(Foto: Acervo Pessoal)

Retornou à pátria espiritual, no dia 02 de Julho, aos 76 anos, o senhor Gabriel Ludgero Moreira Riesemberg, meu pai, a quem eu gostaria de homenagear neste espaço gentilmente cedido pelo senhor Oscar.

Meu querido paizinho foi conhecido por muitos atributos: profissional exemplar, excelente pai e marido, avô carinhoso, dedicado trabalhador da causa espírita, estudioso, leitor voraz, exímio calígrafo, entre outros. Mas quem esteve presente em sua vida nos últimos anos não pode negar que a melhor forma de descrevê-lo é com a palavra “herói”.

Desde que descobriu ser portador de um problema renal, adquirido provavelmente após o doloroso ataque de um enxame de abelhas, meu pai agarrou-se à vida de uma forma verdadeiramente heróica. Há 15 anos passou por um transplante de rim, graças à generosa doação de sua filha Cláudia. Mas desde esta cirurgia, que teve complicações e o manteve por meses internado em uma UTI, meu pai precisou demonstrar uma força sem limites.

Nesses últimos anos foram várias as vezes em que ele teve problemas de saúde, devido à baixa imunidade com que os transplantados precisam viver. Passou por sofrimentos incríveis, foi internado diversas vezes, mas nunca reclamou. A fé no Espiritismo sempre o manteve resignado, pois ele sabe que nenhuma dor é por acaso, e que Deus é sempre justo em Seus desígnios.

Meu pai nunca deixou de ir às consultas em Curitiba, de seguir os conselhos dos médicos, nem de tomar as centenas de comprimidos receitados por mês. É certo que ele só conseguiu isto graças à dedicação de minha mãe, Rita, que nunca saiu do lado dele em nenhum momento. Em 2019, ano em que precisou ser internado sete vezes, ela não desgrudou dele um dia sequer, numa belíssima demonstração do que é o verdadeiro Amor.

Eu e minhas irmãs também pudemos testemunhar a garra com que meu pai lutou para se recuperar em cada uma dessas ocasiões em que sua saúde piorava. Foram incontáveis agulhadas que ele suportou, muitas dores, e sempre que algum problema era controlado, logo surgia outro maior: de infecções a anemias, de Herpes Zoster a diabetes, passando até por uma cirurgia de ponte de safena há poucos anos. Mas ele nunca desanimou. Ao contrário: cozinhava todos os dias, dirigia até Curitiba para ir às consultas, cuidava do jardim, fazia consertos na oficina, postava todas as manhãs uma mensagem de otimismo para seus amigos no Facebook e, enquanto podia, ia pessoalmente a uma vila da cidade entregar as cestas básicas que doava mensalmente para famílias carentes.

Sem tréguas em suas provações, seu veículo carnal já estava muito fragilizado quando ele precisou começar com as duras sessões de hemodiálise, algumas semanas atrás. Mas é claro que isto também não o deprimiu. Durante uma das visitas que fiz a ele no hospital, me revelou que tinha tomado uma decisão: queria aprender Inglês! E tudo isto é só um pálido esboço do que meu pai representa.

Eu preferia não ter descrito este lado mais triste de sua vida. Se o faço é só porque muitos não sabem que meu pai é este corajoso guerreiro. Mas, para nós, o que realmente vai ficar na memória são as lembranças felizes e os bons exemplos que ele sempre nos deu. Foi a pessoa mais organizada que já conheci. Quando precisava resolver alguma coisa, nunca deixava para amanhã. Ele até atrasou a viagem para se internar porque antes queria terminar a declaração do meu imposto de renda. Quando eu era criança, foi ele quem fez meu estilingue, meu carrinho de rolimã, e recentemente fez o mesmo para o meu filho.

Já que estamos em uma coluna sobre Espiritismo, não posso deixar de mencionar o quanto ele me inspirou a amar a doutrina, dando a oportunidade de me tornar expositor e evangelizador, mas sem nunca me forçar a nada. Ele foi o verdadeiro espírita, que se esforça incessantemente para domar as más inclinações. E em sua trajetória levou luz e consolo a muitos encarnados e desencarnados.

Mas, como sabemos, nossa permanência na Terra é apenas temporária. Chegamos com uma missão e com uma bagagem de defeitos a serem corrigidos em um tempo delimitado. Meu pai certamente cumpriu suas tarefas com muitos méritos e aprendeu muito nesta existência. Em uma de nossas últimas conversas comentei que ele já devia ter quitado todas as suas dívidas. Ele riu, dizendo que duvidava disto, demonstrando que a humildade já é uma de suas muitas qualidades.

As saudades serão grandes, mas sabemos que ele ficará muito bem no mundo maior, cercado de espíritos que o admiram e estando finalmente livre para continuar o trabalho na seara de Jesus. Obrigado por tudo, pai. Nós que ficamos seguiremos inspirados pelos valores que o senhor fez cultivar em nosso coração. Te amamos muito! Até breve.

De seu filho Luiz Fernando

Oscar Okonoski
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