Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Homem mata ex-companheira a facadas e gera revolta na população são-mateuense

A noite de segunda-feira (7), jamais será esquecida por quem frequenta a Rua Ledy Afonso Roderjan, em São Mateus do Sul. Não apenas os moradores da região lembrarão dessa data, mas todos os são-mateuenses que demonstraram sua opinião nas redes sociais sobre o homicídio que aconteceu em uma das casas da rua.

A vítima foi Daniela Kuba Vagner, de 24 anos, que foi brutalmente morta pelo ex companheiro, Fábio Kolodi, de 32 anos. Após as agressões e golpes de faca em Daniela, Fábio tentou se suicidar. Sendo atendido com vida, Fábio foi levado para o Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes, sendo encaminhado logo em seguida para o Hospital Regional São Camilo, em União da Vitória. Na madrugada de quinta-feira (10), entrou em óbito.

O crime aconteceu por volta das 19h30, na residência número 1135. Vizinhos escutaram os gritos de Daniela, e acionaram a Polícia Militar (PM), que prontamente dirigiu-se até a casa.

Segundo a PM e o Corpo de Bombeiros, a mulher apresentava um corte no pescoço, na bochecha, orelha e boca, e foi encontrada sem vida. O rapaz que tentou suicídio estava com uma perfuração no peito, pulmão e pescoço, porém foi encontrado com vida, sendo socorrido pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com informações, Daniela recebia diversas ameaças de morte do rapaz há algum tempo. O agressor ainda teria escrito uma carta, confirmando as ameaças contra a vítima.

Nas redes sociais, mulheres se manifestaram sobre o fato e demonstraram apoio para combater esse tipo de crime que já tirou a vida de mais mulheres em São Mateus do Sul.

Em dezembro de 2017, o primeiro caso de feminicídio foi condenado no município. O caso foi registrado em 2016, onde Joaquim Eduardo Pugsley Fonseca Junior (popular Chupim), proferiu golpes de faca em sua ex-companheira, Cleomara Aparecida Sorotenic Pereira, de 29 anos. Esse crime foi o primeiro caso de condenação de feminicídio em São Mateus do Sul.

O feminicídio passou a ser tratado como sentença criminal desde o dia 9 de março de 2015, sancionado pela Lei nº 13.104, que passou a tratar casos dessa categoria como circunstância qualificadora do crime de homicídio.
A principal característica do feminicídio é a morte intencional de pessoas do sexo feminino, mas isso não significa que todo assassinato de mulher é categorizado como feminicídio.

Muitos pontos são levados em consideração na indicação para o feminicídio, dentre eles: mutilações ou ataques genitais; escolha da mulher para ser morta ou o fato de que o comportamento feminino se torne a justificativa para o assassinato.

Em entrevista disponibilizada para a Gazeta Informativa sobre o feminício em 2017, o delegado Jonas Eduardo Peixoto do Amaral comentou que o incentivo à denúncia é uma ferramenta que a mulher tem para fazer com que a lei estabeleça uma normalidade, atribuindo uma resposta à uma ação ofensiva do agressor.

Outro fato que marcou o caso desta semana foi a divulgação de imagens da vítima já em óbito. Se tratando de um vilipêndio a cadáver, este crime se caracteriza pelo desrespeito aos mortos, especificado no artigo 212 do Código Penal Brasileiro. Ele tem pena prevista de detenção de um a três anos, além de multa.

Fora desrespeitar o momento de luto da família, essa exposição totalmente desautorizada também rende complicações para as pessoas que passaram esse conteúdo à diante.

“As imagens colhidas pela Polícia são encaminhadas para inquérito. Nenhuma foto é transmitida para ambientes externos. No decorrer da situação dessa semana, alguém fez esse registro e propagou as imagens”, informa o delegado.

 

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