(Imagem Ilustrativa)

No filme de 1986, o imortal espanhol Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez, orientava o Highlander Connor MacLeod, personagem de Christopher Lambert, em como se preparar para uma vida que poderia não ter fim, caso ele fosse o último a preservar a sua cabeça em cima do pescoço.

Ramirez era vivido no filme por Sean Connery, um verdadeiro highlander, um escocês. Quem dera fosse ele, Connery o verdadeiro imortal. Como neste caso a ficção não conseguiu imitar a realidade plenamente, Sean Connery nos deixou neste 31 de outubro de 2020 aos 90 anos.

O eterno James Bond, o espião 007, recebeu o título de cavaleiro da Ordem Britânica da Rainha Elizabeth II. Connery exigiu que a honraria fosse entregue na cidade de Edimburgo, na Escócia. Esse lado rebelde lhe rendeu, antes, homenagem do outro lado do Canal da Mancha, condecorado com a Ordem da Legião de Honra do governo francês. Talvez tivesse ficado bem no papel de William Wallace em Coração Valente (filme dirigido e estrelado pelo americano Mel Gibson), um defensor da independência da Escócia no final do século XIII, causa que Connery também defendia.

Os primeiros filmes de sucesso, na pele do espião James Bond retratavam um pouco do que era na realidade, um homem que simbolizava a virilidade e um machismo acentuado, mas tolerado e, de certa forma, admirado naquela época, inclusive pelas mulheres. As cenas de ação eram emocionantes, mas o sexo muitas vezes beirava o não consensual. Segundo o site da BBC, “felizmente, já faz um tempo desde que 007 deu um tapa na bunda de uma mulher e forçou um beijo. Mas a atuação de Connery era de seu tempo, apreciada por milhões de ambos os sexos e deu à tela de cinema um ícone do século 20”.

Diziam se tratar de um sujeito disciplinado e amável com as pessoas, apesar de ele afirmar o contrário: “Minha opinião é que para chegar a qualquer lugar na vida você tem que ser antissocial”, atribuindo seu pavio curto e “mau humor” aos genes celtas, “Caso contrário, você acabará sendo devorado.” Talvez este lado mal humorado e controverso tenha sido construído em seus primeiros anos, difíceis. Filho de um operário e de uma faxineira, ele deixou a escola aos 13 anos, sem qualificações, para entregar leite, polir caixões e assentar tijolos como pedreiro, antes de entrar para a Marinha Real.

Quando alguém morre, tendemos a destacar os aspectos positivos de sua vida. É natural. Como qualquer ser humano, tinha defeitos e qualidades.

Entretanto, tornou-se um ícone do cinema e figura mundialmente reconhecida. Foram mais de setenta filmes em cinquenta anos de carreira e o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por sua atuação em Os intocáveis em 1987. Também dois prêmios Bafta e três Globos de Ouro foram pouco para premiar a extensa carreira de Thomas Sean Connery.

Influenciou gerações, mexeu com a imaginação de muitos. Sua imortalidade não ficará atrelada ao mito do Highlander, mas às suas imagens e atuações marcantes: O nome é Connery, Sean Connery.

Adnelson Borges de Campos
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