(Imagem Ilustrativa)

Nesta semana, a figura de Dom Pedro I foi muito lembrada, por conta da comemoração dos 199 anos da Independência do Brasil. Não muito depois do ato, em 1831, ele abdicou do trono do Império do Brasil para assumir, por pouco tempo, o título de Rei de Portugal. Para evitar confusões, foi chamado de Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal e Algarves.

Sim, Portugal também teve um Pedro I. Reinou de 1357 a 1367, ano de sua morte. Da história de Dom Pedro I, de Portugal e Algarves surgiu a expressão “agora a Inês é morta” que simboliza quando já é tarde demais para se voltar atrás, quando o problema não tem mais solução.

Como afirmei na coluna anterior, muitas das expressões da língua portuguesa de Portugal também migraram para o Brasil e nem nos damos conta de sua origem. Por detrás desta expressão também há uma história de amor e ódio, digna de uma produção cinematográfica, que se mantém viva, mesmo após mais de seis séculos.

Quem visita a igreja de Santa Maria, no Mosteiro de Alcobaça, uma pequena cidade de 46 mil habitantes, ao norte de Lisboa, pode visualizar dois túmulos, obras-primas da escultura gótica, feitos em rocha calcária da região de Coimbra. Um deles é ocupado pelos restos mortais de Pedro I e o outro abriga os restos de Inês de Castro.

A Igreja, que depois completou o conjunto arquitetônico com o mosteiro, foi construída por São Bernardo, monge francês, que levou o estilo gótico para Portugal, muito embora a fachada da igreja seja barroca.

Como era de costume, os casamentos reais aconteciam por motivos políticos, assim, Pedro era casado com Constança de Castela. Constança tinha como dama de companhia Inês de Castro. Dizem que quando Pedro encontrou Inês foi amor à primeira vista. Então, começaram um relacionamento, que preocupou o Rei, Dom Afonso IV.

A corte temia que a influência da galega Inês e de seus irmãos mudassem os rumos de Portugal. Pedro I teve filhos com Inêz, o que acirrou ainda mais os ânimos. Embora Pedro I, para a segurança de sua amada, não assumisse o relacionamento, continuava a se encontrar com ela, em Coimbra. Dona Constança morreu no parto. Pedro casou-se com Inês em segredo, mesmo depois do exílio definido para ela por Dom Afonso IV.

Então, o rei decidiu mandar executar Inês de Castro. Quando Pedro procurou o pai, o mesmo teria dito algo parecido como: “agora é tarde, a Inês está morta!”

Conta a história, ou mito, como alguns preferem chamar, que quando Pedro I assumiu o trono, fez de Inês sua rainha. O corpo dela foi exumado, colocado no trono e a corte toda foi obrigada a beijar a mão do seu cadáver, na cerimônia do beija-mão. Depois, teve o corpo transladado para Alcobaça.

Então, nos resta esperar (nós não, nossos descendentes) para ver o que durará mais, o que resistirá ao tempo: a história de amor, a expressão popular ou as rochas esplendidamente esculpidas e guardadas na bela Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Se você tiver a oportunidade de visitar o lugar, também pode experimentar alguns dos doces conventuais, que estão entre os melhores do país. Há muitas pastelarias na praça em frente ao mosteiro onde você pode encontrar, por exemplo: “Amor meu”, “Tiaras de Dona Inês” ou o “Segredo de São Bernardo”.

Viva suas histórias, se não, “não adianta chorar pelo leite derramado!”. Conhece a origem dessa expressão?

Adnelson Borges de Campos
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