio da estrada que passava pelo palácio. Depois, esconderam-se atrás de uma cerca e esperaram para ver o que aconteceria. O bobo ficou preocupado, pois alguém poderia se acidentar com a pedra no meio do caminho, mas o rei insistiu em mantê-la.

O primeiro a passar foi um fazendeiro, que levava sementes para o moinho. Reclamou da inutilidade dos outros, pois os preguiçosos não mandaram tirar a pedra da estrada.

Depois passou um soldado, pensando o quão corajoso seria na guerra. Distraído bateu na pedra e se estatelou no chão, sujando o uniforme. Culpou a pedra e quem a tinha deixado no meio do caminho, afastando-se.

Passou o dia e todos que por ali passaram, resmungaram e amaldiçoaram a pedra e quem a havia deixado lá. Quando a noite já caia, a filha do moleiro, cansada do trabalho no moinho, viu a pedra e pensou que alguém poderia tropeçar e se machucar nela. Empurrou e empurrou a pesada pedra, até que conseguiu afastá-la.

Debaixo da pedra havia uma caixa, também pesada. Na tampa os dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra”. Na caixa havia muito ouro.

Muitas vezes encontramos pedras no caminho, podemos sentar e reclamar ou apenas ignorá-las, mas se retirarmos os obstáculos do nosso caminho e do caminho dos outros e os observarmos com cuidado, quem sabe não encontremos neles um grande tesouro.

Então, como você encara as pedras no seu caminho? Resolve os problemas que surgem, os encara de frente ou senta, reclama, culpa e espera que alguém resolva por você.

Tudo é uma questão de atitude, que pode ser demonstrada em ações simples como manter o seu local de trabalho limpo e organizado ou fazer o que recomenda o ditado popular: “não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”.

Sem as pedras no caminho tudo fica mais fácil, mais seguro e você e as pessoas que conseguir motivar neste sentido, podem tornar as tarefas menos complexas.

Quem sabe a próxima pedra em seu caminho possa lhe servir de base, de alicerce para uma grande conquista.

Adnelson Borges de Campos
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