Após a realização de várias saídas de campo e o contato com a sabedoria popular, o capítulo do livro culminou com o reconhecimento da pesquisa desenvolvida em conjunto pelos profissionais. (Fotos: Acervo Pessoal Mário Sérgio Deina)

Nos últimos meses, a Gazeta Informativa tem noticiado a atuação dos diversos pesquisadores que vivem em nossa cidade. Com o passar dos anos, observa-se com bastante reconhecimento, uma variabilidade grande nas produções acadêmicas elaboradas por autores são-mateuenses. Os acontecimentos históricos ocorridos na região, são um dos temas pertinentes, cujo esclarecimento implica na valorização de nossas próprias formas de cultura e da história local.

O início da pesquisa

Um dos momentos iniciais da parceria entre o historiador e mestre são-mateuense Mário Sérgio Deina, e a doutora. Alcimara Aparecida Föetsch, ocorreu no Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul. A colaboração entre os dois, culminou com a autoria de um capítulo de um livro digital organizado pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Alcimara relembrou as primeiras fases do trabalho. “Por volta de 2016, quando optei por relatar a passagem do Monge São João Maria pela região, na defesa de uma cadeira no Instituto, esta pesquisa se iniciou. Naquela época, visitando algumas cruzes pelo interior do município, acabamos descobrindo os chamados ‘cemitérios de anjos’ em vários pontos dos limites municipais”, revelou ela.

O Monge São João Maria e os cemitérios de anjinhos

Foram realizadas diversas idas à campo e muitas expedições ao longo da extensa zona rural do município de São Mateus. A Dra. Alcimara comentou sobre a contextualização da questão. “São muito comuns na região Sul do país, histórias sobre as passagens, profecias e predições de São João Maria, uma figura bastante mítica, emblemática e heroica que foi canonizada pelo próprio povo. A ele são atribuídos diversos milagres de cura e um legado único de estórias, lendas e crenças”, destacou ela.

O historiador Mário Sérgio Deina comentou sobre alguns aspectos da pesquisa realizada. “Durante as primeiras incursões à campo, no final de 2016, acreditávamos que iríamos encontrar componentes já estudados do tema em questão, como as águas santas, cruzes e árvores de cedro. Acabamos descobrindo um novo elemento bastante presente no cenário local: os cemitérios de anjos ou criancinhas. As conexões estabelecidas fluíam para diversas questões, como a cultura popular, patrimônio material e imaterial, entre muitas outras”, explicou ele.

Percorrendo o interior do município

Foram percorridos e analisados mais de 57 lugares no município, sendo 33 destes reconhecidos pelas comunidades como associados a São João Maria. Em 13 destes, há cemitérios de anjos. Os pesquisadores precisaram sobrepor o véu da religião, para compreender que a fé popular e o catolicismo rústico emergem também como uma expressão de perseverança e resistência.

Dos trabalhos desenvolvidos no Primeiro Congresso Nacional do Contestado, realizado em Caçador (Santa Catarina), entre os dias 12 e 15 de junho de 2019, resultou um livro digital, organizado pelo Professor Doutor Eduardo do Nascimento, que atua no IFSC. O último capítulo, intitulado “O Patrimônio Cultural Religioso de São João Maria em São Mateus do Sul”, foi escrito através de uma parceria desenvolvida entre Mário e Alcimara. Os vestígios da passagem do Monge pela nossa região, continuam intrigando e apaixonando diversas gerações de cidadãos são-mateuenses.

Um dos hábitos do Monge, mais notados pelas comunidades, era a fixação de uma cruz de cedro, que posteriormente brotava e acabava se tornando uma árvore. Em alguns locais, as comunidades tomaram
a frente na preservação e revitalização dos cemitérios.

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