Moacir, 80, no momento da alta hospitalar em Campo Largo. (Fotos: Cedidas pela família)

Moacir Dâmaso da Silveira tem uma história digna de nota. Com 80 anos de idade, foi diagnosticado com o coronavírus. No dia 25 de novembro de 2020 foi internado no Hospital Dr. Paulo Fortes e devido ao agravamento do seu quadro teve que ser transferido para o Hospital do Rocio, em Campo Largo. Foi entubado no dia 03 de dezembro e resistiu aos efeitos do vírus. No dia 08 de fevereiro chegou em casa para terminar a recuperação junto com a família.

No momento da alta, enquanto entrava na ambulância para vir a São Mateus do Sul, Moacir demonstrou bom humor em vídeo gravado pelos filhos, arrancando gargalhadas da equipe que o acompanhou até a saída do hospital.

Embora Moacir seja o protagonista dessa história de força e superação, a família passou por momentos muito difíceis. No mesmo dia em que foi entubado, sua esposa, Elair de 78 anos, não resistiu ao vírus. A filha Elizete também acabou falecendo um dia depois, em 04 de dezembro.

Elizete, filha de Elair e Moacir, faleceu de covid aos 53 anos.

Dona Elair na praça do Rio Iguaçu antes da pandemia.

“Quem teve os primeiros sintomas foi a minha mãe, no dia 10 de novembro ela fez o teste e dia 12 chegou o resultado positivo”, conta Priscila, neta de Moacir e filha de Elizete. “Já no dia seguinte meus avós fizeram o teste e o da minha avó deu positivo e do meu avô negativo, os resultados saíram no dia 15”, detalha.

Nesse meio tempo, Elair começou o tratamento e Elizete, 53, já estava internada. No dia 17 de novembro, Elizete já estava entubada em União da Vitória devido ao rápido avanço da doença. Na sequência Elair também foi levada a União.

“Depois disso viemos com a luta com o avô, foram dias de tensão esperando notícias, a cada dia uma notícia diferente, melhorava, piorava e a gente estava naquela, né, com a expectativa que que ao menos ele voltasse para casa”, conta a neta.

Depois de mais de 60 dias sob cuidados intensivos no Hospital do Rocio, finalmente Moacir foi liberado pela equipe médica. “É um milagre, é o nosso milagre”, exclama Priscila.

“Uma das últimas mensagens que a minha mãe mandou, no aniversário de 80 anos dele, foi que era para cuidarmos dele e nós vamos cuidar”, conta Priscila com a emoção do momento claramente representada em sua voz.

“A emoção é grande agora. Por tudo o que a gente enfrentou desde o início da pandemia, tudo o que aconteceu dentro da nossa família, todo esse tempo que a gente ficou na expectativa da recuperação do nosso pai. Seu Moacir é um vencedor”, descreve um dos filhos, César Silveira, logo após a chegada do pai.

O filho descreve ainda que “ele lutou desde o início e graças a deus ele venceu esse vírus que pegou muita gente, a família estava toda empenhada na questão do retorno, todos ansiosos com a chegada dele”.

Após tanto tempo sem ter o pai por perto, César comenta que o importante é que ele chegou bem. “A recuperação dele ainda leva um tempinho mas acredito que se Deus sustentou até agora vai sustentar daqui para frente também”, declara César Silveira, um dos filhos de Moacir.

Os cuidados para a recuperação

Como acompanhamos nas informações de diversos casos Brasil a fora, a recuperação das pessoas acometidas pela COVID-19 não termina com a alta hospitalar. Uma série de cuidados ainda são necessários, ainda mais para quem passou tanto tempo entubado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Chegada de Moacir em sua residência, em São Mateus do Sul.

“Ele vai precisar de enfermeiro, médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, tudo isso”, revela a neta. “Vai ter uma equipe toda, ele está com um quarto hospitalar em casa, que é necessário no momento inclusive com enfermeiro 24 horas por dia com ele”.

A família ainda não sabe exatamente se Moacir terá sequelas deixadas pelo vírus ou pelo tempo de entubação, pois isso apenas se revelará com o tempo.

Priscila fala sobre a mãe e a avó

“Mãe de três filhos, uma mulher exemplar, maravilhosa”, descreve. E ela ressalta que não fala isso apenas porque se trata de sua mãe. “Não é porque faleceu, que virou santa, ela era a mãe, a mulher, a esposa”, continua. Além dos filhos, Elizete deixa dois netos.

Já Elair faleceu com 78 anos e teve 12 filhos. Contando com Elizete, três deles já faleceram e nove deles agora lidam com a perda desses entes queridos.

Confira um trecho do relato de Priscila sobre os dias que descreve como angustiantes na espera pela recuperação do avô:

“No dia 20 de janeiro, a Dra. [que atendia o caso]passou o relatório para a minha tia Ângela, de que o nosso avô é um Guerreiro, recobrou a consciência e se comunicava através de gestos. A médica perguntou se minha tia queria ver nosso avô por uma videoconferência através do celular! Minha tia entrou em êxtase com isso e disse que queria. Ela conseguiu ver e falar com ele, mesmo ele só gesticulando, mas aquele momento foi uma grande vitória! Piscou, fez positivo e jogou um beijo com a mão para ela. Minha irmã aos prantos de felicidade relatou este momento. Seu Moacir Dâmaso da Silveira é nosso milagre, guerreiro, vencedor. Serve de exemplo de superação para todos aqueles que passam por momentos difíceis como esse. Desse momento em diante, cada dia era uma Vitória, o seu pulmão foi se fortalecendo e com isso a tão aguardada alta sai na terça 09/02”.

Priscila também afirma a “gratidão a todos os milhares de profissionais da saúde em especial ao Hospital do Rocio de Campo Largo, e que nossa triste história sirva de exemplo para as pessoas que acham que esse vírus é uma simples gripezinha, preservem-se e preservem as pessoas que vocês amam”.

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